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Por que Fórmula 1 corre risco inédito de deixar a Globo após 40 anos


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Por que Fórmula 1 corre risco inédito de deixar a Globo após 40 anos

Divulgação

Gabriel Vaquer e Julianne Cerasoli
Do UOL, em Aracaju e em Londres — 16/05/2020 04h00

No ano em que completa 70 anos de realização, a Fórmula 1 vê um risco iminente e inédito de deixar de ser transmitida pela Globo no Brasil. O contrato vai até o fim desse ano, e as negociações com a Liberty Media, dona da competição, estão paradas desde o fim de 2019. E a Rio Motorsports, empresa que quer organizar o GP do Brasil no Rio de Janeiro, decidiu entrar nessa disputa com um modelo de negócio mais alinhado com o que os proprietários da categoria desejam.

A reportagem do UOL Esporte apurou que a Globo tentou renovar os direitos de transmissão da F1 no ano passado, mas com um valor máximo de US$ 20 milhões, abaixo do mínimo pretendido pela Liberty Media para vender os direitos para todas as mídias. O desejado pela empresa era uma cifra na casa dos US$ 22 milhões. A Globo rejeitou subir mais dois milhões por causa do planejamento interno financeiro. Diretores acreditam que a categoria não vale tanto mais no Brasil.

Mesmo assim, é muito complicado para a Globo abrir mão definitivamente da principal categoria de automobilismo no Brasil. Atualmente, vivendo um momento mais focado em investimentos nacionais, principalmente em competições de futebol, a emissora leva em conta a história que tem com a categoria, que popularizou nos anos 80 e 90, e até o certo faturamento que ela ainda garante.

Só para este ano, a Globo fechou R$ 494 milhões em cotas de patrocínios, um dos maiores faturamentos da TV. Mas esse rendimento é muito atrelado a promessa de exposição das marcas em chamadas nos programas de maior audiência da emissora carioca e no intervalo do "Jornal Nacional", que tem o "break comercial" mais caro da TV brasileira. Ou seja, o dinheiro farto pode ser relativo. A audiência na casa dos 10 pontos de Ibope na Grande SP é boa, mas a falta de um piloto brasileiro sempre foi discutida internamente com preocupação. Um defensor incondicional da categoria é Galvão Bueno. Narrador da Fórmula 1 desde que ela retornou para a Globo em 1981, o veterano argumenta que a F1 é uma tradição dominical no Brasil e que ainda traz bons retornos para a emissora carioca.

Globo x Liberty Media: relação desagastada

Empresa que comprou a Fórmula 1 em 2016, a Liberty Media não tem uma boa relação com a Globo. Mesmo com a emissora oferecendo o maior alcance da categoria no mundo - 115 milhões de telespectadores, catapultado pela exibição na TV aberta -, a empresa queria receber mais dinheiro pelos direitos de transmissão.

Além disso, a nova dona entende que a Globo não trata o produto da Fórmula 1 de uma maneira condizente com o modelo de negócio atual. A FOM (Fórmula One Management), empresa de Bernie Ecclestone, que gerenciava os direitos de transmissão até o último fim de contrato, em 2015, tinha uma relação bem mais próxima com a empresa brasileira e aceitou alguns desejos da emissora para renovar o vínculo no ciclo anterior por cinco temporadas, como a não transmissão na íntegra dos treinos de classificação para as corridas.

Assim como em outros países, a Liberty Media quer colocar em prática um modelo em que ela não fature apenas com direitos de transmissão, e sim com exposição de marca nessas exibições para todo mundo, além de vendagens de publicidade em corridas e de ingressos para o Paddock, que costumam ser vendidos para grandes empresas em pacotes.

A entrada da Rio Motorsports

É nesse ponto que entra a Rio Motorsports, empresa comandada pelo empresário JR Pereira. Fã de automobilismo, desde o ano passado ele tenta levar o GP do Brasil de Fórmula 1 para ser realizada no Rio de Janeiro. Para tanto, Pereira tem se aproximado da Liberty Media cada dia mais. Nessas conversas, a Rio Motorspots soube da dificuldade da Liberty para negociar a renovação dos direitos de transmissão da F1 com a Globo a partir de 2021.

Foi nesse momento que a empresa percebeu que poderia ter uma oportunidade de negócio para concretizar de vez o seu desejo. O UOL Esporte apurou que a Rio Motorsports fez uma proposta para adquirir, além do direito de realizar o GP do Brasil entre 2021 e 2030 na capital fluminense, os direitos de comercialização totais da exibição da Fórmula 1 a partir do ano que vem.

A ideia da empresa seria licenciar a exibição para canais de TV por assinatura e aberta, e fechar uma parceria onde se dividam custos e lucros com as emissoras. A comercialização do espaço publicitário nos intervalos e na cota de patrocínio também seriam divididas. Além disso, parte deste dinheiro também iria para a Liberty Media. A dona da F1 garantiria de 5% a 10% do valor fechado.

Globo pode ser parceira em um modelo novo, se quiser

Nessa proposta nova da Rio Motorsports, a Globo pode ser parceira. O UOL Esporte apurou que a holding de JR Pereira detalhou na proposta para a Liberty Media que toparia negociar com qualquer grupo de mídia no Brasil, inclusive o Grupo Globo. Mas esse acordo dependeria de muitos fatores. O modelo que a Rio Motorsports quer adotar para a Fórmula 1 é o mesmo que a mesma empresa concebeu para a MotoGP a partir deste ano.

Assim que a Globo desistiu de renovar o contrato para a transmissão da MotoGP no SporTV, a Rio Motorsports comprou os direitos de transmissão e colocou a competição no Fox Sports, canal esportivo que se interessou em comprar, mas que agora pertence à Disney depois da fusão com a ESPN Brasil ser aprovada no país alguns dias atrás. Esse modelo da MotoGP já se provou rentável para a Rio Motorsports e é um indicativo animador para o futuro da Fórmula 1.

A Liberty Media ainda só não fechou questão porque falta algumas garantias financeiras com a Rio Motorsports. E, principalmente, porque a empresa deseja ouvir a Globo em uma nova rodada de conversas. Procurada oficialmente pela reportagem, a Globo apenas manifestou que as negociações da renovação de contrato estão suspensas por enquanto, em razão da pandemia do Covid-19.

"Estamos conversando com a F1 sobre a temporada 2020 e os impactos da pandemia de coronavírus. As conversas e decisões sobre a temporada 2021 estão em suspenso exatamente por causa da pandemia", indicou a comunicação da emissora carioca.

Fonte: UOL Esporte

É, gurizes.

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  • General Director
Leho.

Vamos ser sinceros: faz tempo que a Globo não trata a F1 como um programa atrativo, vai. Eu já acompanhei mais de perto, nos últimos anos porém tenho visto muuuito menos mas mesmo assim dá pra sacar que os caras não tão mais fazendo "à vera". Se fosse assim, essa diferença de US$2 milhões seria troco de bala na negociação.

E acho que a tendência é essa mesmo, a Globo ir perdendo terreno e esses contratos irem se descentralizando das mãos dela. Acho benéfico até, muda-se o formato, o enfoque, os profissionais enfim, dá uma oxigenada nessas transmissões de uma vez.

 

 

p.s: a falta de um grande nome brasileiro na categoria pesa muito nessas horas também.

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Bruno Caetano.
9 hours ago, Leho. said:

p.s: a falta de um grande nome brasileiro na categoria pesa muito nessas horas também.

Exatamente. Convenhamos que o brasileiro gosta muito mais de vencer do que do esporte propriamente dito. Se isso vale até pro futebol, quanto mais pra F1. A Globo tendo um personagem com quem trabalhar (não precisa ser dos mais vencedores, a gente lembra o pedestal que ela colocava pro Massa) facilitaria pra todo mundo. 

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GKFaNG
4 horas atrás, Bruno Caetano. disse:

Exatamente. Convenhamos que o brasileiro gosta muito mais de vencer do que do esporte propriamente dito. Se isso vale até pro futebol, quanto mais pra F1. A Globo tendo um personagem com quem trabalhar (não precisa ser dos mais vencedores, a gente lembra o pedestal que ela colocava pro Massa) facilitaria pra todo mundo. 

Efeito também observado com a febre do UFC.

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Em 18/05/2020 em 08:33, Bruno Caetano. disse:

Exatamente. Convenhamos que o brasileiro gosta muito mais de vencer do que do esporte propriamente dito. Se isso vale até pro futebol, quanto mais pra F1. A Globo tendo um personagem com quem trabalhar (não precisa ser dos mais vencedores, a gente lembra o pedestal que ela colocava pro Massa) facilitaria pra todo mundo. 

Sem tirar nem por.

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      By ZMB
      Grid 2021
      Mercedes: Lewis Hamilton (ING) e Valtteri Bottas (FIN)
      Ferrari: Charles Leclerc (MON) e Carlos Sainz (ESP)
      Red Bull: Max Verstappen (HOL) e Sergio Pérez (MEX)
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      McLaren: Daniel Ricciardo (AUS) e Lando Norris (ING)
      Aston Martin: Sebastian Vettel (ALE) e Lance Stroll (CAN)
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      Alfa Romeo: Kimi Räikkönen (FIN) e Antonio Giovinazzi (ITA)
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      Lista do Omelete de surpresas e esnobados: https://www.omelete.com.br/globo-de-ouro/globo-de-ouro-2021-indicados-esnobados-surpresas
       
      Lista dos indicados na IMDB: https://www.imdb.com/event/ev0000292/2021/1/?ref_=ev_eh
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      O jogo está marcado para esta segunda-feira, às 17 horas, em Goiânia. O Vila Nova entrou direto nas oitavas, enquanto o Palmas eliminou o Real Noroeste, por 2 a 0, na primeira fase. A Copa Verde tem sido disputada em 2021 por causa do estrago causado pela pandemia de Covid-19.
      😞 
       
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      By Henrique M.
      Suco de Brasil.
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      By Lowko é Powko
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      O Pacote G é de TV aberta e foi comprado pela Sport 1, com todos os jogos da segunda divisão nos sábados às 20h30.
      Além disso, foram vendidos também os direitos de transmissão por rádio para a rede ARD, além de pacotes de melhores momentos para a emissora de TV pública ZDF.
      O executivo-chefe da DFL, Christian Seifert, gostou do resultado da licitação. “Nenhuma empresa terá todos os direitos de jogos ao vivo da Bundesliga. É uma situação incomum para todo mundo envolvido e eu acredito que conseguimos um resultado decente”, afirmou o dirigente. “O resultado da licitação oferece aos clubes da Bundesliga e 2.Bundesliga, assim como os torcedores, a maior possibilidade de estabilidade em tempos incertos. Isto se aplica tanto em relação a preservar as receitas quanto em relação aos hábitos de assistir aos jogos”.
      A queda de € 200 milhões, dentro de um cenário catastrófico quanto o que estamos vivendo lidando com a pandemia, foi considerado um sucesso pelos executivos da Bundesliga. O contrato anterior, que terminará na temporada 2020/21, tinha dado um salto para a Bundesliga, subindo as receitas em 85%. O atual cenário manteve uma grande valorização para a liga, o que é um sinal positivo para os clubes.
      Como o dinheiro é distribuído?
      Parte 1 – Desempenho dos últimos cinco anos: 70%
      Os últimos cinco anos de desempenho são contabilizados, com peso diferente, valorizando do mais recente ao mais antigo, em uma proporção 5:4:3:2:1, ou seja, o ano mais recente vale cinco e o mais distante vale um. O primeiro colocado na Bundesliga recebe 5,8% do total (o primeiro da 2ª divisão recebe 1,69%) e o último colocado recebe 2,9% (na segunda divisão, o último recebe 0,75%).
      Parte 2 – Sustentabilidade esportiva: 5%
      Aqui é considerado o desempenho esportivo do clube nos últimos 20 anos. Diferente da parte 1, aqui todos os anos têm o mesmo peso, do primeiro ao último.
      Parte 3 – Jogadores jovens: 2%
      Aqui, são considerados quantos jogadores sub-23 formados em casa entraram em campo pelo clube. Ou seja: valem só os jogadores da base ou contratados e registrados em clubes da Bundesliga antes dos 18 anos. Quanto mais usou jogadores da base sub-23, mais o clube recebe.
      Parte 4 – Competição: 23%
      Aqui, novamente são considerados os últimos cinco anos de disputa, na escola 5:4:3:2:1, como na Parte 1. Porém, a diferença é que aqui os clubes são colocados em grupos. O dinheiro é distribuído baseado em um ranking de 36 clubes com diferentes porcentagens por posição na tabela.
      Os seis primeiros colocados recebem a mesma quantia. Isso significa que o octacampeão Bayern de Munique recebe o mesmo que o clube que ficar em segundo até sexto lugar na tabela. A ideia aqui é que todos os jogos valham, da primeira a última rodada, mesmo que o título ou mesmo classificações continentais e rebaixados já estejam definidos. Estar bem nesse ranking é uma forma de ganhar mais.
      Direitos internacionais
      O dinheiro que vem do exterior é distribuído de maneira diferente:

      – 25% é distribuído igualmente entre todos os 18 clubes da Bundesliga.
      – 50% é distribuído baseado no ranking dos últimos cinco anos
      – 25% será distribuída baseado em classificações para a Champions League e Liga Europa nos últimos 10 anos.
      – Uma quantia fixa de € 5 milhões é distribuída aos clubes da segunda divisão e aumenta € 1 milhão por temporada ao longo do contrato.
       
      @Trivela
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