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Evolução de pensamento político


Lowko é Powko

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Uma parada que passou pela minha cabeça agora.

 

Tô aqui nesse fórum desde os 14 anos, agora tenho 27. Como não podia deixar de ser, muita coisa passou na minha vida, muitas experiências. E meu pensamento político mudou ao longo do tempo.

 

Com vocês, como foi esse processo?

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Me tornei bem menos extremista, continuo achando quem é de esquerda um tanto lunático/utópico/mal intencionado, votei pelo PT pela primeira vez na vida (Haddad), algo impensável quando eu tinha meus 14 também, e percebi que não me enquadro nem entre os conservadores nem entre os liberais 100% do tempo, o que é ótimo pq é uma baita burrice seguir cegamente as posições de um rótulo.

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Me tornei bem menos dogmático, aceitei que o capitalismo busca as riquezas e a desumanização no trabalho é um acidente do melhor mundo possível.

Na verdade, não é bem assim. Me tornei bem crítico com relação aos conceitos, tentando encaixar as ideias em um sistema real-naturalista em que não é possível haver coexistência harmoniosa entre os seres, estando sempre em conflito pela sobrevivência e bem-estar.

Para mim hoje o socialismo/comunismo são coisas que podem ser observadas em insetos. Não é uma utopia, e sim uma realidade que possivelmente exige uma redução individualista do qual o ser humano não abre mão.

Entretanto, eu creio que o capitalismo precisa de foco tecnocientífico-ambientalista, pois sendo o mundo não criado para nós e estamos aqui por completo acaso das vicissitudes do determinado espaço-tempo, nosso futuro longínquo enquanto espécie humana corre riscos se "não pensarmos nas consequênciias curtas, médio e longo prazos" ao usufruir de matéria-primas para produzir nossos produtos e tecnologias que consumimos e deles dependemos.

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Outro dia o Aldo puxou um post meu de quando era mais novo, comemorando ser social-democrata num desses testes de posicionamento político. Hoje em dia mudei o espectro também, foi só passar a estudar um pouquinho sobre o assunto (o que começou em 2014, aos meus 17 anos).

Mesmo em relativamente pouco tempo de fórum (5 anos), já consegui notar diferença no modo no qual eu vejo o mundo, inclusive ajudado por recomendações de leitura do próprio @aldin, mas também do saudoso @Salvador. e por aí vai.

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Hoje sou bem menos desenvolvimentista, Dilma me mostrou que não tem como fazer isso por aqui.

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Também era social-democrata, hoje sou muito mais liberal (porém, sempre com a ressalva de que o Estado deve combater fortemente a desigualdade de oportunidades).

Nos costumes, eu já era progressista, e hoje sou ainda mais (o que, a rigor, também se encaixa no conceito do liberalismo).

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Eu desconfio fortemente das pessoas que não mudam de opinião com o passar dos tempos, especialmente na política.

Eu já flertei muito com as ideias da direita mais conservadora quando mais novo, depois de uma guinada monstra para a esquerda radical e tem um tempo que me assentei na centro esquerda. Sou "full-progressista" (embora eu tenha uma pá de críticas a alguns movimentos da esquerda nessa parte) mas tenho minhas duvidas nas questões econômicas, hoje sou bem mais um "reformista" do que um revolucionário (seguindo os padrões da esquerda).

Já fui mais de estudar e estar ligado a política mas é só decepção, tem muita gente de todas as vertentes que faz um trabalho bem legal e coerente que não tem espaço nenhum pra mostrar suas ideias e a internet bombando um monte de perfil bosta e retardado que só vive de frase de efeito e notícia mentirosa. 

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Descrente. Esquerda é uma bosta, embora algumas ideias sejam boas, direita é uma bosta, embora algumas ideias sejam boas. O extremo é a certeza de que não tem nada bom. Muita gente extremista e bitolada pra caralho com dois pesos e duas medidas, dependendo da inclinação política. País corrupto, política corrupta, pobreza se alastrando...

E o pior é que eu não vejo NENHUMA mudança significativa enquanto eu estiver vivo e nem pros meus filhos (se tiver).

Tô com um pojeto de em 10 anos estar fora do Brasil e não voltar mais. Tô trabalhando pra isso, economizando pra isso. A única coisa que me deixa meio reticente é a minha mãe, mas de resto, nada me dá vontade de ficar no Brasil hoje.

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Eu confesso que já nem sei onde me encaixo. Não tenho um posição/crença "padrão", mas sim posicionamentos específicos para cada tema, as vezes com ideias estadistas, as vezes liberais, nunca extremos ( sempre achei o extremo o ápice da ignorância).

Já passei por uma fase mais "Estadista", hoje tenho um pensamento um pouco mais aberto ao minarquismo, ainda que não completament. Mas hoje entendo que o Estado, enquanto garantidor, precisa se enxugar/reduzir para se tornar "eficaz e eficiente" (essas aspas têm evolução de pensamento, por exemplo, hahaha) ( não analisando vícios em si, como corrupção, por exemplo).

Tenho como meta "abrir mais a mente" para o empreendedorismo, principalmente aos olhos do grande empresário. Sempre tive o vício de ver o grande empresário como "vilão" (talvez por experiências ruins ou um resquício da minha visão Estadista) e sei que preciso aprender e evoluir melhor sobre o tema.

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Quando entrei, com 15/16 anos, não sabia o que era esquerda e direita. Ao começar a entender me identifiquei com a pauta esquerdista, principalmente por ouvir Racionais, dentre outros raps. Ao perceber que entrava ano, saía ano, e as as coisas não mudavam comecei a estudar para buscar soluções (além de ter, na época, uma namorada esquerdista e feminista). Os argumentos não se sustentavam, principalmente porque eu nunca flertei com o vitimismo. Sou muito grato ao @Salvador. pela indicação d'As Seis Lições do Ludwig von Mises num tópico de leituras políticas aqui no Fórum. Já presenteei mais de 6 amigos com exemplares dessa obra prima.

Depois disso aprofundei a leitura e li obras de Friedrich Hayek, Murray Rothbard, Milton Friedman, Hans Hermann Hoppe, Adam Smith, John Stuart Mill e John Rawls. Flertei muito com o anarcocapitalismo, principalmente depois de ler Rothbard, mas também fui encontrando uma série de dificuldades para implementação de um sistema sem Estado, completamente controlado via mercado. Recentemente tive a oportunidade de estudar um pouco de Direito e passei a ter uma opinião mais moderada sobre o Estado, principalmente as regulamentações.

Enfim, hoje me considero um liberal, a favor do livre mercado e igualdade de direitos.

 

PS. o @Ariel' e o @_Matheus_ também foram grandes parceiros nessa trajetória, fortalecendo discussões e trazendo bons pontos de vista. Inclusive temos um grupo no WhatsApp onde discutimos Libertarianismo.

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No final da década passada eu compartilhava de pensamentos coxinhas, separatistas e afins.

Comecei a viajar, estudar, conhecer pessoas, e trabalhar com educação, então mudei TOTALMENTE meu modo de pensar. Não compro TOTALMENTE ideais de esquerda, até porque, aqui no Brasil ela é tão suja quanto a direita. Porém, meus pensamentos, no que tange a assuntos polêmicos, sempre tendem a ser mais à esquerda. Porém concordo em algumas coisas com ondas um pouco mais liberais. Enfim, o que eu aprendi é que a gente não pode e não deve ser radical.

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Eu não estou vendo perspectivas de mudanças em nossa política brasileira se a receita (ou ingredientes e procedimentos) que fazem nossa democracia não forem atualizados/melhorados/aperfeiçoados.

É bem possível que a corrupção continue pautando as decisões democráticas ainda por algumas eleições. A percepção de que existe uma ilusão sobre a importância das eleições para corrigir maus hábitos políticos, e essa percepção vai tornando-se cada vez mais aceita mesmo que lentamente. A democracia é um conceito a ser melhor formulado, corrigido, e a prática democrática também não precisa ficar no tempo do passado, pois o que importa é o tempo do futuro. Se for para ser democracia, então que seja democracia, e não um esboço de democracia século dezenoveano.

Talvez um dia percebam que direita e esquerda são conceitos políticos contemporâneos à Idade Moderna e Pós-moderna, mas não necessariamente esse paradigma será para sempre (enquanto o ser humano existir).

O "século dezenove" é um problema para a sociedade humana do século XXI.

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Em 11/04/2018 at 13:10, Léo R. disse:

No final da década passada eu compartilhava de pensamentos coxinhas, separatistas e afins.

Comecei a viajar, estudar, conhecer pessoas, e trabalhar com educação, então mudei TOTALMENTE meu modo de pensar. Não compro TOTALMENTE ideais de esquerda, até porque, aqui no Brasil ela é tão suja quanto a direita. Porém, meus pensamentos, no que tange a assuntos polêmicos, sempre tendem a ser mais à esquerda. Porém concordo em algumas coisas com ondas um pouco mais liberais. Enfim, o que eu aprendi é que a gente não pode e não deve ser radical.

Falou em liberalismo já penso em MBL no mesmo instante, ô povo desonesto e nojento.

Sobre mim: cresci numa família fundamentalista religiosa, onde participação na política era algo muito desencorajado, então nunca tivemos - nem eu, nem aqueles que foram criados junto comigo - muito espaço pra nos posicionar sobre esse tipo de assunto principalmente porque nós não podíamos nem pesquisar sobre, meus familiares inclusive nunca votavam, só justificavam. Enfim, juntando isso ao fato de eu ser uma menina e ao de política ser um "jogo de homens" que nem o futebol, basicamente não entendia nada de economia e etc até meus 15, 16 anos, que foi também a época em que saí da religião e me assumi agnóstica. Desde então, venho cultivando essas ideias que raramente mudam de maneira mais radical, mas apenas vão "tomando forma" à medida que adquiro mais conhecimento. Me encaixo hoje como de esquerda, mas assim como o Léo não puxo o saco da esquerda aqui do Brasil, nem saio gritando aos quatro ventos que foi golpe e que Lula é inocente e é um ladrão que roubou meu coração, apesar de eu achar que foi golpe sim e de também achar que Lula é um "espantalho" no meio de toda essa confusão em que vivemos hoje em dia, o cara é muito provavelmente culpado, mas essa galera: Dória, Alckmin, Bolsonaro, provavelmente são também, só não foram descobertos ainda, então no fim é tudo farinha do mesmo saco, como eu vi num vídeo uma vez, "vão tudo pro mesmo puteiro no fim do dia".

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@Salvador. vive!

 

A discussão mais antiga que lembro sobre política aqui (lembro do @cdcccccc estar no meio) talvez já me colocaria no centro mas sei que já estive bem mais pro outro lado. Boa parte da família ainda têm posições militaristas e até reacionárias, se é que me entendem. Até o 2º grau (e consequentemente o início aqui no fórum) eu ainda achava razoável ter professora de História defendendo regimes autocráticos - que eu mencionei nessa discussão citada, mas que não lembro sobre o que poderia ser já naquela época.

Da centro-direita conservadora pra socialismo libertário, então.

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33 minutos atrás, Bruna' disse:

Falou em liberalismo já penso em MBL no mesmo instante, ô povo desonesto e nojento.

Esses são a esquerda da direita. Lamentável, mas faz parte do jogo.

Não confunda ideologia com um coletivo. Desonestos e nojentos tem em todos os grupos, assim como honestos e respeitáveis. Não é à toa que do PSDB de Aécio Neves saiu Gustavo Franco, por exemplo.

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4 minutos atrás, Ariel' disse:

Esses são a esquerda da direita. Lamentável, mas faz parte do jogo.

Não confunda ideologia com um coletivo. Desonestos e nojentos tem em todos os grupos, assim como honestos e respeitáveis. Não é à toa que do PSDB de Aécio Neves saiu Gustavo Franco, por exemplo.

Não confundo, só disse que é o que me vem na cabeça quando leio a palavra. Acho que qualquer pessoa tem algo que "venha a cabeça" quando pensa em esquerda, direita, PSOL, PT, sei lá mais o quê. 

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41 minutos atrás, Ariel' disse:

Esses são a esquerda da direita.

Em que sentido?

 

Ao meu ver, o lamentável é eles representarem o mainstream da direita atual ao invés de serem um movimento menor, paralelo.

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5 horas atrás, Ariel' disse:

Esses são a esquerda da direita. Lamentável, mas faz parte do jogo.

Não confunda ideologia com um coletivo. Desonestos e nojentos tem em todos os grupos, assim como honestos e respeitáveis. Não é à toa que do PSDB de Aécio Neves saiu Gustavo Franco, por exemplo.

Curioso pra saber o que é que o MBL tem a ver com a esquerda...

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O MBL é uma piada. Concordar com algumas poucas coisas que o Liberalismo prega/faz (principalmente no que diz respeito a privatizações de algumas coisas) não te faz simpatizante destes mongolões de apartamento.

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É melhor alienar-se com a Liberdade do que com ideologias...

Mas não existe alienação com a Liberdade. Existem com dogmas ideológicos que fecham a mente das pessoas para a busca da verdade e do aperfeiçoamento das concepções de mundo, sociedade e economia. Isto sim, é ideologia: dogma anti-libertário!

Seria então, o Libertarianismo uma ideologia dogmática? É claro que sim, é evidente que só presta para tapar os olhos das mentes pensantes com peneira de burro.

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15 horas atrás, Danut disse:

Curioso pra saber o que é que o MBL tem a ver com a esquerda...

O pessoal do MBL, em geral, defende ou não combate toda a pauta progressista/globalista da esquerda  - ideologia de gênero, aborto, legalização de drogas, etc.

Você possivelmente não os verá, como movimento, falando isso abertamente, mas se pegar a opinião da maioria da galerinha estilo Renan Santos, Mamãefalei, Kim Kataguiri, Holliday, com certeza você encontra esse tipo de coisa.

Não quero entrar no mérito de saber se você concorda ou não com essas pautas - o que estou dizendo é que na "Direita" existe esse racha, tanto que são conhecidos por serem "o PSOL que estudou economia".

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Eu só quero um mundo que siga menos idiotices como o tal do politicamente correto e mais liberdade de expressão, sobre espectro político, me definia como centro-esquerda, mas a esquerda pra mim ultimamente teve um retrocesso e tanto, já simpatizava com algumas ideias da direita(especialmente os liberais, e agora alguns dos ideais consevadores), agora a direita me representa mais e condiz com minha visão de mundo(tenho um leve apreço pela extrema-direita no que tange a imigração e economia) as idéias ditas progressistas na minha opnião não tem nada de progressistas(vide o lixo do politicamente correto, que praticamente "aboliu" o direito a livre opnião) a direita parece ser muito mais coerente em seus discursos, ao contrário da esquerda, a cada discurso uma ambiguidade e uma controvérsia diferente, pessoas que defendem os direitos humanos(No Brasil isso só serve pra proteger marginais) passam e muito dos limites. e você quer que libertem todos e os cidadãos fiquem a mercê de delinquentes ? não dá né.

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O negócio agora é só ver o circo pegar fogo e rir pra não chorar.

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23 minutos atrás, Roman disse:

O negócio agora é só ver o circo pegar fogo e rir pra não chorar.

É. Acho que estou me convencendo disso. Mas certas coisas não dá pra não questionar.

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    • Leho.
      By Leho.
      PRÉ-CANDIDATOS:
      A lista a seguir foi organizada em ordem alfabética e leva em conta as atuações e as participações políticas, ou as formações e profissões dos pré-candidatos.
      (via @ACidadeON Campinas) 
      André Janones (Avante): 37 anos, nascido em Ituiutaba, Minas Gerais, é deputado federal  Ciro Gomes (PDT): 64 anos, nascido em Pindamonhangaba, São Paulo, é ex-deputado federal, ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda e da Integração Nacional  Eymael (DC): 82 anos, nascido em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, é ex-deputado federal  Felipe d'Ávila (Novo): 58 anos, nascido em São Paulo, São Paulo, é cientista político e possui mestrado em Administração Pública  Jair Bolsonaro (PL): 66 anos, nascido em Glicério, mas registrado em Campinas, São Paulo, é ex-deputado federal e atual presidente da República  João Doria (PSDB): 64 anos, nascido em São Paulo (SP), é ex-prefeito da capital paulista e ex-governador do estado  Leonardo Péricles (UP): 40 anos, nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, foi candidato a vice-prefeito da capital mineira na chapa do Psol em 2020  Luciano Bivar (União Brasil): 77 anos, nascido em Recife, Pernambuco, é ex-deputado federal e dirigente do partido pelo qual é postulante ao cargo  Luis Inácio Lula da Silva (PT): 76 anos, nascido em Caetés, Pernambuco, é ex-deputado federal e ex-presidente da República por dois mandatos (de 2002 a 2010)  Pablo Marçal (Pros): 34 anos, nascido em Goiânia, Goiás, é empresário e youtuber  Simone Tebet (MDB): 51 anos, nascida em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, ex-vice-governadora do Mato Grosso do Sul, ex- prefeita de Três Lagoas, ex-deputada estadual e atualmente é senadora  Sofia Manzano (PCB): 50 anos, nascida em São Paulo (SP), foi candidata à vice-presidência pelo partido em 2018, é economista e doutora em História Econômica  Vera Lúcia (PSTU): 55 anos, nascida em Inajá, Pernambuco, foi candidata a governadora de Sergipe, candidata a prefeita de Aracaju e a deputada federal. Em 2018, foi candidata à presidência. Em 2020, à prefeitura de São Paulo  
       
       
       
       
       
      (Tópico sob constante atualização. Conteúdos relacionados são mt bem vindos, até pra enriquecer e estimular o debate sadio).
    • Leho.
      By Leho.
      Por Pedro Henrique Ribeiro,
      21 de julho de 2021
      Você já fez terapia ou pelo menos se consultou com um psicólogo? Essa é uma prática muito boa que deveria se tornar hábito. Assim como algumas pessoas vão ao dentista duas vezes por ano, todos deveríamos reservar um tempinho para conversar com um psicólogo e organizar a mente. Isso serve para pessoas comuns, mas também para super-heróis. Nos últimos anos, ficou cada vez mais comum vermos super-humanos tentando resolver problemas que tinham dentro da cachola. Para isso, ou eles dão uma passadinha no “divã” da terapia, ou tentam botar a angústia para fora. Por causa disso, estamos perdendo aquela imagem de super-herói perfeito e invulnerável, e os estúdios estão investindo nessas narrativas para dar um ar de profundidade às histórias.
      “Nos primeiros 40 anos dos quadrinhos, uma narrativa mais simplificada dominou o mercado dos quadrinhos. Graças ao Stan Lee e seus quadrinhos da Marvel, o super-herói passou a ter uma vida pessoal, problemas psicológicos e se aproximar mais dos problemas do leitor. Esse modelo fez muito sucesso com as histórias do Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e Capitão América, e é reproduzido até hoje pela indústria”, explica o pesquisador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP, Waldomiro de Castro.
      Nas telinhas e telonas vemos vários heróis assumindo a importância de conversar, como o Utópico, em O Legado de Júpiter, e Bucky Barnes, em Falcão e Soldado Invernal”. Em WandaVision vemos a Feiticeira Escarlate cruzar as fases do luto após a morte de seu marido, Visão, em Vingadores: Guerra Infinita”. Em Watchmen – O Filme, o cruel Rorschach se consulta com um psiquiatra após ir para a prisão. Durante os testes – que dão nome ao personagem -, ele consegue identificar os próprios traumas, mas mente para não ser considerado doente.
      Rorschach se consulta com psiquiatra após ser preso em Watchmen. Imagem: Reprodução/Prime Video
      O professor e pesquisador de quadrinhos, Mario Marcello Neto, explica que muitos desses debates encontrados nas HQs fazem parte de um sentimento de dívida dos autores estadunidenses. “Essa geração pós-Guerra do Vietnã está muito imbuída em uma sociedade que tem muitas dívidas a pagar, seja com minorias ou com eles mesmos. Esse aparecimento do ‘divã’ nos contextos mais atuais, reflete um certo avanço no reconhecimento da importância da saúde mental. Porém, uma coisa que dita isso [ter ou não o divã] é o ritmo da história. Eu acho que se houver muito conflito pessoal, as pessoas saem do cinema. Eu não consigo ver uma cena como a consulta do Soldado Invernal acontecendo em um filme dos Vingadores, porque [o filme] é muito frenético”.
      Sam Wilson (Falcão) e Bucky Barnes (Soldado Invernal) cara a cara na terapia. Imagem: Reprodução/Disney Plus
      “E, às vezes, você pode ser um herói ou um vilão dependendo do contexto. Um super-herói é um sujeito que também tem fragilidades, acontece com muitos personagens, não apenas nos seus traumas, mas também na questão da agressão. Isso sem dúvida abre muito campo para explorar novas histórias e narrativas. Eu acho positivo, porque tira a ideia de que há um super-homem em cada um desses heróis. Isso está afinada aos debates atuais”, explica a pesquisadora de história da arte Vanessa Bortulucce.
      À medida em que as décadas avançam, a postura do super-herói se modifica. Em alguns momentos, como na década de 1960, muitos heróis se envolveram no movimento pacifista. Já na década de 1980, vemos personagens com personalidades mais assertivas e mais agressivos. Agressividade essa geralmente associada aos traumas que deram origem ao lado heroico deles, como as mortes dos pais de Bruce Wayne (Batman) e do tio de Peter Parker (Homem-Aranha) e até mesmo o suicídio do pai de Utópico. Com isso, esses personagens apresentam uma postura muito mais agressiva em relação aos criminosos. “Você nunca viu um Batman tão violento como o da década de 1990”, afirma Castro.
      Utópico buscou ajuda psiquiátrica após problemas com a família. Imagem: Reprodução/Netflix
      Ascensão em meio ao desastre
      A Crise de 1929, também conhecida como “A Grande Depressão”, marcou um dos momentos mais caóticos do capitalismo na era moderna. Ela teve origem nos Estados Unidos, que na época já tinha se consolidado como a maior economia do mundo. Com a crise, muitas empresas quebraram e o desemprego saltou de 4% para 27%. Foi um verdadeiro caos econômico que em pouco tempo trouxe sérias consequências para a sociedade. Esse tsunami de problemas que sucedeu a crise foi crucial para a revolução das comics. 
      Para Vanessa Bortulucce, a principal relação entre a Grande Depressão e as HQs é a mudança do cenário das histórias. “Como a Crise de 29 envolveu o mercado de ações, os bancos e etc, você tem as cidades como um lugar marcado por desastres e más notícias. Então, os quadrinhos sofrem um certo refluxo nesse ambiente”, explica ela. Fora do ambiente das cidades, novos cenários começaram a ganhar força, como o espaço sideral de Flash Gordon e Brick Bradford. 
      Essa fragilização acabou criando o conceito do “herói extraordinário”, aquele que resolve problemas com facilidade, sem quebrar a cabeça, e assim entrega uma aventura fantástica que restaura a esperança do leitor, que não tem muita paciência para novos problemas. 
      Em 1938, quando foi lançada a primeira HQ do Superman, o herói absorveu muitas características da época, especialmente nas edições lançadas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O kryptoniano era invencível, imparável, como se estivesse passando uma mensagem. O mesmo pôde ser vista nas revistas da Capitã Marvel. Assim surgiram os primeiros aspectos para se discutir o mito do herói nas comics.
      Mito do herói no traço e na tela
      Contar sobre a vida dos personagens humanizou os super-humanos e até mesmo os alienígenas como Clark Kent. Isso reforçou a ideia de que um herói pode ser qualquer pessoa, como um fazendeiro do Kansas, um jovem franzino do Brooklyn ou um nerd do Queens.
      “O Super-Homem é um alienígena, mas o leitor olha para o Clark Kent, que é um homem comum. Ao se mostrar como um homem comum, ele estabelece um reconhecimento, e o leitor pensa em um Super-Man que estaria, simbolicamente, dentro dele. Com os heróis da Marvel, Stan Lee tem uma importância vital nesse sentido, porque ele inverte a lógica do Super-Homem: você não tem um herói que se passa por um homem comum, mas um homem –  ou mulher – comum que pode se mostrar como herói”, diz Bortulucce.
      Pensando sobre essa afirmação da pesquisadora, alguns nomes do MCU vêm em mente, como Viúva Negra, Falcão, Gavião Arqueiro, Homem de Ferro, Homem-Formiga, Vespa e muitos outros. Esses heróis sem poderes “mágicos ou alienígenas” usam tecnologia e habilidades de combate para derrotar os vilões. Porém, diferentemente dos heróis do século 20, os personagens da Marvel nos cinemas não carregam consigo um senso inabalável de justiça e têm em comum traumas que precisam ser tratados seriamente.
      Heróis enlatados
      Todo esse roteiro de heróis traumatizados e órfãos é bem conveniente para os enredos, como vimos até aqui. Por isso essa jornada entre perda e poder foi reproduzida em larga escalada para as dezenas de heróis que surgiram nas décadas seguintes aos anos 1960. Esses heróis chamados de enlatados basicamente mudam de nome, o lugar de origem, mas a essência segue sendo a mesma. Essa zona de conforto permitiu que grandes estúdios e produzissem vários heróis sem perder o trunfo de uma história dividida entre vida civil e vida com uniforme, como explica Mario Marcello Neto.
      “Algumas coisas se repetiriam, como a ideia da orfandade como característica para ser super-herói. Nisso a gente tem desde Shazam até o Batman. Parece até que o critério para ser herói é não ter os pais e mães [biológicos]. Na década de 1940 era pior e os heróis que sobreviveram daquela época para cá são muito poucos. Naqueles anos a gente via heróis que eram plágios. O próprio Shazam se envolveu em um processo de plágio por causa das semelhanças com o Superman”. 
      Heróis e política
      Entre as influências que as histórias de super-heróis podem ter na sociedade está a política. Assim como foi o caso do governo de Reagan nos anos 1980, as políticas e as HQs fazem essa troca de signos. Além de exercer uma influência natural com seus enredos, as histórias em quadrinhos também podem ser utilizadas como ferramenta política, como explica Bortulucce. “Muitos personagens surgem por causa da Segunda Guerra Mundial, como o Capitão América. Guerra do Vietnã? Homem de Ferro. Corrida espacial? Quarteto Fantástico. O medo e a maravilha do poder atômico? Hulk e Homem-Aranha. Minorias e lutas sociais? Pantera Negra e X-Men. Os quadrinhos são uma grande ferramenta política”. 
      Um bom e recente exemplo aconteceu durante as manifestações de 2013 contra o então governo de Dilma Roussef (PT). Muitos manifestantes foram às ruas com camisas da CBF e máscara do personagem V, de V de Vingança. A intenção era mostrar que “o povo” estava disposto a ir longe, como V foi. Na história em quadrinhos, o personagem adota um tom professoral e filosófico em seus discursos, e tem todo o tipo de ideia para derrubar um governo fascista que governava a Inglaterra. Entre as ações de V está a explosão do Parlamento Britânico.
      Essa ideia de que todo mundo pode ser um herói se mostra nesses tipos de situação. Na época, Alan Moore, o autor da HQ, chegou a comentar sobre o caso em entrevista ao site UOL. “Há 30 anos eu estava apenas respondendo à situação da Inglaterra da minha perspectiva. Não eram premonições do que aconteceria no futuro”, disse ele sobre a produção de V de Vingança. “Acho que não tenho muito a dizer a respeito [do uso das máscaras], porque eu sou apenas o criador da história. E eu não tenho uma cópia de ‘V’ em casa, isso foi tirado de mim por grandes corporações”, completou.
      Esse uso do V por manifestantes em 2013 é apenas um exemplo da relação entre quadrinhos e política. “As histórias em quadrinho influenciam em termos de filosofia de vida. Os leitores acabam se influenciando pelas ideias e propostas, acabam acreditando na visão de mundo daqueles heróis. Mas eu não acredito que uma pessoa normal seja influenciada aponto de vestir uma máscara ou uma roupa e sair por aí batendo nas pessoas resolvem os problemas do mundo”, diz Castro.
      Então, da próxima vez que você assistir a uma série, filme ou ler uma HQ e se perguntar: isso não está realista demais? Lembre-se de que a resposta é sim! Tudo vai ficar cada vez mais real enquanto continuaremos a ver homens voadores atirando raio laser pelos olhos.
      @Bitniks
    • Lowko é Powko
      By Lowko é Powko
      Quem não conseguir acessar pode ler a notícia no outline com aqueles problemas de formatação.
      Sanders se retirando da cena e as eleições de 2020 se encaminhando para ser uma disputa entre Trump e Biden, com um Partido Democrata em tese um pouco mais à esquerda do que de costume, ao menos no discurso.
    • Lanko
      By Lanko
      De acordo com as notícias, se não jogarem o Tite será demitido, o que está fazendo os jogadores mudarem a postura de boicote para apenas um manifesto público... e então irem jogar o torneio, o que seria o mesmo que "muito barulho por nada".
    • jonnyjones81
      By jonnyjones81
      Estava lendo uma matéria sobre a tal ligação do Kajuru na IstoÉ e a matéria termina assim:
      “Finalmente, uma observação sobre o sistema eleitoral brasileiro, que o Congresso está querendo alterar. O sistema vigente hoje já dá bastante espaço para que políticos como Jorge Kajuru se elejam. São pessoas que não têm outras credenciais além da fama e de algum sentimento de indignação, ou desejo vago de “fazer o bem”, mas que nunca perdeu um minuto da vida pensando sobre políticas e administração públicas.
      Se o Congresso fizer o que deseja, e implantar o tal sistema do “distritão”, em que apenas os candidatos mais votados são eleitos, só haverá gente famosa na política. Aquele sujeito que passou a vida lutando em silêncio por uma causa, ou estudando gestão pública, nunca mais chegará ao parlamento, pois costuma ser eleito pelos votos concedidos aos partidos no sistema proporcional.
      Hoje, existe um Kajuru a mais do que o necessário no Senado. Imagine agora um Congresso feito só de Kajurus. Gostou?”
      Ou seja, uma clara critica à mudança.
      Então fui pesquisar e ler um pouco melhor sobre o tema do voto distrital e distrital misto. Achei uma matéria sobre o assunto muito, mas muito bem escrita (IMO). Vou deixar aqui para a leitura e um debate saudável.
      Como o voto distrital misto pode mudar as eleições no país
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