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The Handmaid's Tale — 4a temp.


Leho.
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  • General Director

Resultado de imagem para handmaids tale poster

(“O Conto da Aia”, em PT-BR)

Enredo:

Citar

Em um futuro próximo, as taxas de fertilidade caem em todo o mundo por conta da poluição e de doenças sexualmente transmissíveis. Em meio ao caos, o governo totalitário da República de Gileade, uma teonomia cristã, domina o que um dia foi o território dos Estados Unidos, em meio a uma guerra civil ainda em curso. A sociedade é organizada por líderes sedentos por poder ao longo de um regime novo, militarizado, hierárquico e fanático, com novas castas sociais, nas quais as mulheres são brutalmente subjugadas e, por lei, não têm permissão para trabalhar, possuir propriedades, controlar dinheiro ou até mesmo ler.

A infertilidade mundial resultou no recrutamento das poucas mulheres fecundas remanescentes em Gileade, chamadas de "aias" (Handmaid), de acordo com uma interpretação extremista dos contos bíblicos. Elas são designadas para as casas da elite governante, onde devem se submeter a estupros ritualizados com seus mestres masculinos para engravidar e ter filhos para aqueles homens e suas respectivas esposas.

via Wikipédia

 

Trailer (1a temporada):

.-.-.

Porra, eu podia jurar que já havia um tópico destacado pra ela, hahahah... fui procurar e não achei. Cá estou.

Senhores, que série lindíssima. Esteticamente falando. Tudo é minimamente orquestrado e organizado: enquadramento, posição dos móveis, figurino, combinação de cores, diálogos, puta que me pariu. Pra quem tem TOC essa série é um prato cheio eu diria, hahahaha! Não tem nada fora do lugar, e as tomadas de câmera de cima (frequentes nos episódios) mostram bem isso.

O enredo também não fica atrás. Apesar de um tema já saturado como é a distopia futurística, o mais foda aqui é como a subjugação feminina é elevada ao quadrado. Como o @Douglas. já comentou no outro tópico, essa série é pra quem tem estômago. Porque é uma porrada atrás da outra, e não tem refresco, não. Um ou outro episódio "pra encher linguiça" só, porque na maioria deles é a June (protagonista) sendo abusada fortemente (entre outras subtramas interessantes também).

Por fim e pra não me estender, o enredo em si ótimo mas é carregado mt também pela atuação já premiada da Elizabeth Moss, como June (ou Offred). A série é mt pica TAMBÉM pela atuação dela, impecável. Papel extremamente difícil, que ela dá conta inteiramente.

Acho que o @SilveiraGOD. iniciou ela há pouco, fica aqui meu veredito então pra ajudar na sua escolha de maratona aí hahah.

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Esse ai eu tô vendo a conta-gostas @Leho. hahahaha! Terminei o episódio 4 da primeira temporada hoje. Tô vendo devagar porque é muito bom e também porque é foda ver vários episódios direto, já que deixa o cara mal pra caralho hahaha!

Mas nesses 4 episódios o que mais chamou atenção foi a verossimilhança que eu sempre tive na cabeça sobre como o totalitarismo chegaria ao poder e até mesmo como ele seria organizado. É isso o que assusta um pouco porque olhar pra história, pro presente do Brasil e pro futuro, dá um receio. A gente vê que tem muito pensamento alinhado com essa obra ai. Dá pra ver discursos hoje em dia que se encaixam completamente dentro do contexto. Mostra bem o nível em que se chegou. Controle militar, cerceamento de liberdade de ir e vir, padronização de pensamento, doutrinação, forte incidência religiosa pra "ajudar"/"justificar" as barbáries do Estado, controle de informação, estamentos... tá tudo isso em certos discursos.

Acho que se eu tivesse visto essa série na época da faculdade em que tive Filosofia Jurídica, teria aproveitado bem mais hahaha!

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@SilveiraGOD.

 

 

Se não me engano, na primeira temporada só soltaram os 3 primeiros juntos, e os outros semanalmente, mesmo sendo streaming. O fato de serem episódios pesados pode ter entrado na conta que fizeram. De repente se o pessoal entrasse de cara tentando no binge, muita gente poderia se chocar e desistir. Mas como mantiveram isso pra segunda, pode ser apenas pra dar o tempo de criar discussões mesmo.

Quando acabar pelo menos a primeira temporada, já pode procurar umas entrevistas da Margaret falando sobre como ela pensou nas coisas. Todas as entrevistas dela são interessantes. A mais recente que li (sem spoilers) foi essa: https://observador.pt/2018/11/09/margaret-atwood-esteve-no-porto-falou-da-infancia-e-lembrou-nunca-me-disseram-que-nao-podia-ser-escritora/

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Realmente, série do caralho. Tanto de produção quanto de reflexão, de se pensar que se tratando de uma ficção é muito real.

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  • General Director
23 horas atrás, SilveiraGOD. disse:

(...)

[...] mais chamou atenção foi a verossimilhança que eu sempre tive na cabeça sobre como o Totalitarismo chegaria ao poder e até mesmo como ele seria organizado. É isso o que assusta um pouco porque olhar pra história, pro presente do Brasil e pro futuro, dá um receio. A gente vê que tem muito pensamento alinhado com essa obra aí. [...]

(...)

Sim sim, não comentei sobre esse ponto pra não deixar o primeiro post mt grande... mas com o passar da série, essa verossimilhança que você teve só aumenta, meu caro. Tudo é mt bem orquestrado, e a trama é inteligente o suficiente pra ir nos soltando algumas informações cruciais aos poucos, pra te deixar boquiaberto mesmo.

A questão do feminicídio que tá pipocando mundo afora e bastante aqui no Brasil é outro ponto ALINHADÍSSIMO com a crítica ácida da Margaret. Nunca uma série foi tão atual ao falar sobre esse tema e sobre essa "guerra entre gêneros" (depois você acaba descobrindo que não é bem assim dentro da distopia de Gileade, mas o tema tá lá).

Até nisso eu paguei um pau. Tá completamente atual os temas ali discutidos: Totalitarismo, abusos contra a mulher, escravagismo, abusos psicológicos, tudo.

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  • General Director
1 hora atrás, Buzzuh disse:

Religião...

Sim sim, religião também... embora eu veja a religião dentro do seriado mais como uma forma de opressão e controle social. Mas tá ali também dentro dos temas centrais.

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  • 4 weeks later...
  • 3 months later...
  • General Director

Senhores, voltou ontem (ou hoje, sei lá hahaha).

Pra quem quiser, deixo o trailer dessa 3a temporada, que promete ser a melhor delas:

 

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  • Leho. changed the title to The Handmaid's Tale — 3a temp.

Eu nem lembro se vi a segunda. kkk

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  • 3 weeks later...

Comecei a ver ontem e me pergunto por que demorei tanto. Ao mesmo tempo que dá vontade de assistir sem parar, também é foda porque cada episódio é um soco no estômago, tá louco.

Tá rolando a 3a temporada né?

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2 horas atrás, -Lucas disse:

Tá rolando a 3a temporada né?

Sim. A primeira é num ambiente mais focado. As outras têm um bocado de world-building.

 

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  • Leho. changed the title to The Handmaid's Tale — 4a temp.
  • General Director

Depois do hiato em 2020 (pandemia), a série retornou para a 4a temporada na última terça-feira (27). E já com 3 episódios lançados.

---

Acabei nem comentando aqui sobre a 3a temp: foi boa, mas poderia ter menos encheção de linguiça. Em determinados momentos se tornou cansativa a narrativa da June e sua jornada, e algumas sub-tramas também demoraram a afunilar pros acontecimentos-chave. Mas enfim, no geral manteve o alto nível da série.

 

Assisti a 2 EPs desse retorno agora, e gostei do ritmo. June pra variar se fodendo como se não houvesse amanhã aoieuhoauiehoiuaheoiuae!

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Cara, acho que nem continuei depois da primeira. Mas não foi por achar ruim não, é só o velho costume de acumular séries.

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  • General Director
3 hours ago, Lowko é Powko said:

Cara, acho que nem continuei depois da primeira. Mas não foi por achar ruim não, é só o velho costume de acumular séries.

É foda, acho que com a maioria acontece algo parecido hehe. Mas é uma baita série, não sei como tão seus horários no momento, mas eu se fosse você pegaria pra retomar. Vale a pena.

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  • General Director

Caralho, esse S04E03 foi uma parada ABSUUUUURRRDA! Esteticamente mt bem feito, lindíssimo, tá louco... e conseguiu fazer uma baita síntese do que é a série em si: melancólica, triste porém humanamente bela.

Vídeos | The Handmaid's Tale - S04E03 "The Crossing" - The Handmaid's Tale  Brasil

 

PICA!

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Eu gostei das temporadas até aqui mas o que tinha me desanimado um pouco na 3ª era que ainda não dava pra ver uma luz no fim do túnel. Agora ao menos temos alguma indicação que essa luz existe.

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  • 1 month later...

A patroa e eu começamos tem algumas semanas e achamos excelente, atualmente estamos no quarto episódio da atual temporada.

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  • General Director

Depois de enrolar pra caralho hahaha, acabei assistindo aos 2 últimos EPs dessa 4ª temporada. Muito boa!

Mudou-se os ambientes, personagens "antigos" retornaram ao protagonismo e a série soube continuar nos prendendo. Se na última temp. as mazelas da June foram excessivamente exploradas de forma cansativa até (na minha opinião), nessa aqui as discussões morais e suas reviravoltas ficaram melhores. Além, claro, de colocar a ex-Aia num outro contexto, com outras "armas" pra guerrear.

 

Não vi nada ainda sobre renovação, mas o SF deixa pontas abertas interessantes, principalmente com relação a Serena.

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1 hora atrás, Leho. disse:

Depois de enrolar pra caralho hahaha, acabei assistindo aos 2 últimos EPs dessa 4ª temporada. Muito boa!

Mudou-se os ambientes, personagens "antigos" retornaram ao protagonismo e a série soube continuar nos prendendo. Se na última temp. as mazelas da June foram excessivamente exploradas de forma cansativa até (na minha opinião), nessa aqui as discussões morais e suas reviravoltas ficaram melhores. Além, claro, de colocar a ex-Aia num outro contexto, com outras "armas" pra guerrear.

 

Não vi nada ainda sobre renovação, mas o SF deixa pontas abertas interessantes, principalmente com relação a Serena.

Acaba no 10 mesmo?

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Tinha uma conversa sobre a possibilidade de terminar na 4ª temporada mas antes dela estrear foi confirmada a 5ª. Resta agora saber se será a última. O Bruce Miller diz não saber ainda.

https://www.digitalspy.com/tv/ustv/a36594959/handmaids-tale-season-5-release-date/

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    • Douglas.
      By Douglas.
      BBC News Brasil
      Nos últimos anos, a BBC Culture, departamento da BBC dedicado às artes, tem conduzido um levantamento anual entre críticos de cinema, especialistas e personalidades da indústria cinematográfica do mundo todo para escolher os melhores filmes em alguma categoria específica.
      Você pode já ter visto a nossa lista de 100 melhores filmes dirigidos por mulheres, em 2019, e a nossa lista de 100 melhores filmes em línguas que não sejam o inglês, de 2018, entre outras.
      Entretanto, este ano pareceu ser o momento de nós dedicarmos nossa atenção a outra forma de arte: a televisão.
      Em parte porque a TV tem desempenhado um papel crucial nas nossas vidas nos últimos 18 meses, quando contamos tanto com a TV para informação, entretenimento, consolo e inspiração.
      Mas também pareceu o momento certo de fazer um levantamento sobre o cenário da televisão porque, provavelmente, essa foi a forma de arte mais marcante dos últimos 21 anos.
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      Embora a lista certamente não seja definitiva, as respostas que recebemos são fascinantes — e esperamos que inspirem os fãs de TV de toda parte para que tanto busquem novos títulos que ainda não tenham visto como discutam aqueles que já viram.
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      O resultado é uma lista que serve como uma clara demonstração do poder, da versatilidade e da inovação do meio televisivo nas últimas duas décadas — da saga provinciana de "Gilmore Girls" e da meta-comédia mordaz "Curb Your Enthusiasm", ambas lançadas sob a sombra imediata do novo milênio, em outubro de 2000, à mais recente da lista, "The Underground Railroad", adaptação transcendental de Barry Jenkins de um épico histórico alternativo, que saiu em maio de 2021.
      Ao mesmo tempo, enquanto a lista é bastante ampla considerando algumas métricas, há maneiras em que ela reflete algumas parcialidades significativas.
      Noventa e duas das 100 séries têm o inglês como sua língua principal, enquanto o dinamarquês, o sueco, o francês, o espanhol e o alemão estão entre as outras línguas incluídas.
      Além disso, 79 dos 100 programas foram criados por homens, e apenas 11 por mulheres, sendo que 10 são um esforço criativo combinado de homens e mulheres.
      Essas estatísticas tratam de desigualdades sistêmicas na indústria da TV: embora séries que não sejam inglês estejam atraindo cada vez mais espectadores mundo afora, e haja uma amplitude de vozes mais diversificada, em termos de raça, gênero e orientação sexual, no controle criativo, o cenário da TV ainda pode ter mudanças de formas crucial e inspiradora no futuro.
      Será certamente interessante ver quais resultados um levantamento semelhante terá daqui a cinco, dez ou 20 anos.
      Como sempre, a lista não foi pensada como um fim em si mesmo, mas meramente como um ponto de partida para descoberta, diálogo e debates.
      Você pode dizer o que achou usando a hashtag #TVOfTheCentury nas redes sociais da BBC News Brasil e da BBC Culture. Esperamos que fique tão inspirado e animado ao ler os resultados quanto nós ficamos.
      Em conjunto, eles oferecem como poucos não apenas uma celebração da TV, mas também uma visão da era moderna.
      1 - A Escuta (The Wire) (2002-2008)
      2 - Mad Men (2007-2015)
      3 - Breaking Bad (2008-2013)
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      5 - Game of Thrones (2011-2019)
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      10 - Succession (2018-)
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      31 - True Detective (2014-2019)
      32 - Arrested Development (2003-2019)
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      39 - The Office (versão americana) (2005-2013)
      40 - Borgen (2010-2022)
      41 - Schitt's Creek (2015-2020)
      42 - Peep Show (2003-2015)
      43 - Money Heist (La Casa de Papel) (2017-2021)
      44 - Community (2009-2015)
      45 - The Good Fight (2017-)
      46 - Homeland (2011-2020)
      47 - Grey's Anatomy (2005-)
      48 - Inside No 9 (2014-)
      49 - The Bureau (2015-)
      50 - Halt and Catch Fire (2014-2017)
      51 - Small Axe (2020)
      52 - This is England 86, 88 and 90 (2010-2015)
      53 - Call My Agent! (2015-2020)
      54 - Happy Valley (2014-)
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      96 - Catastrophe (2015-2019)
      97 - Hannibal (2013-2015)
      98 - Crazy Ex-Girlfriend (2015-2019)
      99 - Steven Universe (2013-2020)
      100 - O Gambito da Rainha (The Queen's Gambit) (2020)
      https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2021/10/bbc-escolhe-as-100-melhores-series-de-tv-do-seculo-21-confira-a-lista.shtml
    • Leho.
      By Leho.
      Por Pedro Henrique Ribeiro,
      21 de julho de 2021
      Você já fez terapia ou pelo menos se consultou com um psicólogo? Essa é uma prática muito boa que deveria se tornar hábito. Assim como algumas pessoas vão ao dentista duas vezes por ano, todos deveríamos reservar um tempinho para conversar com um psicólogo e organizar a mente. Isso serve para pessoas comuns, mas também para super-heróis. Nos últimos anos, ficou cada vez mais comum vermos super-humanos tentando resolver problemas que tinham dentro da cachola. Para isso, ou eles dão uma passadinha no “divã” da terapia, ou tentam botar a angústia para fora. Por causa disso, estamos perdendo aquela imagem de super-herói perfeito e invulnerável, e os estúdios estão investindo nessas narrativas para dar um ar de profundidade às histórias.
      “Nos primeiros 40 anos dos quadrinhos, uma narrativa mais simplificada dominou o mercado dos quadrinhos. Graças ao Stan Lee e seus quadrinhos da Marvel, o super-herói passou a ter uma vida pessoal, problemas psicológicos e se aproximar mais dos problemas do leitor. Esse modelo fez muito sucesso com as histórias do Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e Capitão América, e é reproduzido até hoje pela indústria”, explica o pesquisador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP, Waldomiro de Castro.
      Nas telinhas e telonas vemos vários heróis assumindo a importância de conversar, como o Utópico, em O Legado de Júpiter, e Bucky Barnes, em Falcão e Soldado Invernal”. Em WandaVision vemos a Feiticeira Escarlate cruzar as fases do luto após a morte de seu marido, Visão, em Vingadores: Guerra Infinita”. Em Watchmen – O Filme, o cruel Rorschach se consulta com um psiquiatra após ir para a prisão. Durante os testes – que dão nome ao personagem -, ele consegue identificar os próprios traumas, mas mente para não ser considerado doente.
      Rorschach se consulta com psiquiatra após ser preso em Watchmen. Imagem: Reprodução/Prime Video
      O professor e pesquisador de quadrinhos, Mario Marcello Neto, explica que muitos desses debates encontrados nas HQs fazem parte de um sentimento de dívida dos autores estadunidenses. “Essa geração pós-Guerra do Vietnã está muito imbuída em uma sociedade que tem muitas dívidas a pagar, seja com minorias ou com eles mesmos. Esse aparecimento do ‘divã’ nos contextos mais atuais, reflete um certo avanço no reconhecimento da importância da saúde mental. Porém, uma coisa que dita isso [ter ou não o divã] é o ritmo da história. Eu acho que se houver muito conflito pessoal, as pessoas saem do cinema. Eu não consigo ver uma cena como a consulta do Soldado Invernal acontecendo em um filme dos Vingadores, porque [o filme] é muito frenético”.
      Sam Wilson (Falcão) e Bucky Barnes (Soldado Invernal) cara a cara na terapia. Imagem: Reprodução/Disney Plus
      “E, às vezes, você pode ser um herói ou um vilão dependendo do contexto. Um super-herói é um sujeito que também tem fragilidades, acontece com muitos personagens, não apenas nos seus traumas, mas também na questão da agressão. Isso sem dúvida abre muito campo para explorar novas histórias e narrativas. Eu acho positivo, porque tira a ideia de que há um super-homem em cada um desses heróis. Isso está afinada aos debates atuais”, explica a pesquisadora de história da arte Vanessa Bortulucce.
      À medida em que as décadas avançam, a postura do super-herói se modifica. Em alguns momentos, como na década de 1960, muitos heróis se envolveram no movimento pacifista. Já na década de 1980, vemos personagens com personalidades mais assertivas e mais agressivos. Agressividade essa geralmente associada aos traumas que deram origem ao lado heroico deles, como as mortes dos pais de Bruce Wayne (Batman) e do tio de Peter Parker (Homem-Aranha) e até mesmo o suicídio do pai de Utópico. Com isso, esses personagens apresentam uma postura muito mais agressiva em relação aos criminosos. “Você nunca viu um Batman tão violento como o da década de 1990”, afirma Castro.
      Utópico buscou ajuda psiquiátrica após problemas com a família. Imagem: Reprodução/Netflix
      Ascensão em meio ao desastre
      A Crise de 1929, também conhecida como “A Grande Depressão”, marcou um dos momentos mais caóticos do capitalismo na era moderna. Ela teve origem nos Estados Unidos, que na época já tinha se consolidado como a maior economia do mundo. Com a crise, muitas empresas quebraram e o desemprego saltou de 4% para 27%. Foi um verdadeiro caos econômico que em pouco tempo trouxe sérias consequências para a sociedade. Esse tsunami de problemas que sucedeu a crise foi crucial para a revolução das comics. 
      Para Vanessa Bortulucce, a principal relação entre a Grande Depressão e as HQs é a mudança do cenário das histórias. “Como a Crise de 29 envolveu o mercado de ações, os bancos e etc, você tem as cidades como um lugar marcado por desastres e más notícias. Então, os quadrinhos sofrem um certo refluxo nesse ambiente”, explica ela. Fora do ambiente das cidades, novos cenários começaram a ganhar força, como o espaço sideral de Flash Gordon e Brick Bradford. 
      Essa fragilização acabou criando o conceito do “herói extraordinário”, aquele que resolve problemas com facilidade, sem quebrar a cabeça, e assim entrega uma aventura fantástica que restaura a esperança do leitor, que não tem muita paciência para novos problemas. 
      Em 1938, quando foi lançada a primeira HQ do Superman, o herói absorveu muitas características da época, especialmente nas edições lançadas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O kryptoniano era invencível, imparável, como se estivesse passando uma mensagem. O mesmo pôde ser vista nas revistas da Capitã Marvel. Assim surgiram os primeiros aspectos para se discutir o mito do herói nas comics.
      Mito do herói no traço e na tela
      Contar sobre a vida dos personagens humanizou os super-humanos e até mesmo os alienígenas como Clark Kent. Isso reforçou a ideia de que um herói pode ser qualquer pessoa, como um fazendeiro do Kansas, um jovem franzino do Brooklyn ou um nerd do Queens.
      “O Super-Homem é um alienígena, mas o leitor olha para o Clark Kent, que é um homem comum. Ao se mostrar como um homem comum, ele estabelece um reconhecimento, e o leitor pensa em um Super-Man que estaria, simbolicamente, dentro dele. Com os heróis da Marvel, Stan Lee tem uma importância vital nesse sentido, porque ele inverte a lógica do Super-Homem: você não tem um herói que se passa por um homem comum, mas um homem –  ou mulher – comum que pode se mostrar como herói”, diz Bortulucce.
      Pensando sobre essa afirmação da pesquisadora, alguns nomes do MCU vêm em mente, como Viúva Negra, Falcão, Gavião Arqueiro, Homem de Ferro, Homem-Formiga, Vespa e muitos outros. Esses heróis sem poderes “mágicos ou alienígenas” usam tecnologia e habilidades de combate para derrotar os vilões. Porém, diferentemente dos heróis do século 20, os personagens da Marvel nos cinemas não carregam consigo um senso inabalável de justiça e têm em comum traumas que precisam ser tratados seriamente.
      Heróis enlatados
      Todo esse roteiro de heróis traumatizados e órfãos é bem conveniente para os enredos, como vimos até aqui. Por isso essa jornada entre perda e poder foi reproduzida em larga escalada para as dezenas de heróis que surgiram nas décadas seguintes aos anos 1960. Esses heróis chamados de enlatados basicamente mudam de nome, o lugar de origem, mas a essência segue sendo a mesma. Essa zona de conforto permitiu que grandes estúdios e produzissem vários heróis sem perder o trunfo de uma história dividida entre vida civil e vida com uniforme, como explica Mario Marcello Neto.
      “Algumas coisas se repetiriam, como a ideia da orfandade como característica para ser super-herói. Nisso a gente tem desde Shazam até o Batman. Parece até que o critério para ser herói é não ter os pais e mães [biológicos]. Na década de 1940 era pior e os heróis que sobreviveram daquela época para cá são muito poucos. Naqueles anos a gente via heróis que eram plágios. O próprio Shazam se envolveu em um processo de plágio por causa das semelhanças com o Superman”. 
      Heróis e política
      Entre as influências que as histórias de super-heróis podem ter na sociedade está a política. Assim como foi o caso do governo de Reagan nos anos 1980, as políticas e as HQs fazem essa troca de signos. Além de exercer uma influência natural com seus enredos, as histórias em quadrinhos também podem ser utilizadas como ferramenta política, como explica Bortulucce. “Muitos personagens surgem por causa da Segunda Guerra Mundial, como o Capitão América. Guerra do Vietnã? Homem de Ferro. Corrida espacial? Quarteto Fantástico. O medo e a maravilha do poder atômico? Hulk e Homem-Aranha. Minorias e lutas sociais? Pantera Negra e X-Men. Os quadrinhos são uma grande ferramenta política”. 
      Um bom e recente exemplo aconteceu durante as manifestações de 2013 contra o então governo de Dilma Roussef (PT). Muitos manifestantes foram às ruas com camisas da CBF e máscara do personagem V, de V de Vingança. A intenção era mostrar que “o povo” estava disposto a ir longe, como V foi. Na história em quadrinhos, o personagem adota um tom professoral e filosófico em seus discursos, e tem todo o tipo de ideia para derrubar um governo fascista que governava a Inglaterra. Entre as ações de V está a explosão do Parlamento Britânico.
      Essa ideia de que todo mundo pode ser um herói se mostra nesses tipos de situação. Na época, Alan Moore, o autor da HQ, chegou a comentar sobre o caso em entrevista ao site UOL. “Há 30 anos eu estava apenas respondendo à situação da Inglaterra da minha perspectiva. Não eram premonições do que aconteceria no futuro”, disse ele sobre a produção de V de Vingança. “Acho que não tenho muito a dizer a respeito [do uso das máscaras], porque eu sou apenas o criador da história. E eu não tenho uma cópia de ‘V’ em casa, isso foi tirado de mim por grandes corporações”, completou.
      Esse uso do V por manifestantes em 2013 é apenas um exemplo da relação entre quadrinhos e política. “As histórias em quadrinho influenciam em termos de filosofia de vida. Os leitores acabam se influenciando pelas ideias e propostas, acabam acreditando na visão de mundo daqueles heróis. Mas eu não acredito que uma pessoa normal seja influenciada aponto de vestir uma máscara ou uma roupa e sair por aí batendo nas pessoas resolvem os problemas do mundo”, diz Castro.
      Então, da próxima vez que você assistir a uma série, filme ou ler uma HQ e se perguntar: isso não está realista demais? Lembre-se de que a resposta é sim! Tudo vai ficar cada vez mais real enquanto continuaremos a ver homens voadores atirando raio laser pelos olhos.
      @Bitniks
    • ZMB
      By ZMB
      COMASSIM não tem nenhum tópico dessa excelente série da Netflix?
      Uma verdadeira ode ao passado. Gostosíssima de assistir. Poucas vezes maratonei algo com tanto afinco.
      LaRusso e Johnny estão em plena forma ainda, hahaha. Bom demais.
      Alguém aí acompanha?
    • Moura Edu
      By Moura Edu
      Assisti apenas o primeiro episódio, mas pelo que vi fiquei empolgado para ver o resto, a qualidade das cenas é algo que parece de filme, tem uma luta no primeiro episódio tão bem coreografada e filmada que lembrou o John Wick, recomendo demais.
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