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Piacenza Calcio 1919: "Garantindo a sobrevivência / Reformulação profunda" (07/02)


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O futebol italiano é um terreno fértil para tragédias esportivas. Todos os anos, quase como um ritual, um clube tradicional cai em desgraça, seja por rebaixamentos administrativos, falências, refundações ou pontos retirados. Não importa o tamanho do escudo ou o peso da história. Na Itália, a ruína é sempre uma possibilidade concreta. É um campeonato onde a glória convive lado a lado com o colapso, e onde sobreviver já é, por si só, um feito.

O Piacenza não foge a essa regra. O clube já quebrou, ressurgiu das cinzas, mudou de nome, de divisão e de rumo, mas nunca conseguiu reencontrar o caminho de volta às ligas principais. Desde a falência, tornou-se mais um símbolo de um futebol que insiste em existir apesar de tudo, preso entre a memória de dias melhores e a dura realidade das divisões inferiores. Aqui, tentaremos recolocar o Piacenza nos trilhos, porém, com base em algo que foi feito no passado.

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O Piacenza Football Club foi fundado em 1919 e, por grande parte do século XX, construiu uma trajetória típica do futebol italiano fora dos grandes centros: presença constante nas divisões intermediárias, identidade fortemente ligada à cidade e uma relação intensa com seu território. Situado na Emilia-Romagna, região tradicionalmente apaixonada por futebol, o clube sempre representou uma alternativa popular aos gigantes regionais, sustentando-se mais pela continuidade do que por ambições grandiosas.

O período mais marcante da história do Piacenza ocorreu na década de 1990, quando o clube alcançou a Serie A e se tornou símbolo de organização e pragmatismo. Entre idas e vindas, conseguiu disputar a elite por várias temporadas, notabilizando-se por elencos exclusivamente italianos e por campanhas baseadas em disciplina tática e sobrevivência esportiva. Nunca foi um protagonista do campeonato, mas consolidou-se como um adversário respeitado, capaz de incomodar clubes muito maiores.

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Em termos esportivos, o Piacenza registra como principais feitos as campanhas na Serie A entre 1993 e 2003, com melhores colocações no meio da tabela e permanências conquistadas no limite. Soma ainda títulos de divisões inferiores, incluindo conquistas da Serie B e da Serie C, além de promoções decisivas que marcaram seus períodos de ascensão. São resultados que, embora modestos no panorama nacional, definem o auge competitivo do clube e estabelecem o patamar histórico que ele tenta, até hoje, voltar a alcançar.

Como ocorre com frequência no calcio, o declínio veio acompanhado de instabilidade financeira e administrativa. Após sucessivos rebaixamentos e dificuldades estruturais, o Piacenza declarou falência em 2012, encerrando formalmente a existência do clube original. A cidade, porém, recusou-se a perder seu futebol: a partir de uma nova entidade, o clube foi refundado como Piacenza Calcio 1919 e reinserido no sistema, reiniciando o percurso a partir das divisões inferiores.

Desde então, o clube vive um ciclo de reconstruções incompletas. Conseguiu retornar ao futebol profissional, alternando entre Serie D e Serie C, mas sem jamais recuperar a estabilidade esportiva e econômica necessária para mirar novamente a Serie B ou a elite. Rivalidades regionais, como as com Cremonese e Reggiana, mantiveram-se vivas, ainda que em palcos menores, reforçando a dimensão local de um clube que nunca deixou de representar sua cidade.

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Na primeira metade dos anos 90, enquanto o futebol europeu começava a abrir suas fronteiras e a Lei Bosman estava prestes a transformar o jogo em um mercado global de estrelas e mercenários, o Piacenza do presidente Leonardo Garilli decidiu seguir na direção oposta. Não por ideologia ou nostalgia, mas por necessidade. Diante de limitações financeiras evidentes, o clube emiliano encontrou na identidade nacional uma forma de competir. Em uma Serie A povoada por nomes como Batistuta, Bergkamp, Ronaldo e Weah, o Piacenza ergueu sua própria trincheira: um elenco composto exclusivamente por jogadores italianos.

Este save parte exatamente dessa premissa. O projeto esportivo do Piacenza será conduzido sob a lógica do "tutto italiano", priorizando exclusivamente jogadores italianos no elenco principal. O objetivo não é replicar artificialmente o passado, mas recriar um modelo de sobrevivência e competitividade baseado em identidade, continuidade e conhecimento profundo do mercado nacional:

  • O elenco principal deve ser formado apenas por jogadores de nacionalidade italiana, sem dupla nacionalidade.
  • Jogadores estrangeiros formados no clube poderão ser utilizados, porém, apenas como uma vitrine momentânea até serem negociados.
  • O clube pode contratar somente jogadores italianos que atuem no futebol italiano, ou estejam livres após passagem por um clube italiano.
  • Não há imposição tática obrigatória, mas o save buscará privilegiar princípios historicamente associados ao calcio: organização defensiva, equilíbrio coletivo, leitura de jogo e gestão de riscos. Estilos incompatíveis com a realidade do elenco e do projeto deverão ser evitados.

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Inserido em uma das regiões mais competitivas e fragmentadas da Itália, o Piacenza assume como missão não apenas sobreviver, mas se impor sobre rivais historicamente mais consolidados da Emilia-Romagna, como o Bologna, referência histórica e campeão nacional, o Parma, símbolo do auge europeu dos anos 1990, além de clubes tradicionais como Modena, Reggiana, SPAL, Sassuolo, Carpi e Cesena:

  • Consolidar o Piacenza nas divisões nacionais superiores, longe de riscos de rebaixamento;
  • Conquistar a Serie A, superando o peso histórico do títulos conquistados pelo Bologna;
  • Conquistar a Coppa Italia, entrando para a lista de campeões emilianos ao lado de Bologna e Parma;
  • Conquistar um título continental, superando o auge europeu do Parma.

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Se o Piacenza "tutto italiano" nasceu da visão do presidente Leonardo Garilli, a execução do projeto passou pelas mãos de Luigi "Gigi" Cagni. Cagni nunca foi um técnico renomado no sentido midiático, mas sempre foi respeitado no meio pela coerência do seu trabalho e pela capacidade de competir com recursos limitados. No Piacenza, teve uma passagem histórica ao transformar uma ideia identitária em desempenho concreto, consolidando o clube na Serie A em um dos períodos mais difíceis e competitivos do calcio.

O estilo de jogo associado a Cagni era sustentado por uma zona mista disciplinada, com forte organização defensiva, leitura de espaços e adaptação constante ao adversário. Valorizava jogadores taticamente inteligentes, disciplinados, confiáveis e mentalmente resilientes, mais comprometidos com a função coletiva do que com brilho individual. Neste save, essa herança conceitual será retomada por Alessandro Cagni (ilustrado abaixo pela IA), filho fictício de Gigi, criado como representação direta da continuidade desse método. 

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  • Serie D: 4º colocado (Girone D)
  • Coppa Italia Serie D: Eliminado na 4ª Eliminatória (vs Chievo Verona)

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  • Serie D: A iniciar...
  • Coppa Italia Serie D: A iniciar...
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Em nítido contraste com os anos áureos vividos na elite do futebol italiano, o Piacenza hoje carrega o status de clube semi-profissional, consequência direta de sua presença no quarto escalão do Calcio. A equipe manda seus jogos no Estádio Leonardo Garilli, que carrega no nome uma homenagem ao presidente que esteve à frente do clube por longos anos, inclusive durante a emblemática fase do time “tutto italiano”, que foi uma iniciativa sua. Apesar de sua capacidade original superar os 21 mil lugares, apenas pouco menos de 9 mil estão atualmente disponíveis ao público.

Fora das quatro linhas, o cenário é igualmente modesto. As estruturas de treino são avaliadas como medianas, enquanto as instalações destinadas às categorias de base são consideradas razoáveis, com recrutamento de nível básico.

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Os principais rivais do Piacenza são a Cremonese, com quem disputa o Derby del Po, nome que remete ao rio Pó, que divide geograficamente as duas cidades, e o Parma, adversário no Derby del Ducato. O clube também mantém uma rivalidade histórica com o Milan, intensificada durante seus anos na Serie A, além de um antagonismo regional com a Reggiana, motivado pela proximidade geográfica e por confrontos recorrentes em divisões inferiores. Outros clubes como Pavia, Torino, Napoli, Mantova e Vicenza completam o histórico de rivalidades em menor escala.

O clube mantém parcerias ativas com sete equipes, das quais o Piacenza possui prioridade na contratação de jogadores e, em alguns casos, a possibilidade de enviar atletas por empréstimo. Ainda assim, por se tratarem majoritariamente de clubes bastante modestos, o retorno prático dessas parcerias é limitado. As exceções ficam por conta do Club Milano e do Oltrepò, que disputam a mesma divisão do Piacenza, enquanto as demais equipes encontram-se em níveis ainda mais baixos da pirâmide do futebol italiano.

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Financeiramente, o cenário é tão apertado quanto o esperado. Trata-se de um clube de dimensão claramente desproporcional à divisão que disputa, o que torna inevitável o desequilíbrio entre os gastos, muitas vezes feitos de forma quase desesperada para viabilizar a saída da Serie D, e a capacidade real de arrecadação em um contexto semi-profissional. Atualmente, a folha salarial do Piacenza gira em torno de 32 mil euros, sem qualquer margem para a contratação de reforços que precisem ser integralmente bancados pelos cofres do clube.

Ao final desta primeira temporada, será possível compreender com mais clareza a dinâmica financeira do Piacenza. Por ora, porém, as projeções são pouco animadoras, com o clube caminhando para encerrar o exercício 2025–26 com um prejuízo estimado em, no mínimo, 1,6 milhão de euros.

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O Piacenza possui um staff bastante qualificado para os padrões da Serie D, sendo considerado até mesmo numeroso pela diretoria, que já indica claramente a intenção de reduzi-lo. Normalmente, deixo a responsabilidade por contratar e renovar contratos da equipe técnica sob controle da própria diretoria, mas, considerando que a situação financeira do clube não é das melhores, ao menos neste início do save serei eu quem irá gerenciar esse ponto.

Um aspecto interessante é que parte do staff é formada por ex-jogadores com forte identificação com o Piacenza. O Diretor Técnico, por exemplo, é Antonio De Vitis, um dos principais nomes do time na era tutto italiano. Já o treinador adjunto é Andrea Lussardi, que iniciou sua carreira como jogador no Piacenza, teve o percurso interrompido por problemas físicos e, desde então, passou a trabalhar em comissões técnicas de diferentes clubes, sempre retornando ao Piacenza.

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Nesta temporada, o Piacenza disputará a Serie D pelo terceiro ano consecutivo, uma situação extremamente frustrante para um clube que, desde a refundação em 2012, vinha direcionando seus esforços para retornar à Serie B o mais rápido possível. O cenário atual, no entanto, indica que essa distância é hoje maior do que a torcida gostaria. Não por acaso, os adeptos exigem o acesso imediato, enquanto a diretoria adota uma postura mais apática, tratando a promoção como um objetivo não tão urgente, o que me parece totalmente incoerente.

No formato atual da Serie D, 162 equipes são divididas em nove grupos de 18 clubes, organizados por critérios geográficos, em sistema de todos contra todos. O campeão de cada grupo garante o acesso direto à Serie C e avança para o Poule Scudetto, que define o campeão geral da divisão. O Piacenza está inserido no Girone D, onde aparece como um dos favoritos à liderança, ao lado de Pistoiese e Desenzano Calvina, em uma chave que promete ser equilibrada e competitiva.

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O Piacenza também disputará a Coppa Italia Serie D, competição que reúne as mesmas 162 equipes da divisão em um sistema de mata-mata. Os confrontos são realizados em jogo único nas seis primeiras fases, com partidas de ida e volta apenas na semifinal e na final, caso o update esteja fielmente configurado. Ainda não está definido o adversário do clube na primeira fase do torneio, de toda forma, não pretendo gastar muita energia com essa competição.

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No plantel principal, há atualmente 18 jogadores à disposição, sendo três deles por empréstimo: o goleiro Emanuele Ribero (18 anos, cedido pelo Torino), o meia-ala David Lordkipanidze (24 anos, georgiano, cedido pelo Ravenna) e o centroavante Antonino Pino (24 anos, cedido pelo Follonica Gavorrano). Em relação aos estrangeiros, o elenco conta com três, onde dois deles têm contrato válido apenas até o final desta temporada, enquanto o veterano Anthony Taugourdeau (36 anos) ainda possui mais dois anos de vínculo. Vale lembrar que uma das premissas do save é a utilização exclusiva de jogadores italianos.

Em termos de profundidade, existem opções minimamente confiáveis para praticamente todas as posições, embora seja inevitável recorrer de forma significativa à base para completar o elenco que disputará a Serie D. O problema mais grave está no setor de marcação, onde apenas Taugourdeau atua de forma efetiva. Considerando que essa é uma posição central em qualquer esquema "à italiana", trata-se de uma fragilidade importante. Outra posição carente é a lateral esquerda, onde somente o jovem Lorenzo Zaffalon, atualmente no sub-20 do Piacenza por empréstimo junto à Atalanta, apresenta condições razoáveis de atuar.

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Do ponto de vista tático, para esta primeira temporada será difícil fugir de algo próximo a um 4-3-3 com volante defensivo e extremos, formação com a qual iniciarei os trabalhos. A partir dela, a ideia é ir moldando gradualmente o estilo de jogo do Piacenza ao longo da temporada. A seguir, está o “melhor 11” sugerido pelo treinador adjunto.

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Entre as referências individuais do atual elenco do Piacenza, o primeiro nome a se destacar é o zagueiro Jacopo Silva, de 33 anos. Extremamente identificado com o clube, ele passou a maior parte da carreira vestindo a camisa do Piacenza e, nos últimos anos, assumiu a braçadeira de capitão. Jacopo acompanhou de perto a decadência da instituição, tendo iniciado sua trajetória profissional justamente no período em que o clube enfrentava o processo de falência. Nesse sentido, acaba se tornando um símbolo claro do que o Piacenza é hoje.

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Do ponto de vista técnico, a principal referência do elenco é o ponta-direita Mattia Mustacchio, de 36 anos. Jogador com carreira construída majoritariamente na Serie B, acumulou passagens por clubes como Pro Vercelli, Ascoli, Vicenza, Varese, Perugia, Alessandria, entre outros. Agora, em reta final de carreira, Mustacchio busca seu último suspiro competitivo ao aceitar jogar pelo Piacenza na Serie D, um nível que nunca havia disputado anteriormente.

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Outro jogador de nível técnico relevante é o volante Anthony Taugourdeau, também de 36 anos. Apesar de francês, construiu praticamente toda a sua carreira no futebol italiano, atuando predominantemente por clubes da Serie C e da antiga Lega Pro. Esta, inclusive, é a sua segunda passagem pelo Piacenza. Infelizmente, o fato de não ser italiano entra em conflito direto com uma das premissas do save. Ainda assim, enquanto Taugourdeau tiver contrato vigente, não haverá alternativa a não ser utilizá-lo, o que, do ponto de vista esportivo, trata-se de uma vantagem considerável.

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Para encerrar esta primeira postagem, vale passar rapidamente pelas regras de escalação da Serie D, um fator limitador relevante que, se não for tratado com a devida atenção, pode gerar problemas e frustrações ao longo da temporada. As normas de inscrição do plantel são relativamente flexíveis, mas as exigências de utilização de jovens em campo impõem restrições práticas importantes na montagem da equipe.

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O principal ponto de atenção é a obrigatoriedade de manter três jogadores jovens sempre em campo, sendo ao menos um Sub-20, um Sub-19 e um Sub-18. Na prática, isso reduz significativamente a margem de manobra tática e exige planejamento constante, tanto na composição do elenco quanto nas escolhas de jogo. Em um contexto de Serie D, onde o elenco já é curto e a base passa a ser essencial, essa regra terá impacto direto nas decisões ao longo de toda a temporada.

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  • mfeitosa mudou o título para Piacenza Calcio 1919: "Raio-X do clube" (01/02)
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Gosto muito do desafio e do clube. Boa sorte.

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Opa. Bora acompanhar. Boa sorte!

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4 horas atrás, Cadete213 disse:

Gosto muito do desafio e do clube. Boa sorte.

2 horas atrás, twitch.tvstayheavy87 disse:

Opa. Bora acompanhar. Boa sorte!

Muito obrigado, meus amigos! Vamos adiante!

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Depois de ler alguns artigos sobre o estilo de Gigi Cagni e não encontrar descrições muito objetivas, optei por assistir aos melhores momentos de alguns jogos do Piacenza, especificamente da temporada 1993/94, que marcou a primeira participação do clube na Serie A em toda a sua história. Esses vídeos foram bastante elucidativos e deixaram claro que o Piacenza de Cagni apresentava um estilo de jogo fortemente baseado em transições rápidas, passes diretos e contra-ataques, buscando explorar os corredores laterais do campo por meio da movimentação dos atacantes, dos laterais e das chegadas dos meio-campistas.

A equipe demonstrava clara intenção de atacar os espaços vazios com velocidade e não hesitava em partir para o duelo individual quando surgia a oportunidade. Não por acaso, grande parte das jogadas ofensivas do Piacenza se originava pelos flancos, seja através de conduções em velocidade, seja por cruzamentos rápidos após a recuperação da posse. Também era recorrente observar os meio-campistas, especialmente os internos, se aproximando da área adversária para arriscar finalizações de média distância. Tratava-se de um time que, quando tinha a bola, demonstrava extrema urgência em progredir e concluir as jogadas, priorizando finalizações rápidas em detrimento de uma circulação mais longa e paciente da posse.

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Do ponto de vista defensivo, apesar de adotar um modelo reativo, o Piacenza não se limitava a esperar o adversário de forma passiva. A equipe apresentava um comportamento agressivo nos duelos, com atacantes e meio-campistas pressionando o portador da bola sempre que surgiam gatilhos favoráveis, resultando em um estilo de desarme intenso e físico. Ao mesmo tempo, era um time capaz de se reorganizar rapidamente após perder a bola, mantendo um bom número de jogadores atrás da linha da bola e exigindo elevados níveis de esforço físico, disciplina tática e concentração. Sem grandes estrelas, o Piacenza de 1993/94 se caracterizava por um perfil claramente operário, no qual a entrega coletiva compensava as limitações técnicas individuais.

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Se vamos nos inspirar no estilo de jogo de Gigi Cagni para comandar o Piacenza, precisamos entender também alguns conceitos básicos e premissas da zona mista. Também chamada de gioco all’italiana (ou "jogo à italiana"), a zona mista é um estilo tático que combina marcação individual com defesa a zona, priorizando transições rápidas entre defesa e ataque.

A Zona Mista pode ser considerada uma evolução ofensiva do catenaccio, incorporando elementos do futebol total holandês como trocas de posição e pressing seletivo. Ainda assim, sua atribuição numérica a cada jogador era influenciada pelo futebol britânico, no qual a cada função específica correspondia um número fixo de um a onze. Isso ocorre apesar de ser característica da zona mista a constante troca de posições e de funções entre os jogadores de linha. Segue abaixo a representação clássica de como os jogadores se posicionavam originalmente em campo.

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Trazendo esse conceito para o time de Gigi Cagni, percebe-se que o Piacenza de 1993/94 era bastante inspirado no desenho clássico da Zona Mista. O sistema era estruturado de forma assimétrica e funcional, conforme detalhado abaixo:

  • A Retaguarda: Settimio Lucci (6) atuava como o Libero, posicionado atrás da linha defensiva para organizar o jogo e realizar coberturas. À sua frente, Maccoppi (5) exercia a função de Stopper (marcador central) e Polonia (2) servia como o Marcatore Puro pelo lado direito, ambos sempre buscando antecipar as jogadas do ataque adversário.
  • As Alas e a Compensação: A dinâmica das laterais era o motor do esquema. Carannante (3) era o Terzino Fluidificante, avançando constantemente pelo corredor esquerdo. Para equilibrar essa subida, Turrini (7) atuava como o Ala Tornante na direita, recuando para recompor o sistema defensivo quando necessário, mas tinha liberdado para avançar até a linha de fundo adversária, enquanto Carannante geralmente subia até o meio-campo, já que Piovani (11) conseguia preencher o espaço no flanco esquerdo ofensivo.
  • O Eixo Central: O meio-campo contava com a proteção de Suppa (4), um Mediano clássico (volante) e a movimentação de Papais (8), fazendo as vezes de Mezzala, permitindo que Moretti (10) operasse como o Regista (ou Playmaker), sendo o principal articulador da equipe.
  • O Ataque: A frente de ataque seguia a lógica de dupla clássica, com Piovani (11) atuando como a Seconda Punta (atacante de mobilidade e criação) e De Vitis (9) posicionado como a Prima Punta, o centroavante de referência para as conclusões.

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Essa organização permitia ao Piacenza manter uma defesa sólida e difícil de ser batida, sem abrir mão de jogadas ofensivas coordenadas, refletindo com precisão os princípios táticos do futebol italiano daquela época.

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Trazendo a minha interpretação desse esquema para dentro do FM, obviamente de forma bastante simplificada, iniciei o trabalho no Piacenza a partir de um 3-5-2. A assimetria do modelo fica mais evidente com a posse de bola, enquanto, sem ela, a equipe praticamente se transforma em um 5-3-2 pragmático.

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Com a posse, o Piacenza se organiza com dois zagueiros, um pela esquerda e outro pela direita, ambos como Defesa Central, garantindo proteção em situações de contra-ataque, além de um Médio Defensivo que também participa dessa cobertura. A construção pode partir do zagueiro central, que assume um papel de líbero como Central Projetado, com liberdade para avançar até a zona do MD e distribuir o jogo, sobretudo com ligações diretas para os flancos. Neles, temos um Ala pela esquerda e um Médio Ala pela direita, este com maior liberdade para chegar à linha de fundo, à maneira do que fazia Turrini em 1993/94.

No meio-campo, pela esquerda há algo próximo a uma Mezzala como Construtor de Jogo Avançado, responsável por atacar os espaços entre linhas, enquanto pela direita atua um clássico Médio de Construção, na prática um “Regista”, com total liberdade para pensar o jogo e distribuir a bola. No ataque, um Avançado Recuado explora espaços vazios e recebe a instrução de “movimentar-se nos espaços vazios”, como fazia Piovani, enquanto um Avançado cumpre o papel de um 9 clássico.

Em termos de instruções coletivas, venho mantendo uma mentalidade “Cautelosa”, com passes mais diretos, ritmo bastante elevado, menor frequência de perder tempo e transições ofensivas focadas no contra-ataque, marcas daquele Piacenza. Também optei por maior largura no terço ofensivo, garantindo opções constantes pelos flancos.

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Sem a posse de bola, o time adota pressão alta, porém, com linha defensiva mais recuada e comportamento de baixar linhas, trabalhando sempre para reagrupar a defesa quando a bola é perdida, sem esquecer dos desarmes agressivos, que também era marca do Piacenza de Cagni.

Nessa fase, o líbero se transforma em um Central de Cobertura, ao lado de dois Centrais de Antecipação, com dois Alas de Contenção nas laterais e um Médio Defensivo Recuado à frente da defesa. A Mezzala passa a cobrir os corredores laterais na linha do meio-campo, enquanto o Regista atua como Médio Centro, pronto para comandar os contra-ataques. No ataque, pensando ainda nessa transição, optei por um Avançado de Ligação e um Avançado de Desmarcação.

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Sem margem na folha salarial para investir em jogadores em definitivo, a opção foi buscar jovens por empréstimo, matando dois coelhos com uma cajadada só: ganhar maior profundidade de elenco e ampliar as opções de escalação dentro das regras da Serie D. Nessa toada, o primeiro a chegar foi o mediano Christian Frangella, de 18 anos, cedido pelo Sassuolo, que arcará integralmente com o seu salário.

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No entanto, esse foi o único negócio nesse modelo que consegui fechar neste início de temporada, já que, em todos os outros casos, eu teria de assumir salários que fariam muito mais sentido se direcionados à busca por jogadores livres. E foi o que fiz. Apostei na contratação do veterano Gianmarco Zigoni, de 34 anos, que disputará a Serie D do Calcio pela primeira vez, após passagens por clubes como SPAL, Venezia, Lecce e Avellino.

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Seguindo à risca os amistosos programados pela comissão técnica, iniciamos a pré-temporada com uma partida protocolar diante do modesto Adria, da 4ª Divisão da Eslovênia, um time formado apenas por jogadores “cinza”. Vitória tranquila, na qual foquei apenas em dar ritmo a alguns titulares. Na sequência, veio aquele que tinha tudo para ser o jogo mais difícil da pré-temporada, contra a Sampdoria, que disputa a Serie B. O time encaixou muito bem nessa partida, conseguindo explorar os contra-ataques por meio de ligações diretas, de forma que alcançamos uma surpreendente vitória por 3 a 0.

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Contra o Livorno, que está na Serie C, tivemos uma atuação completamente oposta. Nada deu certo e acabamos derrotados por 1 a 0, placar que acabou sendo barato pelo nível de pressão que o Piacenza sofreu nesse jogo. Ainda enfrentamos o Caronnese, da Eccellenza, e o Mestre, que disputa a Serie D, e conseguimos duas vitórias bem apertadas, muito longe de encher os olhos deste manager.

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Apesar de esses amistosos de pré-temporada serem quase inúteis para se entender o nível real de futebol apresentado, servindo muito mais para adquirir ritmo de jogo, a verdade é que a sensação que ficou é a de que o esquema ainda terá de ser bastante trabalhado até funcionar de forma realmente consistente.

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  • mfeitosa mudou o título para Piacenza Calcio 1919: "Primeiros ajustes e testes" (03/02)
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Lembro-me vagamente dessa equipa...estou ficando velho. Acredito que este Mister tenha sucesso com o Piacenza.

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18 horas atrás, Cadete213 disse:

Lembro-me vagamente dessa equipa...estou ficando velho. Acredito que este Mister tenha sucesso com o Piacenza.

Somos dois! Hahaha! Também me lembro, da época desses cards:

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O Piacenza abriu a temporada dando um susto ao se complicar diante do modesto Francavilla Sinni, equipe cotada para brigar contra o rebaixamento no Girone H. Apesar do amplo domínio do time, que desperdiçou inúmeras chances de construir um placar confortável, o Piacenza precisou da sorte e da estrela do jovem goleiro Ribero, que defendeu um pênalti no início da segunda etapa e outros dois nas cobranças alternadas, após o empate sem gols no tempo regulamentar.

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Na fase seguinte, o Piacenza encarou o Villa Valle, que também dificultou bastante a vida do time biancorosso. O jogo acabou sendo resolvido em uma jogada de contra-ataque, aos 26', que resultou no gol do meia Mazzaglia.

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Em um clássico inusitado, que reuniu Chievo Verona e Piacenza em uma partida válida pela Coppa Italia Serie D, equipes que não se enfrentavam desde a Serie B 2007/08, o time piacentino acabou eliminado dentro de casa, após o Gialloblù inaugurar o marcador aos 28’ e se fechar completamente na defesa, frustrando o Piacenza, que foi derrotado por 1 a 0 e deu adeus à competição.

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Depois de estrear na Serie D 2025/26 com uma vitória difícil fora de casa sobre o Pro Palazzolo, e atravessar quatro rodadas sem marcar sequer um gol, com empates sem gols contra Sangiuliano, Correggese e Tuttocuoio, e derrota para o Sasso Marconi, o Piacenza deu um sinal de recuperação ao vencer o então líder Sant’Angelo por 2 a 0, com gols de D’Agostino e Trombetta.

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Após um início nebuloso na Serie D, o Piacenza reagiu e somou 10 dos 12 pontos disputados em outubro, aproximando-se um pouco mais dos líderes do Girone D. A equipe manteve grande consistência defensiva dentro do seu esquema e, ao mesmo tempo, apresentou uma leve melhora no rendimento ofensivo, garantindo vitórias sobre Imolese, Crema e Tropical Coriano, então líder da competição, resultados intercalados pelo empate sem gols contra o Pro Sesto.

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Depois de viver seu melhor momento em outubro, apesar da eliminação na Coppa Italia Serie D, o Piacenza entrou em um período de crise interna, com jogadores reivindicando titularidade, outros indo para o DM, algo que se refletiu claramente dentro de campo nesta reta final do primeiro turno.

A equipe tropeçou em casa contra o frágil Progresso e, mesmo após vencer a boa equipe do Pistoiese fora de casa, a situação desandou de vez nas quatro rodadas seguintes, quando o time acumulou derrotas para Cittadella, Lentigione e Rovato Vertovese, além de um empate com o Desenzano. Esses resultados empurraram o Piacenza para o meio da tabela. Para minimizar o impacto do momento, o time ainda fechou o turno com uma boa vitória sobre o Trevigliese, mas o cenário segue longe do ideal para Alessandro Cagni, que agora vive um período de extrema pressão no comando biancorosso.

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A vitória na última rodada fez o Piacenza recuperar algumas posições na tabela, mas a situação ainda é bastante preocupante. Considerando que o clube é um dos favoritos ao título do Girone D, ao lado do próprio Pistoiese, que também tenta se reerguer, a sétima colocação após 17 rodadas acende um sinal de alerta. Caso o Piacenza não volte para o returno com um comportamento diferente dentro e fora de campo, não será surpresa se o técnico Cagni acabar demitido.

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Apesar da temporada frustrante até aqui, vejo uma luz no fim do túnel. Defensivamente, o time tem funcionado muito bem e não sofreu gols em 12 das 20 partidas oficiais disputadas neste primeiro semestre de 2025/26. Isso se reflete diretamente nas médias do goleiro Ribero e do trio defensivo formado por Silva, Martinelli e Sbardella. No entanto, quando a situação desandou, mais especificamente em novembro, a equipe caiu bruscamente de rendimento, reflexo do descontentamento de alguns jogadores influentes do elenco, além de algumas lesões.

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Apesar de tudo, a minha sensação é de que o time tem atuado em nível aceitável, mas isso não vem se refletindo nos resultados. E, pelo visto, eu não estou ficando louco, já que os relatórios de análise do clube apontam um ótimo rendimento em praticamente todas as esferas.

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Um ponto que precisei ajustar no esquema tático do Piacenza foi a questão dos chutes de fora da área, uma marca do clube nos anos 90, mas que, na prática, não tem rendido bons frutos por aqui. De todos os gols marcados até o momento, apenas dois vieram de finalizações de longa distância, algo que não se justifica quando confrontado com o número de tentativas desse tipo ao longo das partidas.

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Em contrapartida, esse é justamente um tipo de gol que costumamos sofrer. O Piacenza tem sido uma equipe que protege relativamente bem a própria área, mas vem falhando ao permitir que os adversários arrisquem remates de longa distância com uma frequência acima do que eu gostaria. No entanto, o ponto que mais chamou a minha atenção é o número de gols sofridos logo após o retorno do intervalo. Esse tem sido um momento crítico da partida, em que o time cai bastante de atenção, mesmo após a conversa no vestiário, muitas vezes reforçando a necessidade de não se acomodar diante de um resultado positivo.

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  • mfeitosa mudou o título para Piacenza Calcio 1919: "Bom rendimento, maus resultados" (04/02)
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Começo complicado, ainda mais pelo time ser um dos candidatos ao título.

Creio que seja questão de tempo pro time ficar redondo e deve firmar pro 2º turno.

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A sorte não está com Cagni que vai acusando a pressão. Foi uma prestação positiva na Taça, onde cais na equipa surpresa do futebol italiano ali nos anos 2000 e poucos...grande Chievo Verona.

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Em 04/02/2026 em 22:53, twitch.tvstayheavy87 disse:

Começo complicado, ainda mais pelo time ser um dos candidatos ao título.

Creio que seja questão de tempo pro time ficar redondo e deve firmar pro 2º turno.

Bem sofrido, mas esse acaba sendo o preço de fazer um save dedicado a um estilo de jogo. Se eu fosse pelos caminhos mais usuais, talvez o time encaixasse um pouco mais fácil. Mas é ter convicção e seguir adiante. Valeu!

Em 05/02/2026 em 06:33, Cadete213 disse:

A sorte não está com Cagni que vai acusando a pressão. Foi uma prestação positiva na Taça, onde cais na equipa surpresa do futebol italiano ali nos anos 2000 e poucos...grande Chievo Verona.

É, dá para dizer que acusou pressão sim! A situação não anda das melhores para o lado do Cagni, mas vejo possibilidade de melhoras. Valeu, Cadete!

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Quem conhece a Serie D Italiana sabe que cumprir rigorosamente as regras de escalação rodada após rodada nem sempre é uma tarefa simples. Após enfrentar alguns contratempos no primeiro turno, o Piacenza decidiu buscar uma alternativa para o setor de marcação, capaz de substituir o francês Anthony Taugourdeau em determinadas partidas e, assim, ampliar a margem de manobra no elenco. Foi nesse contexto que o time acertou a chegada de Pietro Arnaboldi, mediano de apenas 17 anos, contratado por empréstimo junto ao Modena.

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Em busca de afastar a crise no clube, o Piacenza iniciou o segundo turno com atuações mais cautelosas. O time venceu o lanterna Crema com dificuldades e voltou a surpreender o então líder Tropical Coriano, pela segunda vez na temporada, ao conquistar uma vitória por 2 a 1. No entanto, o cenário começou a se complicar com as lesões do artilheiro Trombetta, que passou a desfalcar a equipe a partir do empate contra o Sanguliano, e do goleiro Ribero, fora desde a derrota para o Pro Palazzolo. A partir daí, o Piacenza enfrentou seu pior momento no campeonato, agravado pelo empate diante do Cittadella e pela derrota para o Desenzano.

Com a equipe novamente arremessada ao meio da tabela, o técnico Alessandro Cagni foi chamado para uma reunião de emergência com o presidente Marco Polenghi. Impaciente com os resultados, o mandatário ainda assim optou por conceder um voto de confiança ao comandante biancorosso. Coincidentemente, esse momento marcou o retorno de Trombetta aos gramados, dando início a uma reação simbolizada pela vitória por 2 a 0 sobre o Lentigione.

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Já com menos desfalques relevantes, o Piacenza viveu um período de relativa tranquilidade ao longo do mês de março, onde o empate desastroso por 3 a 3 contra o frágil Imolese não passou de um susto isolado. Na sequência, a equipe emendou quatro vitórias consecutivas, sua melhor marca na temporada, impulsionada por um Trombetta em fase inspiradíssima, autor de sete gols nos confrontos contra Pro Sesto, Sant’Angelo, Correggese e Progresso. Apesar da arrancada em termos de desempenho e pontuação, os resultados pouco alteraram o panorama na tabela, com o Piacenza ainda observando à distância o pelotão de frente do Girone D.

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A tentativa de aproximação voltou a ser interrompida com uma atuação irreconhecível diante da Pistoiese, dentro de casa. Os números da partida foram assombrosos: apenas 24% de posse de bola e nenhuma vantagem em termos de ímpeto de jogo ao longo dos 90 minutos. Ainda assim, a equipe demonstrou resiliência e respondeu prontamente, repetindo a sequência de quatro vitórias consecutivas na reta final da competição. Mal sabia Cagni que os pontos conquistados diante de Sasso Marconi, Tuttocuoio, Rovato Vertovese e Trevigliese teriam um peso decisivo para a continuidade do projeto no Piacenza.

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Apesar de ter conquistado 80% dos pontos disputados entre março e maio, a arrancada do Piacenza não foi suficiente para compensar os maus resultados acumulados ao longo do restante da temporada. A expectativa da torcida era a conquista do Girone D, que garantiria o acesso à Serie C, objetivo que terminou a cinco pontos de distância. Já a diretoria estipulava, no mínimo, a segunda colocação da chave, meta que igualmente não foi alcançada. Esse contexto fez com que, até a penúltima rodada, a demissão de Alessandro Cagni parecesse iminente, com a insatisfação se espalhando por todos os setores do clube.

No entanto, de forma surpreendente, o desfecho foi marcado por um reconhecimento do esforço apresentado na reta final da Serie D. Adotando uma visão de “copo meio cheio”, tanto a diretoria quanto a torcida do Piacenza mostraram-se conformadas com a quarta colocação final, especialmente se considerado que, no auge da crise, a equipe chegou a ocupar a nona posição. Esse entendimento acabou pavimentando o caminho para a renovação de Cagni para a temporada 2026/27.

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Ao iniciar um desafio sustentado por um estilo de jogo que não domino plenamente, justamente em um clube pressionado por resultados imediatos e ansioso por retornar às divisões superiores do futebol italiano, era natural imaginar que esta primeira temporada teria como objetivo central garantir a sobrevivência de Alessandro Cagni no cargo. Em diversos momentos, confesso que tive a sensação de já não haver muito o que fazer para reerguer uma equipe mergulhada em um racha interno no elenco e assolada por lesões recorrentes de jogadores importantes.

Cheguei, inclusive, a tentar uma segunda leitura do “estilo Cagni” de montar o Piacenza, abandonando o esquema com três zagueiros em favor de uma linha de quatro mais tradicional, justamente no período mais nebuloso do mês de janeiro. Rapidamente, porém, ficou claro que essa não seria a chave para recolocar o time nos trilhos. Ao recuperar minhas convicções, optei por retornar à formação original, aproveitando o retorno de Trombetta e Ribero do departamento médico, além do voto de confiança concedido pelo presidente Polenghi. Foi a partir daí que a equipe viveu seu melhor momento na temporada, infelizmente, tarde demais para que o objetivo do acesso fosse alcançado.

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Ainda assim, o meu principal objetivo traçado para a temporada acabou sendo cumprido, que foi a permanência no cargo. Alessandro Cagni teve seu contrato renovado por mais um ano, mantendo os mesmos termos salariais, com uma cláusula de extensão automática por mais uma temporada em caso de promoção, meta que passa a ser o grande foco e ambição inadiável para 2026/27.

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Sem perder muito tempo, e já com o planejamento de 2026/27 em mente, iniciei uma análise detalhada do atual plantel do Piacenza. Para facilitar o entendimento e embasar melhor as decisões, optei por dividir os jogadores em grupos de interesse. Mas, em resumo, praticamente a metade (ou mais) do elenco deve deixar o clube.

GRUPO 1 - TITULARES

A ideia inicial é manter a base titular da temporada recém-encerrada, embora nem todos devam permanecer. O lateral-esquerdo Lorenzo Zaffalon, o volante Christian Frangella e o meia Giuseppe Mazzaglia, atuaram por empréstimo, e Atalanta, Sassuolo e Como, respectivamente, não demonstraram interesse em renovar os vínculos. Por outro lado, o goleiro Emanuele Ribero, também emprestado, junto ao Torino, encontra-se em final de contrato com seu clube de origem e já sinalizou positivamente para uma transferência em definitivo ao Piacenza.

Os demais titulares possuem vínculo até 2027 ou demonstram clara vontade de permanecer, inclusive com alguns se mostrando dispostos a aceitar salários inferiores aos atuais, o que facilita o planejamento financeiro do clube.

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GRUPO 2 - INSATISFEITOS

Atualmente, três jogadores encontram-se insatisfeitos no elenco: os meias Manuel Poledri e Simone Campagna, além do centroavante Gianmarco Zigoni. Felizmente, todos estão em final de contrato, o que torna a saída inevitável, encerrando um ciclo que já não fazia sentido esportivo ou internamente.

GRUPO 3 - OUTROS

Entre os nove jogadores restantes, três também estão encerrando seus períodos de empréstimo: o volante Pietro Arnaboldi (Modena), o atacante Antonino Pino (Follonica Gavorrano) e o meia georgiano David Lordkipanidze (Ravenna). Desses, apenas Arnaboldi despertava algum interesse em permanência, embora, ao que tudo indica, isso dificilmente se concretizará.

Os demais casos são mais diretos: o goleiro albanês Leonard Kolgecaj, o meia Tommaso Putzolu e o atacante Michele Garnero não fazem parte dos planos e deixarão o clube. Em contrapartida, o zagueiro Leonardo Cabri e o ala-direito Gabriele Ciuffo já encaminharam suas renovações por mais uma temporada. Fecha a lista o ponta Christian Bianchetti, que ainda possui mais um ano de contrato, mas não se encaixa no modelo tático adotado e, portanto, também não faz parte dos planos para a próxima temporada.

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A temporada 2026/27 começou com algumas surpresas no Piacenza, a principal delas sendo a aposentadoria de dois jogadores que, apesar de veteranos, ainda tinham contrato válido para a disputa da Serie D. O ala-direito Mattia Mustacchio, provavelmente o atleta mais regular da última temporada, pendurou as chuteiras, assim como o volante francês Anthony Taugourdeau, que, embora fugisse do conceito “tutto italiano” do save, teve papel importante ao assumir uma função de liderança dentro de um elenco marcado por rachas internos.

O impacto dessas aposentadorias é duplo. Pelo lado negativo, a reposição de dois jogadores com nível acima da média da divisão se mostra um desafio considerável. Em contrapartida, o cenário abre espaço para um rejuvenescimento mais profundo do plantel, algo essencial diante das regras da Serie D e, sobretudo, cria a oportunidade de, já na segunda temporada do save, montar um elenco inteiramente italiano, um passo simbólico para o save.

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Na sequência, veio a segunda surpresa da pré-temporada, que foi o anúncio de que o clube passaria a operar em regime profissional, mesmo sem ter conquistado o acesso à Serie C. Trata-se, a meu ver, de uma decisão extremamente prematura, sobretudo se considerado que nenhuma outra equipe da divisão adotou esse modelo, nem mesmo clubes tradicionais que hoje figuram na Serie D, como Chievo Verona, Siena, SPAL e Triestina.

A decisão da diretoria piacentina também entra em choque com as próprias expectativas estabelecidas para a temporada. Em 2025/26, a exigência mínima era a segunda colocação. Agora, para 2026/27, o discurso oficial aponta conformismo com um quarto lugar. Em outras palavras, uma campanha duramente criticada na temporada anterior passaria, de repente, a ser considerada aceitável. Independentemente desse cenário e das mensagens contraditórias vindas de cima, minha meta pessoal permanece em conquistar o acesso e recolocar o Piacenza na Serie C.

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Como já havia sido antecipado na última atualização, as mudanças no elenco do Piacenza para a temporada 2026/27 seriam numerosas, algo que acabou sendo ainda mais intensificado pelas aposentadorias de Mustacchio e Taugourdeau. Nesse contexto, o clube promoveu uma reformulação profunda, trazendo nada menos do que onze novos jogadores, sendo sete em definitivo e quatro por empréstimo.

A reformulação começou pelo setor defensivo. Para a zaga, chegou Matteo Bachini, de 31 anos, que atuava como reserva de confiança no Potenza, da Serie C. No Piacenza, Bachini desembarca com status elevado, sendo tratado internamente como o principal jogador do elenco biancorosso. Pelas alas, o clube apostou em Matteo Saccani, de 25 anos, vindo do Dolomiti Bellunesi, onde teve poucas oportunidades na última Serie C, e no promissor Simone Suppa, de apenas 18 anos, contratado por empréstimo junto ao Renate.

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O setor de marcação passou por uma reformulação completa, com a chegada de quatro novos nomes. Em definitivo, o Piacenza contratou Stefano Mazzaroppi, de 22 anos, ex-Heraclea, e Emanuele Spinozzi, de 28, que vinha de duas temporadas consecutivas no Atletico Lodigiani. Por empréstimo, chegaram os jovens Giacomo Maucci, de 19 anos, cedido pelo Pisa, e Cristian Bagordo, de 18, vindo do Empoli, já pensando no cumprimento das regras da Serie D.

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No meio-campo ofensivo, as mudanças também foram significativas. Ao todo, três jogadores chegaram para o setor de criação, com destaque para o promissor Matteo Papaccioli, de 18 anos, emprestado pelo Como. Em definitivo, o clube apostou na experiência de Giovanni Terrani, de 31 anos, que vinha de uma temporada espetacular pelo Vigevano, na Eccellenza, acumulando 16 gols e 15 assistências em 34 partidas, além do veterano Cristian Pasquato, de 37 anos, que atuava como titular no Campodarsego, também da Serie D.

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Fechando a lista de reforços, o Piacenza anunciou a contratação do centroavante Filippo Gheza, de 23 anos. Vinculado ao Pro Vercelli nas últimas seis temporadas, mas com poucas oportunidades nesse período, Gheza chega para ser uma opção imediata no elenco e atuar como sombra de Trombetta, artilheiro do clube na temporada 2025/26.

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Apesar de ter pesado a mão no mercado de transferências, o Piacenza não deixou de lado o cuidado com seus valores emergentes nas categorias de base. Da última fornada promovida ao clube, optei por integrar imediatamente ao elenco principal os dois jogadores que considerei mais preparados para aproveitar eventuais oportunidades ao longo da temporada: o goleiro Francesco Giovinazzo, de 15 anos, e o meia Luca Gramellini, também de 15.

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Pelo perfil do plantel montado, aproveitei para adaptar o esquema anterior a um 3-4-2-1. Com isso, perdemos a assimetria utilizada em outros momentos, embora, na prática, os jogadores ainda tenham liberdade para ocupar diferentes faixas do campo ao longo da partida. A ideia se aproxima bastante do Piacenza de Gigi Cagni, com apenas um jogador fixo dentro da área, mas com forte apoio dos meias, que têm liberdade tanto para abrir o jogo pelos flancos quanto para infiltrar na área em busca da finalização ou do último passe.

Por outro lado, um dos principais pilares dos esquemas de Cagni, que são os contra-ataques puxados pelos dois terzini (alas), segue sendo a principal válvula de escape ofensiva do Piacenza. Ao mesmo tempo, a solidez defensiva permanece como marca registrada do time, sustentada por dois medianos à frente de uma linha com três zagueiros, garantindo proteção constante ao setor defensivo.

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Com tantas modificações no plantel, o foco da pré-temporada esteve muito mais no entrosamento do novo onze inicial do Piacenza do que propriamente nos resultados. Ainda assim, o desempenho geral acabou sendo bastante positivo. A equipe iniciou a preparação com uma goleada por 4 a 0 sobre o Seregno, fora de casa, em uma atuação de destaque de Papaccioli, emprestado pelo Como, que anotou um hat-trick. Na sequência, veio a vitória por 2 a 0 diante do Vigor Senigallia, em um jogo que, apesar do placar, exigiu bastante do Piacenza.

O terceiro teste marcou o reencontro com a Sampdoria, ainda disputando a Serie B. Mais uma vez, o Piacenza levou a melhor, vencendo por 1 a 0, com gol de Zaffalon e uma atuação de pleno controle ao longo da partida. Contra o Chieri, optei por iniciar com uma formação bastante alternativa, o que acabou cobrando seu preço. Sofremos um gol ainda no primeiro terço do jogo e, mesmo com a entrada de vários titulares ao longo da partida, não foi possível sequer buscar o empate.

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Fechando a pré-temporada, tivemos a oportunidade de enfrentar o Bellinzona, equipe da segunda divisão suíça, e vencemos por 3 a 1 em um duelo franco, equilibrado e de ótimo nível competitivo. Um verdadeiro jogaço, que serviu como um teste final bastante animador antes do início oficial da temporada.

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