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schacoffee

Modelo de tática defensiva, inspirado nos italianos (?)

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schacoffee

Boa noite, pessoal, tranquilidade?

Há um tempo eu venho acompanhando no yt o canal "Táticas de Futebol", assistindo a carreira que fizeram por lá e pegando inspiração das táticas da vida real que replicam no FIFA, só por curiosidade mesmo, afinal nem jogo FIFA. Esse ano iniciaram uma carreira fictícia com o Fábio Carille treinando o 1860 Munich, que está bem legal diga-se, e estou curtindo.

Eu estou um pouco inspirado e inclinado a fazer algo parecido, jogando defensivamente, e obviamente com outra história e outro clube, só que como um adepto do futebol a la Cruyff e holandeses e de tudo que dali saiu, sempre preferi usar sistemas ofensivos e que valorizassem posse, intensidade, pressão etc, no FM. Andei vendo uns jogos de times defensivos ou que fossem menos ousados no ataque para tentar tirar uma inspiração (entra na conta Mourinho e Simeone, logicamente), porém ainda está difícil de imaginar como quero que meu time jogue. É uma linguagem diferente da que eu venho me acostumando.

Eis que venho pedir umas dicas de vocês. Modelos de táticas do FM que posso buscar e tirar como base, materiais para eu estudar, vídeos legais para assistir sobre FM, blogs, etc, o que puderem me dispor eu agradeceria.

Se você que está lendo curte futebol mais cauteloso, diga como que arma seu time e monta sua tática para ajudar o mano aqui.

*** Eu não gosto de usar tática pronta, geralmente crio a tática personalizada, do zero. Vídeos de tática seriam para me ajudar na tomada de decisão, não download. ***

Edited by schacoffee

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Tsuru

Oi schacoffee.

Acho que a primeira observação a ser feita é que, por mais que você jogue futebol cauteloso, ganhar os jogos ainda tem de ser seu objetivo principal. Então é preciso pensar em como seu time vai se defender de forma mais cautelosa para não ficar apenas vendo o adversário jogar - e isso naturalmente vai influenciar a maneira como você ataca. Se eu me fecho no meu próprio campo e nego os espaços ao adversário (ou tento), ele tende a me atacar e deixar espaço nas costas que meus jogadores podem explorar rapidamente. Se eu optasse por um estilo mais na linha do gegenpress, "perde-pressiona", eu preciso que o meu time se defenda mais em cima no campo para pressionar o adversário o tempo todo e retomar a bola assim que possível.

A segunda observação é: não despreze os atributos. O FM está cada vez mais exigente com isso, e táticas excelentes deixam de funcionar porque os times simplesmente não têm atletas capazes de fazer aquilo que eles pedem. Se você quer impor um estilo específico em vez de partir do que o seu time sabe fazer de melhor, tudo bem, mas use o mercado para trazer jogadores condizentes com o que você quer criar e vá moldando aos poucos. Explore bastante a base, molde os jogadores de acordo e retreine os atuais para ficarem mais próximos daquilo que você quer.

Falando da minha experiência pessoal e da visão que tenho, gosto de futebol muito veloz e intenso, e como geralmente jogo com equipes pequenas no FM, isso tende a se tornar um estilo mais focado no contragolpe - seja ele direto (passes mais compridos e time mais espaçado) ou fluido (passes mais curtos e movimentação em bloco). 

Mas ao mesmo tempo eu detesto um jogo passivo e que fica jogando por uma bola, sofrendo 90 minutos e rezando para não tomar gol. Quero um time que seja agressivo nas oportunidades que tiver, faça transições rápidas com a bola e marque muitos gols. Eu costumo definir essa forma de jogo como "contragolpe ativo", pelo simples motivo que meu time tem tanto a iniciativa do jogo quanto o adversário, apenas usa uma estratégia de oferecer a bola a ele num primeiro momento, fechar os espaços, recuperar rapidamente e atacar de forma veloz e rápida. Por isso geralmente uso como ponto de partida a mentalidade Positiva (acho que Equilibrada também serviria).

Se você prefere uma linha mais Mourinho e Simeone seria um pouco diferente. Nesse caso acho que está mais associado a algo que eu chamaria de "contragolpe passivo", o já mencionado "jogar por uma bola". Ou seja, sua equipe abre mão da iniciativa do jogo e vai passar 90 minutos fechada no próprio campo. Se a oportunidade de gol surgir, ótimo, se não, tudo bem. Geralmente essa estratégia está mais associada no FM à mentalidade Defender (ou talvez Cautelosa) - e eu costumo reservar para jogos contra equipes muito maiores que a minha, onde a derrota é quase certa.

Dito isso, é preciso lembrar que quem joga futebol mais cauteloso faz bem em ter um plano B. Isto é, uma segunda estratégia com desenho tático bastante parecido com a primeira, mas que seja focada em ter a bola, atacar e marcar gols, em vez de jogar no contragolpe. Por quê? Ora, todos temos dias ruins e nossos jogadores não são diferentes. Em algumas partidas o adversário vai fazer gol primeiro, em outras ele vai entrar fechado e tentando evitar que você marque, em outras seus contragolpes não vão encaixar (ou, se você jogar a versão "passiva", a estratégia de se fechar não vai resistir 90 minutos). Nesses casos uma alternativa te ajuda.

Outro dia mesmo aconteceu, eu fiz 1 a 0, o adversário empatou de pênalti e o jogo estava 1 a 1. O relógio corria, quase 30 do segundo tempo e eu tive que tomar uma decisão - me dou por satisfeito com o empate ou eu quero ganhar o jogo? Mencionei ali em cima que meus times entram para ganhar e era isso que eu queria, mudamos para o plano B, fizemos dois gols em 15 minutos e vencemos o jogo. Em outras partidas a situação se repetiu e o resultado final foi o empate mas não importa, jogar futebol mais cauteloso é aceitar que nem sempre vai dar certo e que você precisa de alternativas - ou, se não quiser ter, simplesmente aceitar o que acontece no jogo, o que eu acho mais arriscado se seu time tem ambições e precisa vencer para chegar a algum lugar.

Eu ainda estou tentando aprimorar essas mudanças e o uso dessas alternativas. Em teoria há partidas onde meu time está com dificuldades iniciais para marcar o gol e o "certo" seria trocar para o plano B e observar - se o gol sair, voltamos para o A, se não sair mas estivermos dominando o jogo, mantenho o B, se o adversário melhorar, volto ao A. Mas eu não sou muito adepto de trocar a estratégia de forma tão brusca, então ainda não sei bem se vou aderir a esse modelo mesmo.

Também já desprezei demais as bolas paradas, mas acho isso uma temeridade hoje - principalmente para quem é mais cauteloso. Por quê? Ora, às vezes o jogo está difícil mas antes que o plano B entre em ação, rola ali o escanteio e meu zagueiro abre o placar, ou uma jogada de falta ensaiada empata um jogo complicado, ou um lateral descomplica um jogo difícil. Da mesma forma que sofrermos um gol ou não marcarmos pode complicar nossa vida, abrir o placar tende a atirar o adversário para cima de nós, e isso é exatamente o que queremos para fazer surgir o espaço de que precisamos.

Há algumas formações que eu uso para favorecer um jogo mais cauteloso, seja passivo ou ativo. Entre elas estão o 4-4-2 inglês, o 4-4-1-1, 4-1-2-3 (4-1-4-1 DM Wide) e 4-2-2-2 (dois volantes, dois meias laterais e dois atacantes), e formações com três zagueiros e alas. Ter mais de um homem no último terço ajuda a puxar contragolpes e aumenta as chances de que haja jogadores em posições mais avançadas para receber a bola e agredir rapidamente - e ao mesmo tempo, ter a maior parte dos seus jogadores do meio campo para trás te favorece defensivamente.

Geralmente eu evito o uso de playmakers quando escolho as funções e tarefas, ou se usar, coloco um CJA AT, porque eles tendem a prender e atrair mais a bola, em vez de estimular um jogo veloz onde o importante é o jogador livre e a velocidade em vez do organizador de jogo.

E há uma série de instruções que eu aplico nesse tipo de sistema - Contra Atacar, Distribuição Rápida do goleiro, Marcação Apertada e/ou Desarme Agressivo, e Linha Defensiva Padrão + Linha de Engajamento Mais Baixa. Essas são a base, podendo existir outras dependendo de como as funções e tarefas estão distribuídas, do estilo escolhido e das características do time. Por exemplo, se meu goleiro tem bom nível de Pontapé, ele pode distribuir direto para os atacantes, mas se o Jogo de Mãos é melhor, prefiro que ele saia jogando com os laterais. 

 

Algumas leituras para complementar, em inglês:

https://community.sigames.com/forums/topic/534981-evaluating-a-lower-league-squad-to-determine-what-formations-are-possible/

https://community.sigames.com/forums/topic/546614-fm21-a-complete-guide-to-quick-transitions-and-counter-attacking-football/

https://community.sigames.com/forums/topic/527939-a-guide-to-direct-long-ball-antifootball-play-a-dyches-burnley-inspired-4-4-2/

https://www.footballmanager.com/the-byline/building-tactic-passive-vs-aggressive-wednesday-wisdom

https://www.footballmanager.com/the-byline/understanding-and-utilising-attacking-movement-wednesday-wisdom

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      Salve comunidade, depois de muito tempo, decidi me me aventurar (tentar) compartilhar uma saga por aqui. Não tive talento para ser um jogador profissional, mas a paixão pelas táticas fez este cidadão, mesmo sem nenhuma qualificação de treinador, explorar o mercado do futebol aos 25 anos de idade!! Só me impus duas restrições nessa busca inicial, não trabalhar no Brasil nem na Europa. Sobre preferências, não tenho. Estou aberto a avaliar as propostas independente do lugar, já que nada na minha vida me prende. 
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      Meu nome é Fábio, mas sou conhecido como Cadete, devido ao antigo jogador de futebol do Sporting e Celtic (entre outros), Jorge Cadete. Sou natural do Funchal, Ilha da Madeira. Ou seja, sou da mesma cidade do Cristiano Ronaldo.

      Sempre fui fã de futebol e minha equipa favorita é o Arsenal. Muito novo comecei a jogar nas camadas jovens do CS Marítimo, e por lá fiquei até aos 17 anos. Pelo caminho, fui campeão regional várias vezes e cheguei a jogar contra o grande CR7, quando este ainda vestia as cores da camisola do CD Nacional. A melhor época que tive, foi nos sub-17, quando terminamos a época sem derrotas (20 vitórias e 2 empates). De seguida, disputamos a fase nacional, onde defrontei o Sporting CP, Barreirense e Campomaiorense. Estes dois últimos, já viveram dias melhores e o Campomaiorense, na altura, jogava no Tugão.

      Nos sub-19, decidi sair do clube da minha infância e fui jogar no clube da terra da minha mãe, o CD Ribeira Brava, que tem como maiores rivais, o Pontassolense. Passei dois anos fantásticos no clube e vencemos o primeiro troféu do clube, nas camadas jovens, a Taça da Madeira. Na final, derrotamos o CF União. Lembro-me muito bem desse jogo. Marquei o primeiro golo e o resultado final foi 4-2. No final, festejamos imenso e levamos a Taça para a nossa "terrinha". Isto foi na primeira época. 
      Na segunda época, fui chamado à equipa principal, para fazer a pré-época. O CD Ribeira Brava disputava o Campeonato Nacional de Séniores e ainda joguei um amigável contra a equipa B do Marítimo, uma casa que conhecia muito bem. Fiz a época nos sub-19 e fui o melhor marcador da equipa. Nos séniores, ainda fui emprestado ao São Vicente, mas infelizmente, devido a um problema de saúde no sangue, abandonei o futebol e a carreira de jogador.

      A vida seguiu e comecei a trabalhar. Acabei os estudos à noite, onde conheci minha parceira. Passados 15 anos ainda estamos juntos. Mudou a minha vida para muito melhor e vivemos juntos na sua terra, o Jardim do Mar. Uma pequena vila no sudeste da Ilha da Madeira, com 200 habitantes. Mas não se deixem enganar pelo seu tamanho, pois é conhecida a nível mundial, devido ao surf. A modalidade chegou tarde à Madeira, nos anos 90. Começou então a ser divulgada e de repente, tínhamos surfistas do mundo inteiro a visitar a ilha, que rapidamente se tornou conhecida como  o "Hawai da Europa". 
      Minha sogra tem uma Residencial a Casa da Cecília, que recebeu os primeiros surfistas na ilha e a minha parceira foi a primeira mulher a surfar na Madeira. Os mais famosos surfistas portugueses passaram por cá várias vezes, houve um Billabong Contest no final dos anos 90, Garrett McNamara também já esteve na Residencial da minha sogra e Grant "Twiggy" Baker, campeão mundial de ondas grandes, é um regular por aqui. Gosta de ir ao Jardim do Mar treinar, antes da etapa da Nazaré, em Portugal Continental.

      Em 2008, decidimos emigrar e passamos o Verão em Cagnes-Sur-Mer, no sul de França. Trabalhamos num camping e os donos tornaram-se na nossa segunda família. Sempre que podemos, fazemos uma visita e vice-versa. Aprendi a falar francês, o que é sempre bom no mundo do trabalho. Depois deste magnífico Verão, acabamos na Ilha de Jersey. Uma dependência da coroa Britânica. É uma ilha offshore, ou seja, um paraíso fiscal, que goza de uma certa independência e tem o seu próprio governo. No entanto, o poder supremo é a raínha de Inglaterra.
      A comunidade portuguesa é grande e equivale a cerca de 10% da população local. Brasileiros tem poucos e só conheço 2. 
      Trabalhei vários anos na loja de um campo de golfe, e comecei a praticar este desporto. Tornou-se um dos meus passatempos favoritos e cheguei a fazer parte da equipa que se tornou campeã de Jersey, indo de seguida à ilha vizinha de Guernsey, jogar pelo título de campeão das Ilhas do Canal. Infelizmente perdemos.

      Vida que segue (como diz um amigo meu cá do fórum), e como trabalhava aos fins-de-semana, não pude jogar futebol. Dediquei-me então ao Futsal, que por cá é amador. Aliás, em Jersey, a única equipa profissional que há, é o Jersey Reds. Uma equipa de râguebi que disputa o segundo escalão do râguebi inglês. No futsal, joguei em 2 equipas locais. Fui campeão duas vezes e venci a taça uma vez. O futsal aqui é diferente e as regras também. Tanto, que ainda chamam de 5-a-side, não podemos entrar na área do Guarda-Redes e a bola não pode subir acima da altura dos ombros. Coisas dos ingleses.

      Após vários anos no campo de golfe, consegui um emprego no HSBC, um dos maiores bancos a nível mundial. Sendo Jersey um paraíso fiscal, a sua economia é movida pelo mundo das finanças. Vários são os bancos que cá estão, incluíndo Royal Bank of Canada, Lloyds, Santander, CitiBank ou Natwest. Além destes, tem outros bancos privados e muito dinheiro passa por cá. De vez em quando, entra nas bocas do mundo por eventuais branqueamentos de dinheiro e abrem-se investigações. É um mundo à parte.
      O HSBC Expat e o HSBC Channel Islands e Isle of Man, têm cá a sua sede e é lá que trabalho. Fui Product Manager e agora sou Operational Support Manager. 

      Trabalhar no banco libertou-me os fins-de-semana, e voltei ao futebol de 11. Como ja estava a chegar aos 35 anos, decidi jogar nos veteranos. Fui convidado para jogar no St Paul's FC, que é o maior clube da ilha. Aceitei logo e na primeira época fomos campeões, só com vitórias. Não perdemos nenhum ponto. Época de sucesso e apenas não vencemos a Taça de Veteranos, pois esta foi cancelada devido ao Covid-19. Começamos a segunda época, e até ao momento nao perdemos nenhum jogo. Queremos ser bi-campeões, sem derrotas. 
      Como ainda estou para as curvas, tenho feito alguns jogos pela equipa de reservas, onde a minha experiência é essencial para ajudar os mais jovens. Disputam a 3ª e última divisão de Jersey, e permite-me ir mantendo a forma ao jogar contra os mais novos.

      E por aquí fica a realidade do save. Aproveitei para me apresentar e assim ficam a me conhecer um pouco melhor. Daqui em diante, entraremos na ficção e na parte divertida do save. Adoro viajar e já estive em 5 continentes. Só me falta mesmo visitar a América do Sul.
      Trabalhando no HSBC, irei aproveitar esse facto para dar andamento a este save e irei baseá-lo nisso mesmo, a oportunidade de poder viajar pelo trabalho. 
       

       

       

       
    • Saulodwornik
      By Saulodwornik
      É possível copiar a base de dados de um fm antigo e colocar em outro fm mais novo? 
      Queria colocar os jogadores com potencial máximo de 140 a 200 aposentados de 2014 até 2020 porem para fazer isso preciso reeditar de um por um. Não existe um recurso no editor que copie dados de uma base antiga para a nova.
    • Megalodonte
      By Megalodonte
      Prezados
      Esta é a história de José Silva,  mais um entre tantos milhões de brasileiros.
       
      REGRAS DO SAVE E DATABASE
      Escrever a história de José Silva no cenário mundial; Expressar ao máximo os dilemas da carreira de José Silva no fórum; Diversão total no save  
      Database: TODAS as ligas do mundo como jogáveis, totalizando 490 mil jogadores, para dar o máximo de realismo possível. Estou utilizando também o BRMundiup atualizado em 26/03 e o modo de inteligência deles que deixa o jogo mais realista e difícil, sobretudo na América do Sul. Já deixo a dica para quem tem notebook/PC gamer que selecionar todas as ligas do mundo roda de boa e sem travar, independente do fato de ficar com "meia estrela" no desempenho. Apenas recomendo um acelerador de dias (FMspeed ou Cheat Engine) para que o jogo dê uma acelerada na passagem de dias (sem perder qualquer interação), mas é opcional isso.
       
       

      Imagem da Zona Leste de São Paulo-SP
      TEMPORADA 2021 - CAPÍTULO 1
      Quem sou eu?!
      Esta história será escrita em primeira pessoa. Sim, sou eu, José Silva, que está escrevendo. Não farei joguetes dissertativos nesta jornada, mas garanto sinceridade máxima para com o leitor. Antes de tudo, vou me apresentar. Eu sou José Silva, mais um entre tantos milhões de brasileiros. Mais um José e mais um Silva, talvez o nome e o sobrenome mais comum do Brasil. Ok, sei que não ficou legal esta apresentação, portanto serei mais direto para me ater à promessa de evitar os joguetes na narração.
      Nasci na cidade de São Paulo, no Natal de 1990. Estou prestes a completar 30 anos. Sou da Zona Leste, uma área predominantemente pobre na capital paulista, apesar de eu particularmente nunca ter sido pobre a ponto de ter passado fome ou frio na vida, sempre tive consciência de classe, que no meu caso, na melhor das hipóteses sempre foi a classe média baixa. Minha mãe é professora de uma escola estadual de Guarulhos, cidade com mais de 1 milhão de pessoas, ao qual faz divisa com a Zona Leste de São Paulo. A inflação imobiliária nos impediu de mudar para Guarulhos mais perto do colégio, portanto moro até hoje numa casa velha da Zona Leste, porém digna, adquirida pela minha mãe nos anos 90 e quitada após uns 15 anos de prestações. Sempre estudei no colégio público que minha mãe deu aula em Guarulhos, portanto era cobrado duplamente, tanto como filho quanto como aluno. Da nossa casa até o Colégio dava cerca de 20 minutos de moto e essa foi minha trajetória da infância até completar o ensino médio: acordar cedo, ir pra escola na garupa da moto da minha mãe e passar a tarde toda jogando bola na quadra do meu colégio. Eu era um goleiro mediano e nunca sequer cogitei ser jogador de futebol e apesar de amar futebol, sempre gostei mais de assistir do que jogar futebol. Era um corintiano moderado, que não desenvolveu o fanatismo por nunca ter ido ao Pacaembu na infância, pois não tinha um pai pra me levar ao estádio. Nunca conheci o meu pai, que segundo minha mãe sumiu no mundo após engravidá-la. Não tinha o nome dele em minha identidade ou certidão de nascimento, e herdara apenas o sobrenome Silva, de minha mãe. Além de "José" e "Silva", era mais um brasileiro filho de mãe solteira na imensidão demográfica deste País Continental.
      Sempre tirei notas boas, apesar de nunca ter sido um bom aluno. Meus interesses eram curiosidades globais, romances policiais, séries baixadas em péssima qualidade, idiomas, história do futebol e livros políticos e filosóficos. Desenvolvi um bom nível de inglês através de jogos na lanhouse que frequentava perto da minha casa, no auge dos anos 2000. Quanto à politica, se você é de esquerda, me achará de direita e se você é de direita, me achará de esquerda. Me considero um verdadeiro "isentão" que gosta de ver o circo pegar fogo. Acho tanto o coletivismo quanto a meritocracia duas farsas, quando postas de maneira integral, além de ser um adepto da teoria do caos, também conhecida como efeito borboleta. Acredito que pequenos detalhes mudam toda uma trajetória e que a sorte e o azar são fundamentais na vida do cidadão, desde a loteria genética até estar em determinados lugares ou conhecer determinadas pessoas. 
      Após terminar o colégio, fui o último aprovado no vestibular para o curso de Educação Física na USP, ao qual confesso que levei uma sorte desgraçada. Mais procrastinava do que estudava, porém acertei o necessário para entrar. Dizem que vestibular é igual sexo: não importa a posição, o que importa é entrar. A essa altura eu tinha 18 anos e uns 500 reais de patrimônio total. O departamento de Educação Física da USP era bem longe da minha casa, e sabia que teria que pegar ônibus e metrô para chegar lá, portanto decidi que iria trabalhar durante o dia (a faculdade era noturna) para juntar um dinheiro para tirar carteira de motorista e comprar uma moto, pois a perda de tempo dentro do transporte público era imensa, economizaria umas duas horas diárias que poderiam ser empregadas em outra coisa. Sempre achei que o capitalismo é um jogo de tempo.
      Falando em tempo, vou adiantar um pouco minha história para chegarmos ao presente. Quando entrei na faculdade, consegui um emprego na lanhouse ao qual frequentei minha infância e adolescência e acabei virando uma espécie de "gerentão" lá. No meio do segundo ano, após todo mês juntar uma parte do salário que sobrava, enfim consegui comprar a moto e tirar minha CNH. Aproveitei o tempo livre diário que ganhei ao não ter mais que pegar transporte público pra dormir. Sim, isso mesmo, eu vivia num sono infernal nessa rotina de trabalhar e estudar e duas horas de sono a mais por dia me davam uma revigorada satisfatória. Terminei a faculdade e decidi que queria ser professor de Educação Física, para isso teria que estudar, pois apesar do salário de professor da rede estadual não ser nada atraente, a concorrência era imensa, pois ganhar 3 ou 4 salários mínimos com estabilidade em um país de terceiro mundo como o Brasil era algo muito acima da média. Meu TCC foi sobre evolução de táticas de futebol na Ásia. Sim, bizarro.
      Com o diploma na mão, fiz as contas e vi que tinha dinheiro para me manter por 6 meses sem ter que trabalhar, portanto, para não queimar minhas reservas, tive a ideia de pedir ao dono da lanhouse se era possível que eu trabalhasse meio-período, para poder focar o máximo de tempo no concurso, que seria no final do ano (estávamos em 2012). Ele resmungou, dizendo que esse negócio de emprego meio-período era coisa de País rico, que não existia isso no Brasil, mas acabou cedendo, pois tinha grande apreço por mim. Eu ganhava dois salários mínimos na lanhouse, com essa redução, viria a ganhar um, o pouco de vida social que eu tinha acabava de ir pros quiabos com essa nova renda. Era apenas subsistência e mais nada.
      Dessa vez eu não procrastinei e pela primeira vez estudei de maneira sistemática e organizada e no final de 2012 passei no concurso, em uma posição intermediária. No começo de 2013 assumi uma escola Estadual em Itaquaquecetuba, outra cidade metropolitana grudada em São Paulo e Guarulhos, ao qual o pessoal costuma chamar apenas de "Itaquá". Tinha apenas 22 anos e seria professor de alunos da quinta e sexta série, ou seja, uma intersecção de crianças e adolescentes, metade infância e metade puberdade. As condições da escola eram ruins, mas não chegavam a ser deploráveis, daria uma nota 4,5 numa escala de 0 a 10. Confesso que esperava algo pior. No meu primeiro ano, tive muitos problemas, pois eu alternava entre ser bonzinho demais e severo em demasia, e os alunos deitavam e rolavam, tanto por mau comportamento pela minha inércia, quanto reclamando com os pais que eu gritava e era bravo demais quando eu decidia fazer alguma coisa. Somente no final de 2014, no meu segundo ano como professor que fui pegando o jeito do negócio e a partir de 2015 eu já era um dos professores mais queridos do colégio.
      Eu era criativo e costumava dar aulas envolvendo competições de diversos esportes, apesar de não esconder minha preferência pelo futebol, também desenvolvia-os com Xadrez e alguns jogos de tabuleiro. Os anos foram passando e a maioria dos meses eu conseguia guardar cerca de 10% do meu salário, minha mãe estava prestes a aposentar e eu sentia que faltava algo para dar uma guinada na minha vida. Confesso que me iludi com algumas promessas miraculosas de dinheiro, mentalidade empreendedora e outras baboseiras de espertalhões na internet que enganavam ingênuos ambiciosos e acabei perdendo dinheiro nessas coisas, ao qual eu sequer gostava. 
      Mal sabia que a grande teoria do caos que estava por aparecer na minha vida seria um "pequeno" torneio escolar. Era o ano de 2020 e eu notei que desde que entrei no colégio em Itaquá, aquele ano era ao qual os alunos do sexto ano eram os melhores nas aulas de futsal desde 2013. Tinha pelo menos 6 alunos ali com um potencial monstruoso perto do que eu já tinha visto de garotos daquela idade, e pela primeira vez nosso colégio foi convidado para a disputa dos jogos escolares da Grande São Paulo, pois a Prefeitura de São Paulo havia expandido a participação para todos os colégios da capital e região metropolitana. Seria uma espécie de Copa da Inglaterra, com mais de 1000 escolas públicas e particulares disputando um gigantesco torneio em mata-mata. Só eram permitidos alunos de 11 ou 12 anos completos até o fim de 2020 , ou seja, alunos do quinto ou sexto ano (os reprovados mais velhos ficariam de fora). Montei um time de toque de bola rápido na quadra, ofensivo e que sabia a hora certa de dar o bote.
      Apesar de ser cético até demais, um grave defeito que tenho, confesso que fui criando a ilusão que dava pra chegar longe, pois os meninos do colégio eram realmente bons e o mais importante: todos fortes fisicamente, uns verdadeiros cavalos pra idade que tinham. O único que tinha 11 anos e era mais mirrado era o nosso goleiro, que tive que buscar na quinta série, pois na sexta não havia nenhum, de resto eram todos com 12 anos e ótimo porte, além de apurada técnica. Me espelhei na zebra do Guga em Roland Garros em 1997 ao qual foi campeão sendo o número 66 do ranking mundial e fomos passando de fase. Os jogos eram sempre em algum colégio neutro, e nossos alunos que não jogavam, tanto meninos quanto meninas, eram uma torcida bem fiel e sempre empurravam a gente. As fases foram passando, até que chega outubro de 2020 e estávamos nas oitavas de final. Dentre os 16 colégios, éramos o único colégio público. Todos os outros eram particulares. A partir desta fase, os jogos eram disputados no Ginásio Ibirapuera, o que atraía atenção da mídia local, dos holofotes da educação e é claro: o de olheiros que estavam ali para tentar descobrir o próximo Neymar. O Brasil tem uma tradição monstruosa em revelar grandes jogadores que começaram no futsal.
      Eu havia levantado informação dos outros 15 adversários e pelo que vi todos eram mais ou menos do mesmo nível, com exceção a três colégios que serviam de base através de uma parceria para os três grandes da capital: Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Eu estava torcendo pro sorteio não colocar esses colégios frente ao nosso time, e acabei levando sorte: o Colégio parceiro do Palmeiras enfrentaria o do Corinthians logo de cara, na outra chave, e o do São Paulo também caiu do outro lado da chave, ou seja, só pegaria um dos top 3 numa eventual final. Tanto nas oitavas, quanto nas quartas e na semi, nos classificamos nos pênaltis, todos empatando por 2x2. Três resultados iguais e três êxitos na loteria dos pênaltis. Parecia história de filme de final feliz, estilo a Libertadores do Atlético Mineiro de 2013. Confesso que não treinava muito as penalidades, apenas o básico, mas o meu goleiro de 11 anos tinha uma habilidade paranormal para defender pênalti, era um novo Dida. Com certeza algum olheiro acabaria incentivando-o a treinar em algum clube quando os Jogos Escolares acabassem. 
      A grande final veio, em novembro de 2020, e seria contra um dos colégios mais tradicionais da capital paulista, que servia de base para o São Paulo Futebol Clube. Calculei que teríamos no máximo 25% de chance de sermos campeões (sou um tarado em números, estatísticas e probabilidades), tratei aquela final da pirralhada da sexta série como o maior desafio da minha vida. O jogo começou e logo no primeiro tempo  tomamos 3 gols. A mini-escolinha do SPFC era uma máquina mortífera. Eu não sei qual espírito da oratória entrou em mim no intervalo que consegui entrar na cabeça da mulecada de um jeito que por uns instante me senti o Bernardinho do Vôlei no quesito motivação. O final feliz não veio e o milagre também não aconteceu, mas marcamos dois gols e faltando 15 segundos meu pivô acerta uma bola no travessão, quase empatando e forçando a prorrogação. Perdemos de 3 a 2. Fomos vice-campeões, mas o ginásio inteiro do Ibirapuera nos aplaudiu. Caímos de pé.
      No final do jogo, os garotos desabaram em lágrimas tenras. O lado criança venceu o pré-adolescente, e a dor do "quase" foi cruel e torturante. Após meia hora consolando-os, com palavras inócuas para uma perda deste tamanho, um senhor grisalho de camisa social me aborda:
      - Você é o José Silva, né? Gostaria de trocar uma ideia com você.
      Eu tinha mania de tomar conclusões precipitadas e já fui falando:
      - Sou sim. Você deve ser olheiro de algum clube, né? Já adianto que pra falar com qualquer aluno meu para eventuais testes, antes de mais nada, é necessário a autorização dos pais deles, pois são menores de idade.
      - Você errou duplamente, retrucou o senhor Grisalho. Não sou olheiro e não quero falar sobre teus alunos. Sou vice-presidente do ********* e gostaria de te propor uma entrevista. Já tem um tempo que estamos observando profissionais de educação física dedicados e acredito que tens o necessário para um projeto em nosso clube.
      Bom, confesso que por uns 10 segundos senti um formigamento misturado com ansiedade e felicidade, além de um pouco de medo. No próximo capítulo eu conto o que aconteceu. E os asteriscos no nome do time é pra dar um ar de mistério, mesmo. A única dica que lhes dou é que é um time aqui do Estado de São Paulo, mesmo.
      Continua...
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