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Piacenza Calcio 1919: "Raio-X do clube" (01/02)


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O futebol italiano é um terreno fértil para tragédias esportivas. Todos os anos, quase como um ritual, um clube tradicional cai em desgraça, seja por rebaixamentos administrativos, falências, refundações ou pontos retirados. Não importa o tamanho do escudo ou o peso da história. Na Itália, a ruína é sempre uma possibilidade concreta. É um campeonato onde a glória convive lado a lado com o colapso, e onde sobreviver já é, por si só, um feito.

O Piacenza não foge a essa regra. O clube já quebrou, ressurgiu das cinzas, mudou de nome, de divisão e de rumo, mas nunca conseguiu reencontrar o caminho de volta às ligas principais. Desde a falência, tornou-se mais um símbolo de um futebol que insiste em existir apesar de tudo, preso entre a memória de dias melhores e a dura realidade das divisões inferiores. Aqui, tentaremos recolocar o Piacenza nos trilhos, porém, com base em algo que foi feito no passado.

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O Piacenza Football Club foi fundado em 1919 e, por grande parte do século XX, construiu uma trajetória típica do futebol italiano fora dos grandes centros: presença constante nas divisões intermediárias, identidade fortemente ligada à cidade e uma relação intensa com seu território. Situado na Emilia-Romagna, região tradicionalmente apaixonada por futebol, o clube sempre representou uma alternativa popular aos gigantes regionais, sustentando-se mais pela continuidade do que por ambições grandiosas.

O período mais marcante da história do Piacenza ocorreu na década de 1990, quando o clube alcançou a Serie A e se tornou símbolo de organização e pragmatismo. Entre idas e vindas, conseguiu disputar a elite por várias temporadas, notabilizando-se por elencos exclusivamente italianos e por campanhas baseadas em disciplina tática e sobrevivência esportiva. Nunca foi um protagonista do campeonato, mas consolidou-se como um adversário respeitado, capaz de incomodar clubes muito maiores.

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Em termos esportivos, o Piacenza registra como principais feitos as campanhas na Serie A entre 1993 e 2003, com melhores colocações no meio da tabela e permanências conquistadas no limite. Soma ainda títulos de divisões inferiores, incluindo conquistas da Serie B e da Serie C, além de promoções decisivas que marcaram seus períodos de ascensão. São resultados que, embora modestos no panorama nacional, definem o auge competitivo do clube e estabelecem o patamar histórico que ele tenta, até hoje, voltar a alcançar.

Como ocorre com frequência no calcio, o declínio veio acompanhado de instabilidade financeira e administrativa. Após sucessivos rebaixamentos e dificuldades estruturais, o Piacenza declarou falência em 2012, encerrando formalmente a existência do clube original. A cidade, porém, recusou-se a perder seu futebol: a partir de uma nova entidade, o clube foi refundado como Piacenza Calcio 1919 e reinserido no sistema, reiniciando o percurso a partir das divisões inferiores.

Desde então, o clube vive um ciclo de reconstruções incompletas. Conseguiu retornar ao futebol profissional, alternando entre Serie D e Serie C, mas sem jamais recuperar a estabilidade esportiva e econômica necessária para mirar novamente a Serie B ou a elite. Rivalidades regionais, como as com Cremonese e Reggiana, mantiveram-se vivas, ainda que em palcos menores, reforçando a dimensão local de um clube que nunca deixou de representar sua cidade.

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Na primeira metade dos anos 90, enquanto o futebol europeu começava a abrir suas fronteiras e a Lei Bosman estava prestes a transformar o jogo em um mercado global de estrelas e mercenários, o Piacenza do presidente Leonardo Garilli decidiu seguir na direção oposta. Não por ideologia ou nostalgia, mas por necessidade. Diante de limitações financeiras evidentes, o clube emiliano encontrou na identidade nacional uma forma de competir. Em uma Serie A povoada por nomes como Batistuta, Bergkamp, Ronaldo e Weah, o Piacenza ergueu sua própria trincheira: um elenco composto exclusivamente por jogadores italianos.

Este save parte exatamente dessa premissa. O projeto esportivo do Piacenza será conduzido sob a lógica do "tutto italiano", priorizando exclusivamente jogadores italianos no elenco principal. O objetivo não é replicar artificialmente o passado, mas recriar um modelo de sobrevivência e competitividade baseado em identidade, continuidade e conhecimento profundo do mercado nacional:

  • O elenco principal deve ser formado apenas por jogadores de nacionalidade italiana, sem dupla nacionalidade.
  • Jogadores estrangeiros formados no clube poderão ser utilizados, porém, apenas como uma vitrine momentânea até serem negociados.
  • O clube pode contratar somente jogadores italianos que atuem no futebol italiano, ou estejam livres após passagem por um clube italiano.
  • Não há imposição tática obrigatória, mas o save buscará privilegiar princípios historicamente associados ao calcio: organização defensiva, equilíbrio coletivo, leitura de jogo e gestão de riscos. Estilos incompatíveis com a realidade do elenco e do projeto deverão ser evitados.

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Inserido em uma das regiões mais competitivas e fragmentadas da Itália, o Piacenza assume como missão não apenas sobreviver, mas se impor sobre rivais historicamente mais consolidados da Emilia-Romagna, como o Bologna, referência histórica e campeão nacional, o Parma, símbolo do auge europeu dos anos 1990, além de clubes tradicionais como Modena, Reggiana, SPAL, Sassuolo, Carpi e Cesena:

  • Consolidar o Piacenza nas divisões nacionais superiores, longe de riscos de rebaixamento;
  • Conquistar a Serie A, superando o peso histórico do títulos conquistados pelo Bologna;
  • Conquistar a Coppa Italia, entrando para a lista de campeões emilianos ao lado de Bologna e Parma;
  • Conquistar um título continental, superando o auge europeu do Parma.

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Se o Piacenza "tutto italiano" nasceu da visão do presidente Leonardo Garilli, a execução do projeto passou pelas mãos de Luigi "Gigi" Cagni. Cagni nunca foi um técnico renomado no sentido midiático, mas sempre foi respeitado no meio pela coerência do seu trabalho e pela capacidade de competir com recursos limitados. No Piacenza, teve uma passagem histórica ao transformar uma ideia identitária em desempenho concreto, consolidando o clube na Serie A em um dos períodos mais difíceis e competitivos do calcio.

O estilo de jogo associado a Cagni era sustentado por uma zona mista disciplinada, com forte organização defensiva, leitura de espaços e adaptação constante ao adversário. Valorizava jogadores taticamente inteligentes, disciplinados, confiáveis e mentalmente resilientes, mais comprometidos com a função coletiva do que com brilho individual. Neste save, essa herança conceitual será retomada por Alessandro Cagni (ilustrado abaixo pela IA), filho fictício de Gigi, criado como representação direta da continuidade desse método. 

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  • Serie D: A iniciar.
  • Coppa Italia Serie D: A iniciar.
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Em nítido contraste com os anos áureos vividos na elite do futebol italiano, o Piacenza hoje carrega o status de clube semi-profissional, consequência direta de sua presença no quarto escalão do Calcio. A equipe manda seus jogos no Estádio Leonardo Garilli, que carrega no nome uma homenagem ao presidente que esteve à frente do clube por longos anos, inclusive durante a emblemática fase do time “tutto italiano”, que foi uma iniciativa sua. Apesar de sua capacidade original superar os 21 mil lugares, apenas pouco menos de 9 mil estão atualmente disponíveis ao público.

Fora das quatro linhas, o cenário é igualmente modesto. As estruturas de treino são avaliadas como medianas, enquanto as instalações destinadas às categorias de base são consideradas razoáveis, com recrutamento de nível básico.

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Os principais rivais do Piacenza são a Cremonese, com quem disputa o Derby del Po, nome que remete ao rio Pó, que divide geograficamente as duas cidades, e o Parma, adversário no Derby del Ducato. O clube também mantém uma rivalidade histórica com o Milan, intensificada durante seus anos na Serie A, além de um antagonismo regional com a Reggiana, motivado pela proximidade geográfica e por confrontos recorrentes em divisões inferiores. Outros clubes como Pavia, Torino, Napoli, Mantova e Vicenza completam o histórico de rivalidades em menor escala.

O clube mantém parcerias ativas com sete equipes, das quais o Piacenza possui prioridade na contratação de jogadores e, em alguns casos, a possibilidade de enviar atletas por empréstimo. Ainda assim, por se tratarem majoritariamente de clubes bastante modestos, o retorno prático dessas parcerias é limitado. As exceções ficam por conta do Club Milano e do Oltrepò, que disputam a mesma divisão do Piacenza, enquanto as demais equipes encontram-se em níveis ainda mais baixos da pirâmide do futebol italiano.

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Financeiramente, o cenário é tão apertado quanto o esperado. Trata-se de um clube de dimensão claramente desproporcional à divisão que disputa, o que torna inevitável o desequilíbrio entre os gastos, muitas vezes feitos de forma quase desesperada para viabilizar a saída da Serie D, e a capacidade real de arrecadação em um contexto semi-profissional. Atualmente, a folha salarial do Piacenza gira em torno de 32 mil euros, sem qualquer margem para a contratação de reforços que precisem ser integralmente bancados pelos cofres do clube.

Ao final desta primeira temporada, será possível compreender com mais clareza a dinâmica financeira do Piacenza. Por ora, porém, as projeções são pouco animadoras, com o clube caminhando para encerrar o exercício 2025–26 com um prejuízo estimado em, no mínimo, 1,6 milhão de euros.

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O Piacenza possui um staff bastante qualificado para os padrões da Serie D, sendo considerado até mesmo numeroso pela diretoria, que já indica claramente a intenção de reduzi-lo. Normalmente, deixo a responsabilidade por contratar e renovar contratos da equipe técnica sob controle da própria diretoria, mas, considerando que a situação financeira do clube não é das melhores, ao menos neste início do save serei eu quem irá gerenciar esse ponto.

Um aspecto interessante é que parte do staff é formada por ex-jogadores com forte identificação com o Piacenza. O Diretor Técnico, por exemplo, é Antonio De Vitis, um dos principais nomes do time na era tutto italiano. Já o treinador adjunto é Andrea Lussardi, que iniciou sua carreira como jogador no Piacenza, teve o percurso interrompido por problemas físicos e, desde então, passou a trabalhar em comissões técnicas de diferentes clubes, sempre retornando ao Piacenza.

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Nesta temporada, o Piacenza disputará a Serie D pelo terceiro ano consecutivo, uma situação extremamente frustrante para um clube que, desde a refundação em 2012, vinha direcionando seus esforços para retornar à Serie B o mais rápido possível. O cenário atual, no entanto, indica que essa distância é hoje maior do que a torcida gostaria. Não por acaso, os adeptos exigem o acesso imediato, enquanto a diretoria adota uma postura mais apática, tratando a promoção como um objetivo não tão urgente, o que me parece totalmente incoerente.

No formato atual da Serie D, 162 equipes são divididas em nove grupos de 18 clubes, organizados por critérios geográficos, em sistema de todos contra todos. O campeão de cada grupo garante o acesso direto à Serie C e avança para o Poule Scudetto, que define o campeão geral da divisão. O Piacenza está inserido no Girone D, onde aparece como um dos favoritos à liderança, ao lado de Pistoiese e Desenzano Calvina, em uma chave que promete ser equilibrada e competitiva.

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O Piacenza também disputará a Coppa Italia Serie D, competição que reúne as mesmas 162 equipes da divisão em um sistema de mata-mata. Os confrontos são realizados em jogo único nas seis primeiras fases, com partidas de ida e volta apenas na semifinal e na final, caso o update esteja fielmente configurado. Ainda não está definido o adversário do clube na primeira fase do torneio, de toda forma, não pretendo gastar muita energia com essa competição.

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No plantel principal, há atualmente 18 jogadores à disposição, sendo três deles por empréstimo: o goleiro Emanuele Ribero (18 anos, cedido pelo Torino), o meia-ala David Lordkipanidze (24 anos, georgiano, cedido pelo Ravenna) e o centroavante Antonino Pino (24 anos, cedido pelo Follonica Gavorrano). Em relação aos estrangeiros, o elenco conta com três, onde dois deles têm contrato válido apenas até o final desta temporada, enquanto o veterano Anthony Taugourdeau (36 anos) ainda possui mais dois anos de vínculo. Vale lembrar que uma das premissas do save é a utilização exclusiva de jogadores italianos.

Em termos de profundidade, existem opções minimamente confiáveis para praticamente todas as posições, embora seja inevitável recorrer de forma significativa à base para completar o elenco que disputará a Serie D. O problema mais grave está no setor de marcação, onde apenas Taugourdeau atua de forma efetiva. Considerando que essa é uma posição central em qualquer esquema "à italiana", trata-se de uma fragilidade importante. Outra posição carente é a lateral esquerda, onde somente o jovem Lorenzo Zaffalon, atualmente no sub-20 do Piacenza por empréstimo junto à Atalanta, apresenta condições razoáveis de atuar.

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Do ponto de vista tático, para esta primeira temporada será difícil fugir de algo próximo a um 4-3-3 com volante defensivo e extremos, formação com a qual iniciarei os trabalhos. A partir dela, a ideia é ir moldando gradualmente o estilo de jogo do Piacenza ao longo da temporada. A seguir, está o “melhor 11” sugerido pelo treinador adjunto.

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Entre as referências individuais do atual elenco do Piacenza, o primeiro nome a se destacar é o zagueiro Jacopo Silva, de 33 anos. Extremamente identificado com o clube, ele passou a maior parte da carreira vestindo a camisa do Piacenza e, nos últimos anos, assumiu a braçadeira de capitão. Jacopo acompanhou de perto a decadência da instituição, tendo iniciado sua trajetória profissional justamente no período em que o clube enfrentava o processo de falência. Nesse sentido, acaba se tornando um símbolo claro do que o Piacenza é hoje.

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Do ponto de vista técnico, a principal referência do elenco é o ponta-direita Mattia Mustacchio, de 36 anos. Jogador com carreira construída majoritariamente na Serie B, acumulou passagens por clubes como Pro Vercelli, Ascoli, Vicenza, Varese, Perugia, Alessandria, entre outros. Agora, em reta final de carreira, Mustacchio busca seu último suspiro competitivo ao aceitar jogar pelo Piacenza na Serie D, um nível que nunca havia disputado anteriormente.

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Outro jogador de nível técnico relevante é o volante Anthony Taugourdeau, também de 36 anos. Apesar de francês, construiu praticamente toda a sua carreira no futebol italiano, atuando predominantemente por clubes da Serie C e da antiga Lega Pro. Esta, inclusive, é a sua segunda passagem pelo Piacenza. Infelizmente, o fato de não ser italiano entra em conflito direto com uma das premissas do save. Ainda assim, enquanto Taugourdeau tiver contrato vigente, não haverá alternativa a não ser utilizá-lo, o que, do ponto de vista esportivo, trata-se de uma vantagem considerável.

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Para encerrar esta primeira postagem, vale passar rapidamente pelas regras de escalação da Serie D, um fator limitador relevante que, se não for tratado com a devida atenção, pode gerar problemas e frustrações ao longo da temporada. As normas de inscrição do plantel são relativamente flexíveis, mas as exigências de utilização de jovens em campo impõem restrições práticas importantes na montagem da equipe.

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O principal ponto de atenção é a obrigatoriedade de manter três jogadores jovens sempre em campo, sendo ao menos um Sub-20, um Sub-19 e um Sub-18. Na prática, isso reduz significativamente a margem de manobra tática e exige planejamento constante, tanto na composição do elenco quanto nas escolhas de jogo. Em um contexto de Serie D, onde o elenco já é curto e a base passa a ser essencial, essa regra terá impacto direto nas decisões ao longo de toda a temporada.

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  • mfeitosa mudou o título para Piacenza Calcio 1919: "Raio-X do clube" (01/02)
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Gosto muito do desafio e do clube. Boa sorte.

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