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A Esmagadora Vantagem de Decidir um Mata-mata em Casa – Uma Análise Estatística


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Introdução: Uma das controvérsias do futebol é se o time leva vantagem jogando a segunda partida em casa ou a primeira partida em casa. Obviamente o pensamento comum é que é melhor decidir em casa, tanto é que competições como a Libertadores e a Champions presenteiam o time que teve a melhor campanha com a suposta vantagem de decidir em casa. Mas ainda assim, cada torcedor tem sua opinião, e certamente tem torcedores que defendem que é melhor jogar a primeira partida em casa, por diversos motivos.


Método: Pois bem, para entender melhor a diferença entre decidir fora e decidir em casa, eu analisei todos os jogos da Libertadores desta década das quartas-de-final em diante. Incluí também na análise todos os jogos da copa do brasil das quartas-de-final em diante, desde 2013. Lembre-se que em 2013 foi quando a copa do brasil deixou de ser disputada por apenas alguns times grandes, e passou a ser disputada por todos.

A escolha de usar apenas as quartas-de-final em diante foi feita para reduzir a quantidade de confrontos onde um time é claramente melhor que o outro. Por exemplo, é claro que teremos a expectativa do melhor primeiro colocado levar vantagem sobre o pior segundo colocado da fase de grupos, independente de aonde se joga a segunda partida (meus pêsames Cruzeiro de 2011).


Legenda:

Tipo de equipe Explicação
Mandante Time que jogou a segunda partida do mata-mata em casa
Visitante Time que jogou a segunda partida do mata-mata fora de casa
Tipo de confronto Explicação
Brasil Dois times brasileiros, seja pela Copa do Brasil ou Libertadores
Brasil x Argentina Um time brasileiro contra um time argentino pela Libertadores
Brasil x Outros Um time brasileiro contra um time da América que não é nem brasileiro nem argentino pela Libertadores
Argentina Dois times argentinos pela Libertadores
Argentina x Outros Um time argentino contra um time da América que não é nem brasileiro nem argentino pela Libertadores
Outros Dois times da América que não são nem brasileiros nem argentinos pela Libertadores
Tipo de vitória Explicação
Pênaltis Time classificado ganhou nos pênaltis
Gol fora Time classificado ganhou pelo critério do gol qualificado
Saldo Time classificado ganhou e perdeu, mas ganhou por uma vantagem maior do que perdeu
Pontos Time classificado ganhou um jogo e empatou o outro
Vitórias Time classificado ganhou os dois jogos

Número de confrontos na análise:

Tipo de confronto Número de confrontos
Brasil 48, 6 pela Libertadores e 42 pela Copa do Brasil
Brasil x Argentina 12, 10 com o time brasileiro como mandante e 2 com o time argentino como mandante
Brasil x Outros 14, 9 com o time brasileiro como mandante e 5 com o outro time como mandante
Argentina 5, um em 2013, dois em 2017, e dois em 2018
Argentina x Outros 14, 8 com o time argentino como mandante e 6 com o outro time como mandante
Outros 12, quase 2 por ano entre 2010 e 2016, nenhum em 2017 e 2018

Resultados:

Tipo de confronto Porcentagem de vitórias do mandante Porcentagem de vitórias do visitante Número de confrontos
Brasil 71% 29% 48
Brasil x Argentina 33% 67% 12
Brasil x Outros 86% 14% 14
Argentina 100% 0% 5
Argentina x Outros 43% 57% 14
Outros 50% 50% 12

Outras estatísticas:

Tipo de confronto Porcentagem de vitórias do mandante Porcentagem de vitórias do visitante Número de confrontos
Confrontos decididos por cobranças de pênaltis 87% 13% 15
Confrontos decididos pela regra do gol qualificado 31% 69% 13
Confrontos onde o mesmo time ganhou as duas partidas 63% 37% 19
Tipo de equipe classificada Média de saldo
Mandante 1,48
Visitante 1,32

Conclusões: Claramente há uma vantagem enorme em um time brasileiro decidir um mata-mata em casa, principalmente contra outro time brasileiro. Em 2018, o Cruzeiro teve a felicidade de decidir as quartas e a semi em casa, conseguindo superar essa desvantagem estatística na final para se sagrar campeão. Em 2017, o Cruzeiro de novo teve a felicidade de decidir as quartas, a semi, e a final em casa. Em 2016, foi a vez do Grêmio, que decidiu a semi e a final em casa. Em 2015, vimos isso com o Palmeiras, que decidiu as quartas, a semi, e a final. Em 2014, o Atlético pôde decidir as quartas e a semi em casa, conseguindo superar essa desvantagem estatística na final. E em 2013 o Flamengo foi o único desse grupo a decidir todos os mata-matas da Copa do Brasil, desde as oitavas até a grande final, em casa.

Evidentemente, essa vantagem aparenta ser algo psicológico para os nossos clubes, certamente não é algo estrutural. Pois se pegarmos duelos que não envolvem times brasileiros, ela desaparece. No caso de duelos entre clubes brasileiros e argentinos, ela se reverte pra uma vantagem pro time visitante, por algum motivo. De fato, apesar de não entrarem nessa análise, podemos lembrar de 2000, 2003, 2007 e 2009, quando o campeão argentino calou a torcida dos vices brasileiros em seus respectivos estádios. Talvez isso tenha a ver com outra curiosidade histórica da Libertadores.

Pra mim a estatística mais interessante foi a dos pênaltis. Realmente surpreendente que das 15 grandes decisões por pênaltis desta década, 13 foram vencidas pela equipe mandante. Acho que todos nós fãs do futebol sabemos que pênalti não é apenas sorte - se fosse, o Henrique Dourado não taria aí ganhando centenas de milhares de reais por mês. Mas esses dados indicam que a sorte realmente é um grande fator. No caso, a sorte de estar jogando a segunda partida em casa.

 

 

Fonte: 

 

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      https://oglobo.globo.com/esportes/rodrigo-capelo-comeco-do-fim-dos-estaduais-25232156
      ▪️

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      Caio Paulista

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      Não é coincidência que o Fluminense tenha caído de produção após a lesão de Caio Paulista. Mesmo com só oito jogos no 1º turno do campeonato, o ponta foi influente para o Tricolor. Dentro da proposta de jogo mais baseada em contra-ataques, tem força e velocidade para descer o campo marcando o lateral-esquerdo adversário e arrancar nas transições pela ponta-direita. Fez dois gols. Melhorou a terminação das jogadas, cresceu tecnicamente, e parecia outro jogador até se lesionar. O Fluminense tenta adquiri-lo em definitivo.
      Paulinho Bóia

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      O atacante de 23 anos foi um dos destaques da base do São Paulo entre 2015 e 2017, mas depois que subiu aos profissionais não conseguiu ter sequência. É o seu terceiro empréstimo. Antes jogou no São Bento e no Portimonense, mas no Juventude se firmou. Seja pelo lado direito ou mais frequentemente no lado esquerdo, mostra velocidade e agressividade, sempre buscando a área. Se aproximou mais do protagonismo no clube jaconeiro após a saída de Matheus Peixoto. Está entre os 20 jogadores que mais driblam na Série A.
      https://www.uol.com.br/esporte/colunas/rodrigo-coutinho/2021/09/06/coutinho-as-dez-maiores-supresas-do-1-turno-do-brasileirao.htm

       
      E aí, concordam? Faltou alguém ou algum outro clube?
      Dissertem.
    • Aleef
    • Dr.Thales
      By Dr.Thales
      Queria trazer discussões sobre a temporada como um todo:
       
      Quais surpresas? 
      Quais decepções?
      Qual panorama geral?
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