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Templates táticos não devem ser usados como táticas prontas


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Tsuru

Apesar disso não ser explicado em nenhum momento dentro do FM - e tudo fazer parecer o contrário - os templates táticos não devem ser utilizados como táticas prontas, e sim como pontos de partida para os jogadores construírem as suas próprias. Uma vez que o jogador os adota como táticas prontas, está indo por sua conta e risco. E é claro que isso vale também para o gegenpress.

A questão foi abordada no fórum oficial da Sports Interactive, por isso achei importante compartilhar por aqui já que não existe nenhum material similar em português. O usuário herne79, que teve a oportunidade de olhar os templates antes da inclusão no jogo ainda no FM 19, explicou por lá o seguinte (a tradução/adaptação é minha):
 

"Como alguém que deu feedback sobre os templates antes de serem lançados há alguns anos, gostaria de dar a todos uma perspectiva diferente, pois parece existir uma boa quantidade de mal-entendido.

Ao olhar para um desses templates (já esqueci qual deles agora, mas era um dos mais defensivos), mostrei o que estava faltando e como talvez pudesse ser melhorado. Mas eu estava perdendo todo o ponto de ser um template - nada mais do que um ponto de partida principalmente para técnicos inexperientes que simplesmente não sabem por onde começar, com objetivo de transmitir alguns princípios gerais básicos de design tático. Eles são algo para ser adaptado dependendo dos jogadores disponíveis e adversários. É isso. Eles não são o artigo acabado, não são uma "roupa de tamanho único", não são uma supertática e se você usá-los como tal, você o faz por sua própria conta e risco. O feedback que dei [à Sports Interactive] foi mostrando como poderia ser mais um "artigo acabado", mas isso tiraria o objetivo de ser um template.

Portanto, é muito bom ter as pessoas mais experientes comentando sobre como esses templates são exagerados, inúteis, mal projetados etc., mas, como aconteceu comigo, você está perdendo o ponto. Bem, em algumas áreas, pode-se argumentar que essas predefinições podem ser enganosas, talvez excessivamente passivas ou agressivas, e isso poderia ser pior para técnicos inexperientes. Porém, novamente, eles são apenas um ponto de partida. Uma referência se você quiser - algo que diz "ok, aqui estão alguns princípios gerais para fazer você pensar sobre esses estilos, agora pegue esses princípios e adapte-os".

E eu sugeriria que, diante dessa perspectiva, eles servem a esse propósito. Para sistemas defensivos, eles fazem você pensar sobre a formação, se defender mais profundamente, jogar passivamente, e o oposto para sistemas mais ofensivos. Se eles se revelarem "exagerados", cabe a nós adaptá-los. Para sistemas de posse de bola, as predefinições introduzem alguns princípios gerais de controle de bola, tempo, passes mais curtos e assim por diante. Mas isso não fica muito claro no jogo.

Há uma falta de informação e muitos mal-entendidos não apenas sobre o que as coisas realmente fazem, mas - muito mais importante - como as coisas se combinam. O problema é usar o template Catenaccio de uma forma não intencional - você não o adapta para o seu time de jogo ou para o adversário e realmente não presta muita atenção aos princípios dados que podem ter levado você a fazer algumas mudanças. Você acabou de usá-lo como uma roupa de tamanho único, que não é como deveria ser usado. Vou enfatizar que não é sua culpa porque não é realmente claro no jogo qual é o uso pretendido."
 

Eu já desconfiava disso - os templates são realmente muito ruins se utilizados sem alteração, e a SI geralmente não gosta de oferecer nada pronto, o objetivo deles é sempre definir uma lógica de tentativa e erro que nos leve a fazer as coisas da nossa maneira. Para mim esse depoimento confirma as desconfianças que eu tinha, por isso sugiro que tomem muito cuidado se - e quando - utilizarem os templates táticos.

Estou dizendo que eles não funcionam? Não, de forma alguma, apenas recomendando cautela mesmo, para evitar frustrações com o desenrolar do jogo, e tentando ajudar a entender qual é o real papel deles dentro do FM.

E eu concordo com a visão do herne79? Não, de forma alguma. Acho que, da maneira como estão, os templates confundem mais do que ajudam e não esclarecem nada sobre princípios táticos, muito menos ajudam a construir algo - tem duzentas maneiras mais fáceis de começar do que com eles. Mas isso só confirma que usá-los como táticas prontas tem um grau de risco enorme.

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Johann Duwe

Por isso que eu evito essas táticas "prontas" e prefiro desenvolver minhas próprias criações. Se bem me lembro até usei ano passado o Wing Play jogando nas divisões baixas da Inglaterra.

E como disseram vários membros do fórum da SI, aqueles templates tem várias instruções em conflito, com uma sobrepondo a outra, única exceção talvez seja o Gegenpressing.

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felipevalle

Concordo sim. Templates assim como o conselho de tática sempre deixam a desejar. Mas servem para pontuar alguma carência. Algo que pode ser observado mais rápido com essa ferramenta do que visualmente pelo jogador.

Mesmo o RTM ou a outra ferramenta do GtF, só uso como parâmetro das funções. Mas depois faço adaptações ao meu estilo. Por exemplo, jogo numa versão da 4-2-3-1 que aponta alguns contrastes de equilíbrio, mas que na prática faz muitos gols. E é isso que procuro numa tática. Se fosse pra corrigi-la, perderia força ofensiva e não é esse o intuito.

Fora que há várias recomendações do jogo como do RTM que na prática são ineficientes, e que demandaria muito mais tempo para dar resultado e não seria tão bom quanto uma adaptada.

Lembro de uma rapidamente com La U que dizia pro time jogar num 4-2-3-1 dm, e até fiz um teste paralelo que deu bom resultado, mas nem se comparava com a minha tática.

 

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Banton

Eu acho que a ideia foi excelente de mostrar aos iniciantes os estilos de jogo mas o modo como eles introduziram no jogo é errado pra caramba. O cara que não entende nada de Football Manager vai levar aquilo ali ao pé da letra, acaba se frustrando com os resultados e desistindo da franquia.

E para entender o FM é coisa de anos. Não é fácil. Não é a toa que existe esse fórum aqui para facilitar as coisas.

 

 

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Tsuru
16 horas atrás, Johann Duwe disse:

Por isso que eu evito essas táticas "prontas" e prefiro desenvolver minhas próprias criações. Se bem me lembro até usei ano passado o Wing Play jogando nas divisões baixas da Inglaterra.

E como disseram vários membros do fórum da SI, aqueles templates tem várias instruções em conflito, com uma sobrepondo a outra, única exceção talvez seja o Gegenpressing.

Eu nem chego perto, de verdade. O máximo que eu fazia até a temporada passada era olhar quais templates o adjunto sugeria, pra ter uma ideia de possíveis estilos de jogo - mas prefiro olhar a previsão da mídia para a classificação final e a partir daí pensar se vou ser mais agressivo ou mais reativo.

A questão levantada pelo herne é que nem o Wing Play e nem o Gegen deveriam ser utilizados da forma como estão, é realmente pra ajustar. E se você reparar bem, eles dois têm algumas questões defensivas que dá pra arrumar, quando eu usava o Wing Play fazia muitos gols e sofria muitos também.

O que eu acho bizarro é que a comunicação disso é muito malfeita dentro do jogo, em nenhum momento eles sugerem que é um ponto de partida ou uma ideia. Pelo contrário, tudo dá a entender que é plug and play. O que deve ter de gente que escolhe um template, dá ruim, muda pra outro, dá ruim, o cara se irrita e atira o notebook pela janela, não deve estar no gibi...

16 horas atrás, felipevalle disse:

Concordo sim. Templates assim como o conselho de tática sempre deixam a desejar. Mas servem para pontuar alguma carência. Algo que pode ser observado mais rápido com essa ferramenta do que visualmente pelo jogador.

Mesmo o RTM ou a outra ferramenta do GtF, só uso como parâmetro das funções. Mas depois faço adaptações ao meu estilo. Por exemplo, jogo numa versão da 4-2-3-1 que aponta alguns contrastes de equilíbrio, mas que na prática faz muitos gols. E é isso que procuro numa tática. Se fosse pra corrigi-la, perderia força ofensiva e não é esse o intuito.

Fora que há várias recomendações do jogo como do RTM que na prática são ineficientes, e que demandaria muito mais tempo para dar resultado e não seria tão bom quanto uma adaptada.

Lembro de uma rapidamente com La U que dizia pro time jogar num 4-2-3-1 dm, e até fiz um teste paralelo que deu bom resultado, mas nem se comparava com a minha tática.

A própria necessidade de existir uma ferramenta como o RMT - que como um simples ponto de partida é excelente e infinitamente melhor do que as porcarias dos templates, diga-se - já mostra que a parte de criação tática dentro do jogo tem uma série de problemas. 

Mas há quem acredite que isso é proposital pois segue uma lógica bem estranha de que, se tudo fosse explicado e facilitado dentro do FM o jogo ficaria fácil e sem graça, e que temos que descobrir sozinhos, acertando e errando. Como se todo mundo tivesse esse tempo e paciência disponíveis, ou como se alguns não quisessem simplesmente ligar o jogo, botar ali qualquer coisa que funcione e jogar algumas partidas. Ou como se algumas pessoas simplesmente não se irritassem por não conseguir descobrir o que não funciona rapidamente - nem todo mundo tem saco pra assistir todas as partidas no Alargado e ficar tentando analisar taticamente erros e buracos. Até porque isso pode ser altamente subjetivo.

Tipo, eu leio, estudo, gosto de design tático, acho maneiro mesmo. Mas quantas vezes já veio gente me pedir ajuda, eu comecei a trocar ideia e a pessoa simplesmente ficou sem paciência, tacou qualquer coisa de forma aleatória e foi pro jogo? Design tático leva tempo, exige paciência, ter uma ideia, aplicar, ajustar, reaplicar, ajustar...tem quem curta e quem não. São perfis diferentes de jogadores e a falta de informação sobre o que fazem os templates acaba meio que levando esse jogador a acreditar que existe um caminho mais fácil - o que segundo o herne, meio que não existe. Ao menos não dentro do jogo né, o fórum oficial tá cheio de táticas pra download feitas por gente especializada em "quebrar" a ME; é basicamente só baixar e jogar. Obviamente que, se os jogadores tivessem mais facilidade pra fazer as deles esse tipo de coisa existiria em menor quantidade.

Há quem diga ainda que a falta de informação dentro do jogo meio que alimenta a criação de comunidades e a troca de informação entre os jogadores de FM, e que isso é visto com bons olhos por quem desenvolve. 

Eu não sei. Mas que eu preferia algo similar ao RMT dentro do jogo em vez de um monte de templates inúteis, certamente eu preferia.

11 horas atrás, Banton disse:

Eu acho que a ideia foi excelente de mostrar aos iniciantes os estilos de jogo mas o modo como eles introduziram no jogo é errado pra caramba. O cara que não entende nada de Football Manager vai levar aquilo ali ao pé da letra, acaba se frustrando com os resultados e desistindo da franquia.

E para entender o FM é coisa de anos. Não é fácil. Não é a toa que existe esse fórum aqui para facilitar as coisas.

Então...foi isso que eu discuti (no bom sentido) com o herne. Pra mim mostra os estilos de jogo mas de uma forma tosca e malfeita, porque leva, sei lá, o cara acreditar que pra jogar defensivamente basta seguir ou copiar o que é feito no template Catenaccio, que é por exemplo excessivamente passivo. E dependendo do ajuste feito ele fica pior - não ataca nem defende direito. Ou então que pra Contra-Ataque, seja Fluido ou Direto, você precisa necessariamente usar uma mentalidade Cautelosa - e dá pra jogar no Contra Ataque em qualquer mentalidade, eu fiquei uma temporada inteira usando contragolpe na Positiva por exemplo. 

Os templates podiam ter menos instruções ou ser um pouquinho mais coerentes, e ao mesmo tempo a comunicação de serem pontos de partida também podia ser melhor. Senão acontece o que você comentou, o cara que não entende, não tem saco ou quer simplesmente jogar o jogo sem pensar muito vai levar aquilo ao pé da letra, e eu não sei quem foi a pessoa que realmente acreditou que apostar numa lógica de tentativa e erro ia levar a mais insistência do que, sei lá, a reload, frustração e abandono. 

Ainda bem que existem os fóruns né. Senão acho que eu já teria largado faz tempo 🙂 

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Marcolation

Realmente o jogo peca bastante não só nesses templates, mas em não fornecer informações mais específicas de algumas funções/instruções.

Muitas coisas funcionam de forma diferente na prática do que seria esperado pela descrição do jogo, e para os novos jogadores isso pode ser bem frustrante.

Não fossem os fóruns, acho que teria desistido também de jogar. Tem muitos guias e discussões legais e até informações conflitantes em diferentes lugares, mas ter um espaço para pensar o jogo e compartilhar suas percepções táticas deixa o processo menos chato e tedioso, e começa a ser até legal.

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Tsuru
16 minutos atrás, Marcolation disse:

Realmente o jogo peca bastante não só nesses templates, mas em não fornecer informações mais específicas de algumas funções/instruções.

Muitas coisas funcionam de forma diferente na prática do que seria esperado pela descrição do jogo, e para os novos jogadores isso pode ser bem frustrante.

Não fossem os fóruns, acho que teria desistido também de jogar. Tem muitos guias e discussões legais e até informações conflitantes em diferentes lugares, mas ter um espaço para pensar o jogo e compartilhar suas percepções táticas deixa o processo menos chato e tedioso, e começa a ser até legal.

É como eu disse, eles meio que querem que você aprenda observando na prática. Mas isso pode ser altamente subjetivo e o seu jogador em campo ter, sei lá, um comportamento estranho por conta da marcação ou formação adversária. Ou seu atacante não estar fazendo gols porque a função dele e dos outros em volta o deixa isolado. Ou a mentalidade escolhida estar deixando seus jogadores "afobados" e finalizando tudo de forma muito apressada.

Nessas e outras situações não costuma ter absolutamente nenhuma pista do problema. O adjunto, que talvez pudesse dar conselhos assim, só fica dizendo bobagens e se contradizendo, as estatísticas de jogo são muito vagas e as notas dos jogadores parecem ser bem aleatórias. Então se tem algo errado e o jogador só vê os lances-chave, como muitos, fica igual cego tateando no escuro, muda aleatoriamente sem saber como nem o porquê. Eu por exemplo só melhorei taticamente depois que botei o 2D - porque consigo enxergar todo o campo - e passei a ver tudo no Alargado. Consome mais tempo, mas vale a pena. Agora, entendo perfeitamente que tem gente que não tem tempo nem saco.

Se eles querem que a gente faça sozinho, então que criem ferramentas pra nos ensinar a fazer. Não custava nada ter uma animação interativa explicando o que faz cada função e tarefa, da mesma forma que eles mostram nos templates, por exemplo. Ou uma ferramenta na mesma linha do RMT, no sentido de dizer "olha, seu lado esquerdo está desequilibrado, procure outra combinação", ou "seu atacante está isolado demais, tente mexer nisso". Podia ser inclusive uma ferramenta "paga" dentro do jogo, da mesma forma que acontece com o orçamento de observação, pra evitar abusos nesse sentido. 

Mas sinceramente, desencanei, o jogo é assim há muito tempo e eu duvido que mude de forma muito radical. Ainda bem mesmo que temos os fóruns e podemos trocar experiências e informações. 🙂 

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felipevalle

Paga com dinheiro do jogo. Favor né 😅

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Tsuru
21 horas atrás, felipevalle disse:

Paga com dinheiro do jogo. Favor né 😅

Se eles acham que precisa dificultar um pouco e querem evitar "abusos", dá pra fazer como o orçamento de observação. Até determinado momento que o clube comprasse o "software" que fizesse isso sem precisar pagar mais. Embora eu pessoalmente ache que com um RMT disponível isso já devia vir no jogo e com uso ilimitado, sem nenhum tipo de pagamento ou assim.

Mas sinceramente acho pouco provável qualquer coisa assim, pra mim o que vai acontecer é que numa das próximas versões eles vão trazer um novo criador tático e meio que dar um "reboot" nessa parte.

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      Mais Novidades Em Breve.
    • Cadete213
      By Cadete213
      Olá a todos. Sou novo por cá, mas sou um dos veteranos do CMPT (o fórum FM em Portugal), onde me registei em 2006. Gosto de apresentar os saves com mais base nas imagens do que nos textos, mas não esperem muito em termos de grafismos 😁
      Meu nome é Fábio, mas sou conhecido como Cadete, devido ao antigo jogador de futebol do Sporting e Celtic (entre outros), Jorge Cadete. Sou natural do Funchal, Ilha da Madeira. Ou seja, sou da mesma cidade do Cristiano Ronaldo.

      Sempre fui fã de futebol e minha equipa favorita é o Arsenal. Muito novo comecei a jogar nas camadas jovens do CS Marítimo, e por lá fiquei até aos 17 anos. Pelo caminho, fui campeão regional várias vezes e cheguei a jogar contra o grande CR7, quando este ainda vestia as cores da camisola do CD Nacional. A melhor época que tive, foi nos sub-17, quando terminamos a época sem derrotas (20 vitórias e 2 empates). De seguida, disputamos a fase nacional, onde defrontei o Sporting CP, Barreirense e Campomaiorense. Estes dois últimos, já viveram dias melhores e o Campomaiorense, na altura, jogava no Tugão.

      Nos sub-19, decidi sair do clube da minha infância e fui jogar no clube da terra da minha mãe, o CD Ribeira Brava, que tem como maiores rivais, o Pontassolense. Passei dois anos fantásticos no clube e vencemos o primeiro troféu do clube, nas camadas jovens, a Taça da Madeira. Na final, derrotamos o CF União. Lembro-me muito bem desse jogo. Marquei o primeiro golo e o resultado final foi 4-2. No final, festejamos imenso e levamos a Taça para a nossa "terrinha". Isto foi na primeira época. 
      Na segunda época, fui chamado à equipa principal, para fazer a pré-época. O CD Ribeira Brava disputava o Campeonato Nacional de Séniores e ainda joguei um amigável contra a equipa B do Marítimo, uma casa que conhecia muito bem. Fiz a época nos sub-19 e fui o melhor marcador da equipa. Nos séniores, ainda fui emprestado ao São Vicente, mas infelizmente, devido a um problema de saúde no sangue, abandonei o futebol e a carreira de jogador.

      A vida seguiu e comecei a trabalhar. Acabei os estudos à noite, onde conheci minha parceira. Passados 15 anos ainda estamos juntos. Mudou a minha vida para muito melhor e vivemos juntos na sua terra, o Jardim do Mar. Uma pequena vila no sudeste da Ilha da Madeira, com 200 habitantes. Mas não se deixem enganar pelo seu tamanho, pois é conhecida a nível mundial, devido ao surf. A modalidade chegou tarde à Madeira, nos anos 90. Começou então a ser divulgada e de repente, tínhamos surfistas do mundo inteiro a visitar a ilha, que rapidamente se tornou conhecida como  o "Hawai da Europa". 
      Minha sogra tem uma Residencial a Casa da Cecília, que recebeu os primeiros surfistas na ilha e a minha parceira foi a primeira mulher a surfar na Madeira. Os mais famosos surfistas portugueses passaram por cá várias vezes, houve um Billabong Contest no final dos anos 90, Garrett McNamara também já esteve na Residencial da minha sogra e Grant "Twiggy" Baker, campeão mundial de ondas grandes, é um regular por aqui. Gosta de ir ao Jardim do Mar treinar, antes da etapa da Nazaré, em Portugal Continental.

      Em 2008, decidimos emigrar e passamos o Verão em Cagnes-Sur-Mer, no sul de França. Trabalhamos num camping e os donos tornaram-se na nossa segunda família. Sempre que podemos, fazemos uma visita e vice-versa. Aprendi a falar francês, o que é sempre bom no mundo do trabalho. Depois deste magnífico Verão, acabamos na Ilha de Jersey. Uma dependência da coroa Britânica. É uma ilha offshore, ou seja, um paraíso fiscal, que goza de uma certa independência e tem o seu próprio governo. No entanto, o poder supremo é a raínha de Inglaterra.
      A comunidade portuguesa é grande e equivale a cerca de 10% da população local. Brasileiros tem poucos e só conheço 2. 
      Trabalhei vários anos na loja de um campo de golfe, e comecei a praticar este desporto. Tornou-se um dos meus passatempos favoritos e cheguei a fazer parte da equipa que se tornou campeã de Jersey, indo de seguida à ilha vizinha de Guernsey, jogar pelo título de campeão das Ilhas do Canal. Infelizmente perdemos.

      Vida que segue (como diz um amigo meu cá do fórum), e como trabalhava aos fins-de-semana, não pude jogar futebol. Dediquei-me então ao Futsal, que por cá é amador. Aliás, em Jersey, a única equipa profissional que há, é o Jersey Reds. Uma equipa de râguebi que disputa o segundo escalão do râguebi inglês. No futsal, joguei em 2 equipas locais. Fui campeão duas vezes e venci a taça uma vez. O futsal aqui é diferente e as regras também. Tanto, que ainda chamam de 5-a-side, não podemos entrar na área do Guarda-Redes e a bola não pode subir acima da altura dos ombros. Coisas dos ingleses.

      Após vários anos no campo de golfe, consegui um emprego no HSBC, um dos maiores bancos a nível mundial. Sendo Jersey um paraíso fiscal, a sua economia é movida pelo mundo das finanças. Vários são os bancos que cá estão, incluíndo Royal Bank of Canada, Lloyds, Santander, CitiBank ou Natwest. Além destes, tem outros bancos privados e muito dinheiro passa por cá. De vez em quando, entra nas bocas do mundo por eventuais branqueamentos de dinheiro e abrem-se investigações. É um mundo à parte.
      O HSBC Expat e o HSBC Channel Islands e Isle of Man, têm cá a sua sede e é lá que trabalho. Fui Product Manager e agora sou Operational Support Manager. 

      Trabalhar no banco libertou-me os fins-de-semana, e voltei ao futebol de 11. Como ja estava a chegar aos 35 anos, decidi jogar nos veteranos. Fui convidado para jogar no St Paul's FC, que é o maior clube da ilha. Aceitei logo e na primeira época fomos campeões, só com vitórias. Não perdemos nenhum ponto. Época de sucesso e apenas não vencemos a Taça de Veteranos, pois esta foi cancelada devido ao Covid-19. Começamos a segunda época, e até ao momento nao perdemos nenhum jogo. Queremos ser bi-campeões, sem derrotas. 
      Como ainda estou para as curvas, tenho feito alguns jogos pela equipa de reservas, onde a minha experiência é essencial para ajudar os mais jovens. Disputam a 3ª e última divisão de Jersey, e permite-me ir mantendo a forma ao jogar contra os mais novos.

      E por aquí fica a realidade do save. Aproveitei para me apresentar e assim ficam a me conhecer um pouco melhor. Daqui em diante, entraremos na ficção e na parte divertida do save. Adoro viajar e já estive em 5 continentes. Só me falta mesmo visitar a América do Sul.
      Trabalhando no HSBC, irei aproveitar esse facto para dar andamento a este save e irei baseá-lo nisso mesmo, a oportunidade de poder viajar pelo trabalho. 
       

       

       

       
    • Ibarra
      By Ibarra
      É com muita alegria, prazer, esforço e dedicação que continuarei a postar muita coisa bacana para este fórum com o FManager Brasil Ultimate Update agora e em breve, ou seja: a partir do dia 24 de Novembro, dia do lançamento do FM21 irei soltar a primeira atualização desde o Campeonato Brasileiro Série A até as divisões regionais do Brasileirão, além de Ligas e Copas do Brasil e do Mundo Inteiro juntamente com os elencos dos times nacionais e internacionais atualizados.
      Bom galera desta vez o Brasil Ultimate Update vai ser de maneira diferente, ou seja: vai ser o Brasil em formato europeu, eu decidi fazer assim o update devido aos jogos acumulados dos estaduais que ao meu ver acaba por enjoar os saves no Brasil, por isso decidi retirar os estaduais e manter as seguintes ligas e copas no update, vejam abaixo:
      Brasileirão Série A Brasileirão Série B Brasileirão Série C Brasileirão Série D Brasileirão Divisões Inferiores Copa do Brasil Supertaça do Brasil Países fundamentais são: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Tailândia, Qatar, Bolívia, Equador, Paraguai, Venezuela. Outros conteúdos também foram inseridos, como lesões e suspensões retiradas, cores reais dos clubes brasileiros e muito mais.
      Peço também desculpa pelos incômodos causados pq eu ontem estava enfrentando "crash dumps" no jogo e não pude mandar o download como prometido.
       
      Tutorial de Instalação: extraia o arquivo .RAR para a seguinte pasta
      🗂️ C:\documentos\sports interactive\football manager 2021\editor data
       
      Download Liberado e Atualizado até dia 16/06/2021 compatível com a DLC 21.4.
      Vale também lembrar que as transferencias do Mercado da Bola serão feitas diariamente a partir de 2021.
      Escolher a Liga da India para jogar no Brasil a partir do dia 21/12/2020
      ⬇️FM21 FManager Brasil Ultimate Update (by Ibarra) Atualização (16/06/2021) - Atualizações - FManager Brasil
       
      Agradecimentos
      FMSortitoutsi.net (pelo arquivo das transferências de jogadores e staff)
      RodrigoFec (cores reais dos clubes brasileiros)
      pr0 (acessos e rebaixamentos + coeficientes da UEFA 21/22)
      Dodgee's Gamers (MODS da Eurocopa 2020 + Copa América 2021)
       
      Bom Divertimento !
    • Megalodonte
      By Megalodonte
      Prezados
      Esta é a história de José Silva,  mais um entre tantos milhões de brasileiros.
       
      REGRAS DO SAVE E DATABASE
      Escrever a história de José Silva no cenário mundial; Expressar ao máximo os dilemas da carreira de José Silva no fórum; Diversão total no save  
      Database: TODAS as ligas do mundo como jogáveis, totalizando 490 mil jogadores, para dar o máximo de realismo possível. Estou utilizando também o BRMundiup atualizado em 26/03 e o modo de inteligência deles que deixa o jogo mais realista e difícil, sobretudo na América do Sul. Já deixo a dica para quem tem notebook/PC gamer que selecionar todas as ligas do mundo roda de boa e sem travar, independente do fato de ficar com "meia estrela" no desempenho. Apenas recomendo um acelerador de dias (FMspeed ou Cheat Engine) para que o jogo dê uma acelerada na passagem de dias (sem perder qualquer interação), mas é opcional isso.
       
       

      Imagem da Zona Leste de São Paulo-SP
      TEMPORADA 2021 - CAPÍTULO 1
      Quem sou eu?!
      Esta história será escrita em primeira pessoa. Sim, sou eu, José Silva, que está escrevendo. Não farei joguetes dissertativos nesta jornada, mas garanto sinceridade máxima para com o leitor. Antes de tudo, vou me apresentar. Eu sou José Silva, mais um entre tantos milhões de brasileiros. Mais um José e mais um Silva, talvez o nome e o sobrenome mais comum do Brasil. Ok, sei que não ficou legal esta apresentação, portanto serei mais direto para me ater à promessa de evitar os joguetes na narração.
      Nasci na cidade de São Paulo, no Natal de 1990. Estou prestes a completar 30 anos. Sou da Zona Leste, uma área predominantemente pobre na capital paulista, apesar de eu particularmente nunca ter sido pobre a ponto de ter passado fome ou frio na vida, sempre tive consciência de classe, que no meu caso, na melhor das hipóteses sempre foi a classe média baixa. Minha mãe é professora de uma escola estadual de Guarulhos, cidade com mais de 1 milhão de pessoas, ao qual faz divisa com a Zona Leste de São Paulo. A inflação imobiliária nos impediu de mudar para Guarulhos mais perto do colégio, portanto moro até hoje numa casa velha da Zona Leste, porém digna, adquirida pela minha mãe nos anos 90 e quitada após uns 15 anos de prestações. Sempre estudei no colégio público que minha mãe deu aula em Guarulhos, portanto era cobrado duplamente, tanto como filho quanto como aluno. Da nossa casa até o Colégio dava cerca de 20 minutos de moto e essa foi minha trajetória da infância até completar o ensino médio: acordar cedo, ir pra escola na garupa da moto da minha mãe e passar a tarde toda jogando bola na quadra do meu colégio. Eu era um goleiro mediano e nunca sequer cogitei ser jogador de futebol e apesar de amar futebol, sempre gostei mais de assistir do que jogar futebol. Era um corintiano moderado, que não desenvolveu o fanatismo por nunca ter ido ao Pacaembu na infância, pois não tinha um pai pra me levar ao estádio. Nunca conheci o meu pai, que segundo minha mãe sumiu no mundo após engravidá-la. Não tinha o nome dele em minha identidade ou certidão de nascimento, e herdara apenas o sobrenome Silva, de minha mãe. Além de "José" e "Silva", era mais um brasileiro filho de mãe solteira na imensidão demográfica deste País Continental.
      Sempre tirei notas boas, apesar de nunca ter sido um bom aluno. Meus interesses eram curiosidades globais, romances policiais, séries baixadas em péssima qualidade, idiomas, história do futebol e livros políticos e filosóficos. Desenvolvi um bom nível de inglês através de jogos na lanhouse que frequentava perto da minha casa, no auge dos anos 2000. Quanto à politica, se você é de esquerda, me achará de direita e se você é de direita, me achará de esquerda. Me considero um verdadeiro "isentão" que gosta de ver o circo pegar fogo. Acho tanto o coletivismo quanto a meritocracia duas farsas, quando postas de maneira integral, além de ser um adepto da teoria do caos, também conhecida como efeito borboleta. Acredito que pequenos detalhes mudam toda uma trajetória e que a sorte e o azar são fundamentais na vida do cidadão, desde a loteria genética até estar em determinados lugares ou conhecer determinadas pessoas. 
      Após terminar o colégio, fui o último aprovado no vestibular para o curso de Educação Física na USP, ao qual confesso que levei uma sorte desgraçada. Mais procrastinava do que estudava, porém acertei o necessário para entrar. Dizem que vestibular é igual sexo: não importa a posição, o que importa é entrar. A essa altura eu tinha 18 anos e uns 500 reais de patrimônio total. O departamento de Educação Física da USP era bem longe da minha casa, e sabia que teria que pegar ônibus e metrô para chegar lá, portanto decidi que iria trabalhar durante o dia (a faculdade era noturna) para juntar um dinheiro para tirar carteira de motorista e comprar uma moto, pois a perda de tempo dentro do transporte público era imensa, economizaria umas duas horas diárias que poderiam ser empregadas em outra coisa. Sempre achei que o capitalismo é um jogo de tempo.
      Falando em tempo, vou adiantar um pouco minha história para chegarmos ao presente. Quando entrei na faculdade, consegui um emprego na lanhouse ao qual frequentei minha infância e adolescência e acabei virando uma espécie de "gerentão" lá. No meio do segundo ano, após todo mês juntar uma parte do salário que sobrava, enfim consegui comprar a moto e tirar minha CNH. Aproveitei o tempo livre diário que ganhei ao não ter mais que pegar transporte público pra dormir. Sim, isso mesmo, eu vivia num sono infernal nessa rotina de trabalhar e estudar e duas horas de sono a mais por dia me davam uma revigorada satisfatória. Terminei a faculdade e decidi que queria ser professor de Educação Física, para isso teria que estudar, pois apesar do salário de professor da rede estadual não ser nada atraente, a concorrência era imensa, pois ganhar 3 ou 4 salários mínimos com estabilidade em um país de terceiro mundo como o Brasil era algo muito acima da média. Meu TCC foi sobre evolução de táticas de futebol na Ásia. Sim, bizarro.
      Com o diploma na mão, fiz as contas e vi que tinha dinheiro para me manter por 6 meses sem ter que trabalhar, portanto, para não queimar minhas reservas, tive a ideia de pedir ao dono da lanhouse se era possível que eu trabalhasse meio-período, para poder focar o máximo de tempo no concurso, que seria no final do ano (estávamos em 2012). Ele resmungou, dizendo que esse negócio de emprego meio-período era coisa de País rico, que não existia isso no Brasil, mas acabou cedendo, pois tinha grande apreço por mim. Eu ganhava dois salários mínimos na lanhouse, com essa redução, viria a ganhar um, o pouco de vida social que eu tinha acabava de ir pros quiabos com essa nova renda. Era apenas subsistência e mais nada.
      Dessa vez eu não procrastinei e pela primeira vez estudei de maneira sistemática e organizada e no final de 2012 passei no concurso, em uma posição intermediária. No começo de 2013 assumi uma escola Estadual em Itaquaquecetuba, outra cidade metropolitana grudada em São Paulo e Guarulhos, ao qual o pessoal costuma chamar apenas de "Itaquá". Tinha apenas 22 anos e seria professor de alunos da quinta e sexta série, ou seja, uma intersecção de crianças e adolescentes, metade infância e metade puberdade. As condições da escola eram ruins, mas não chegavam a ser deploráveis, daria uma nota 4,5 numa escala de 0 a 10. Confesso que esperava algo pior. No meu primeiro ano, tive muitos problemas, pois eu alternava entre ser bonzinho demais e severo em demasia, e os alunos deitavam e rolavam, tanto por mau comportamento pela minha inércia, quanto reclamando com os pais que eu gritava e era bravo demais quando eu decidia fazer alguma coisa. Somente no final de 2014, no meu segundo ano como professor que fui pegando o jeito do negócio e a partir de 2015 eu já era um dos professores mais queridos do colégio.
      Eu era criativo e costumava dar aulas envolvendo competições de diversos esportes, apesar de não esconder minha preferência pelo futebol, também desenvolvia-os com Xadrez e alguns jogos de tabuleiro. Os anos foram passando e a maioria dos meses eu conseguia guardar cerca de 10% do meu salário, minha mãe estava prestes a aposentar e eu sentia que faltava algo para dar uma guinada na minha vida. Confesso que me iludi com algumas promessas miraculosas de dinheiro, mentalidade empreendedora e outras baboseiras de espertalhões na internet que enganavam ingênuos ambiciosos e acabei perdendo dinheiro nessas coisas, ao qual eu sequer gostava. 
      Mal sabia que a grande teoria do caos que estava por aparecer na minha vida seria um "pequeno" torneio escolar. Era o ano de 2020 e eu notei que desde que entrei no colégio em Itaquá, aquele ano era ao qual os alunos do sexto ano eram os melhores nas aulas de futsal desde 2013. Tinha pelo menos 6 alunos ali com um potencial monstruoso perto do que eu já tinha visto de garotos daquela idade, e pela primeira vez nosso colégio foi convidado para a disputa dos jogos escolares da Grande São Paulo, pois a Prefeitura de São Paulo havia expandido a participação para todos os colégios da capital e região metropolitana. Seria uma espécie de Copa da Inglaterra, com mais de 1000 escolas públicas e particulares disputando um gigantesco torneio em mata-mata. Só eram permitidos alunos de 11 ou 12 anos completos até o fim de 2020 , ou seja, alunos do quinto ou sexto ano (os reprovados mais velhos ficariam de fora). Montei um time de toque de bola rápido na quadra, ofensivo e que sabia a hora certa de dar o bote.
      Apesar de ser cético até demais, um grave defeito que tenho, confesso que fui criando a ilusão que dava pra chegar longe, pois os meninos do colégio eram realmente bons e o mais importante: todos fortes fisicamente, uns verdadeiros cavalos pra idade que tinham. O único que tinha 11 anos e era mais mirrado era o nosso goleiro, que tive que buscar na quinta série, pois na sexta não havia nenhum, de resto eram todos com 12 anos e ótimo porte, além de apurada técnica. Me espelhei na zebra do Guga em Roland Garros em 1997 ao qual foi campeão sendo o número 66 do ranking mundial e fomos passando de fase. Os jogos eram sempre em algum colégio neutro, e nossos alunos que não jogavam, tanto meninos quanto meninas, eram uma torcida bem fiel e sempre empurravam a gente. As fases foram passando, até que chega outubro de 2020 e estávamos nas oitavas de final. Dentre os 16 colégios, éramos o único colégio público. Todos os outros eram particulares. A partir desta fase, os jogos eram disputados no Ginásio Ibirapuera, o que atraía atenção da mídia local, dos holofotes da educação e é claro: o de olheiros que estavam ali para tentar descobrir o próximo Neymar. O Brasil tem uma tradição monstruosa em revelar grandes jogadores que começaram no futsal.
      Eu havia levantado informação dos outros 15 adversários e pelo que vi todos eram mais ou menos do mesmo nível, com exceção a três colégios que serviam de base através de uma parceria para os três grandes da capital: Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Eu estava torcendo pro sorteio não colocar esses colégios frente ao nosso time, e acabei levando sorte: o Colégio parceiro do Palmeiras enfrentaria o do Corinthians logo de cara, na outra chave, e o do São Paulo também caiu do outro lado da chave, ou seja, só pegaria um dos top 3 numa eventual final. Tanto nas oitavas, quanto nas quartas e na semi, nos classificamos nos pênaltis, todos empatando por 2x2. Três resultados iguais e três êxitos na loteria dos pênaltis. Parecia história de filme de final feliz, estilo a Libertadores do Atlético Mineiro de 2013. Confesso que não treinava muito as penalidades, apenas o básico, mas o meu goleiro de 11 anos tinha uma habilidade paranormal para defender pênalti, era um novo Dida. Com certeza algum olheiro acabaria incentivando-o a treinar em algum clube quando os Jogos Escolares acabassem. 
      A grande final veio, em novembro de 2020, e seria contra um dos colégios mais tradicionais da capital paulista, que servia de base para o São Paulo Futebol Clube. Calculei que teríamos no máximo 25% de chance de sermos campeões (sou um tarado em números, estatísticas e probabilidades), tratei aquela final da pirralhada da sexta série como o maior desafio da minha vida. O jogo começou e logo no primeiro tempo  tomamos 3 gols. A mini-escolinha do SPFC era uma máquina mortífera. Eu não sei qual espírito da oratória entrou em mim no intervalo que consegui entrar na cabeça da mulecada de um jeito que por uns instante me senti o Bernardinho do Vôlei no quesito motivação. O final feliz não veio e o milagre também não aconteceu, mas marcamos dois gols e faltando 15 segundos meu pivô acerta uma bola no travessão, quase empatando e forçando a prorrogação. Perdemos de 3 a 2. Fomos vice-campeões, mas o ginásio inteiro do Ibirapuera nos aplaudiu. Caímos de pé.
      No final do jogo, os garotos desabaram em lágrimas tenras. O lado criança venceu o pré-adolescente, e a dor do "quase" foi cruel e torturante. Após meia hora consolando-os, com palavras inócuas para uma perda deste tamanho, um senhor grisalho de camisa social me aborda:
      - Você é o José Silva, né? Gostaria de trocar uma ideia com você.
      Eu tinha mania de tomar conclusões precipitadas e já fui falando:
      - Sou sim. Você deve ser olheiro de algum clube, né? Já adianto que pra falar com qualquer aluno meu para eventuais testes, antes de mais nada, é necessário a autorização dos pais deles, pois são menores de idade.
      - Você errou duplamente, retrucou o senhor Grisalho. Não sou olheiro e não quero falar sobre teus alunos. Sou vice-presidente do ********* e gostaria de te propor uma entrevista. Já tem um tempo que estamos observando profissionais de educação física dedicados e acredito que tens o necessário para um projeto em nosso clube.
      Bom, confesso que por uns 10 segundos senti um formigamento misturado com ansiedade e felicidade, além de um pouco de medo. No próximo capítulo eu conto o que aconteceu. E os asteriscos no nome do time é pra dar um ar de mistério, mesmo. A única dica que lhes dou é que é um time aqui do Estado de São Paulo, mesmo.
      Continua...
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