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Henrique M.

A onda conservadora

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ArquitetoZ
12 horas atrás, MICHEL O disse:

Pior que a Onda Conservadora é a Onda Esquerdista e a Onda dos Isentões.

 

Somos todos responsáveis, não tem isentão.

Eu votei na Dilma em 2014 e foda-se, pelo menos não votei em Aécio. Somos todos culpados pela situação do país.

O seu comentário demonstra a ruindade de sua concepção de mundo e política. Do número de 144.088.912 eleitores em 2014, a responsabilidade de cada um nessa merda de democracia representativa de eleições diretas é 100%/144.088.912 , o que significa 0,000000694% de responsabilidade individual.

Somos quase isentos, mas somos responsáveis pela merda que está atualmente.

O que nos torna mais culpados é a preferência pela ignorância. Isso fode com a educação de nosso país. Os esquerdistas e direitistas são culpados por impor ideologias na educação brasileira, ambos não valorizam o conhecimento a ser o meio para melhorar nosso país, apenas importam-se em ensinar que capitalismo é certo ou errado.

O capitalismo depende do conhecimento. Vejam os EUA, eles não se tornaram a maior potência do mundo apenas por causa de capitalismo, mas sim capitalismo alinhado às investigações científicas e inovações tecnológicas. Não basta empurrar aos alunos que capitalismo é bom ou ruim, necessário é valorizar o conhecimento.

Mas não, este país está todo ferrado em ideologias dos séculos passados e que não são nada reais. As conclusões precipitadas de gente que prefere a ignorância ao conhecimento é o que faz este país ser uma completa merda.

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MICHEL O
Em 10/12/2017 at 15:30, ArquitetoZ disse:

Somos todos responsáveis, não tem isentão.

Eu votei na Dilma em 2014 e foda-se, pelo menos não votei em Aécio. Somos todos culpados pela situação do país.

O seu comentário demonstra a ruindade de sua concepção de mundo e política. Do número de 144.088.912 eleitores em 2014, a responsabilidade de cada um nessa merda de democracia representativa de eleições diretas é 100%/144.088.912 , o que significa 0,000000694% de responsabilidade individual.

Somos quase isentos, mas somos responsáveis pela merda que está atualmente.

O que nos torna mais culpados é a preferência pela ignorância. Isso fode com a educação de nosso país. Os esquerdistas e direitistas são culpados por impor ideologias na educação brasileira, ambos não valorizam o conhecimento a ser o meio para melhorar nosso país, apenas importam-se em ensinar que capitalismo é certo ou errado.

O capitalismo depende do conhecimento. Vejam os EUA, eles não se tornaram a maior potência do mundo apenas por causa de capitalismo, mas sim capitalismo alinhado às investigações científicas e inovações tecnológicas. Não basta empurrar aos alunos que capitalismo é bom ou ruim, necessário é valorizar o conhecimento.

Mas não, este país está todo ferrado em ideologias dos séculos passados e que não são nada reais. As conclusões precipitadas de gente que prefere a ignorância ao conhecimento é o que faz este país ser uma completa merda.

Você votou na continuidade de um grupo corrupto ao invés da entrada de um novo grupo corrupto. Responsáveis são aqueles que colocaram os dois no segundo turno.

Esse país é ferrado porque é um país em que apenas 8% da população tem plenas condições de compreender e se expressar. Eu não acredito muito em alguns estudos e pesquisas, mas esse número bate com o que eu vejo no meu dia a dia.

Editado por MICHEL O
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ArquitetoZ

Nas condições da atual "democracia", não somos livres para escolhermos nosso governante. Muito menos acredito que escolher governante é algo sobre liberdade, pois melhor seria se fosse aleatório, uma vez que dessa forma, para impeachar governante corrupto não haveria defensores cegos. Uma democracia sem ideologia.

Somos iludidos pela classe política que continua a lavar as mentes dos cidadãos e o dinheiro público. Tudo em nome da "democracia" que somos forçados a acreditar, que não é a única forma de democracia.

Eles querem que continuemos a acreditar em democracia = eleições diretas. É uma democracia ideal para o século XIX, mas é uma bosta para os anseios do século XXI.

Liberem o mercado? Intervenção estatal? São assuntos que eu não sei. Acho apenas que algumas regulamentações são necessárias, e em outras é necessário a navalha de Ockham. Mas a política é necessária e com liberdade de expressão para o cidadão em plataformas governamentais abertas para a participação pública.

Se ao menos votássemos em candidatos a prefeito em cada bairro mas o prefeito fosse eleito aleatoriamente, seria ótimo. A política tem que voltar a discutir problemas que estão no espaço público, e não perder tempo em discussões dogmáticas sobre o comportamento alheio e decisões dos outros na vida deles.

Eu votei "na continuidade de um grupo corrupto", mas a única opção possível além dessa era votar no outro grupo ou votar nulo. Na época preferi votar neles porque eu ainda acreditava neles com ressalvas. Hoje eu vejo que são mais estúpidos que eu pensava.

 

Editado por ArquitetoZ
defensores encaixa melhor do que protetores no contexto

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Douglas.
Em 12/9/2017 at 00:15, Thiago Anjo disse:

Mulher, Idoso, Criança e Adolescentes, são considerados vulneráveis por lei, não são grupos de minoria que buscam afirmação.

E aí que está a discussão, se alguns (ou todos) grupos minoritários também deveriam se encaixar nisso. Tem gente que é contra a diferenciação no caso das mulheres, por exemplo.

No caso de crimes contra a vida, não vejo como isso se encaixa nessa suposta busca por afirmação. E a partir do momento que é sabido existem grupos que visam especificamente negros (dependendo do lugar, indígenas e imigrantes) e homossexuais, também não vejo como racionalizar que eles não se encontram em posição mais vulnerável.

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Thiago Anjo
Agora, Douglas. disse:

E aí que está a discussão, se alguns (ou todos) grupos minoritários também deveriam se encaixar nisso. Tem gente que é contra a diferenciação no caso das mulheres, por exemplo.

No caso de crimes contra a vida, não vejo como isso se encaixa nessa suposta busca por afirmação. E a partir do momento que é sabido existem grupos que visam especificamente negros e homossexuais, também não vejo como racionalizar que eles não se encontram em posição mais vulnerável.(2)

Você não entendeu. Mulher, Idoso, Criança e Adolescente não são grupos minoritários. São vulneráveis legais independente de suas características.

Minoria, apesar de não existir um conceito absoluto, seria um grupo que por uma determinada característica sofre alguma desvantagem em relação aos demais, não necessariamente estando em menor número.

2 - Existem grupos contra TODOS os grupos. Tem gente que odeia branco, negro, índio, rico, mendigo, mulher, homem, etc... criar uma lei para um e para outro não é negligência ou privilégio. Eu acho bem sem noção aumentar a pena para um assassino de gays e não aumentar para um assassino de héteros. Por que assassinar um branco seria uma atenuante ? (pois se matar negro for agravante, matar outro seria mais benéfico para o assassino). A justiça é cega no sentido de que não diferencia esses grupos, tem que ser igualmente exemplar para todos.

Matar por odiar a raça/sexo/religião/etc deve ser por padrão um agravante. E não selecionar determinados grupos dentro desses e apenas legislar em favor deles. Ai meu pensamento na questão de propaganda gay, é por exemplo, a mídia pegar um crime de ódio e dizer: "matar homossexuais é crime hediondo", sendo que não seria matar homossexuais, e sim matar qualquer um pelo fato de odiar sua escolha sexual, seja homo, hétero, bi, pan...

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Douglas.
5 minutos atrás, Thiago Anjo disse:

Você não entendeu. Mulher, Idoso, Criança e Adolescente não são grupos minoritários. São vulneráveis legais independente de suas características.

Minoria, apesar de não existir um conceito absoluto, seria um grupo que por uma determinada característica sofre alguma desvantagem em relação aos demais, não necessariamente estando em menor número.

2 - Existem grupos contra TODOS os grupos. Tem gente que odeia branco, negro, índio, rico, mendigo, mulher, homem, etc... criar uma lei para um e para outro não é negligência ou privilégio. Eu acho bem sem noção aumentar a pena para um assassino de gays e não aumentar para um assassino de héteros. Por que assassinar um branco seria uma atenuante ? (pois se matar negro for agravante, matar outro seria mais benéfico para o assassino). A justiça é cega no sentido de que não diferencia esses grupos, tem que ser igualmente exemplar para todos.

Matar por odiar a raça/sexo/religião/etc deve ser por padrão um agravante. E não selecionar determinados grupos dentro desses e apenas legislar em favor deles. Ai meu pensamento na questão de propaganda gay, é por exemplo, a mídia pegar um crime de ódio e dizer: "matar homossexuais é crime hediondo", sendo que não seria matar homossexuais, e sim matar qualquer um pelo fato de odiar sua escolha sexual, seja homo, hétero, bi, pan...

Na questão do feminicídio, ainda tem gente querendo derrubar o que foi estabelecido. E que, ao que me consta, não era como você falou antes.

Pra carecterizar o crime eu sei que tem que ficar evidente que o motivo do crime era a vítima ser mulher ou homossexual, e não apesar disso. Essa é uma confusão que sempre que argumentam contra colocam como se fosse um imediato e não é, tem que ser caracterizado.

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Thiago Anjo
1 minuto atrás, Douglas. disse:

Na questão do feminicídio, ainda tem gente querendo derrubar o que foi estabelecido. E que, ao que me consta, não era como você falou antes.

Pra carecterizar o crime eu sei que tem que ficar evidente que o motivo do crime era a vítima ser mulher ou homossexual, e não apesar disso. Essa é uma confusão que sempre que argumentam contra colocam como se fosse um imediato e não é, tem que ser caracterizado.

Se não for caracterizado, deixa de ser o tipo penal, perde a agravante ou a majoração. Existem duas coisas: femicídio (matar uma mulher) e feminicídio (matar por ter ódio de pessoas do sexo feminino). A nova lei trava sobre Feminicídio, e ela prevê punição especial para quem comete esse tipo de crime, o que no meu ver é exatamente o que deve acontecer. Porém não em especial para a mulher. Acho que devem existir punições especiais para todo e qualquer crime por motivo de ódio, como escrevi antes, e não apenas para um grupo.

O tipo penal não deveria falar em mulher, deveria falar genericamente "Homicídio qualificado,  § 2° Se o homicídio é cometido: VI - Contra qualquer pessoa por razão de sua condição (étnica, racial, física, sexual...) ou convicção (religiosa, artística, sexual, ...)". Deixando claro pela doutrina que se trataria de um rol exemplificativo e não taxativo.

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gbonanni

Eu vejo que há uma grande confusão de quem nunca estudou o assunto pra falar do Conservadorismo, que é algo "novo", ainda mais aqui no Brasil. O mundo foi "esquerdar" digamos, após a Queda da Bastilha. Daí, se surgiu esse conceito como a maioria deve saber... Anos depois um senhorzinho chamado Edmund Burke escreveu um livro chamado "Reflexões sobre Revolução Francesa", que ponderou (atenção a esta palavra em negrito) seus pontos de vista questionando pormenores da Revolução ocorrida e que anos depois se alastrou pela Europa tirando monarquias do poder (hoje tá bem claro que a revolução foi uma merda, as maiores potências econômicas são oriundas de monarquias). Daí em diante, cada vez mais o conservador fez/faz oposição a ideais revolucionários ponderando o que aquilo vai atribuir a sociedade. O conservador, propriamente dito, não tem absolutamente nada contra o cara que é homossexual por exemplo, pois um dos princípios do conservadorismo é a liberdade individual, e a maioria aponta o conservador como homofóbico e etc. 
O foco do conservadorismo é cuidar do que foi pautado com muito esforço pelos nossos ancestrais, seja culturalmente ou qualquer outro atributo que preferir citar. "Mas Gabriel, então o mundo nunca vai avançar, o conservador sempre vai querer deixar como está? Estagnado." 

Como falei acima, o conservador antes de tudo pondera. Não é que ele é contra avanços, é desde que esse avanço não destrua o que foi construído com tanto esforço ao decorrer das décadas e séculos de humanidade ocidental. Um grande exemplo disso, é que o primeiro homem que brigou pela abolição da escravatura foi William Wilberforce,  um membro essencial na história da igreja anglicana britânica. 

Então, quando um conservador por exemplo, se opõe a idéia de existir uma grande imigração em larga escala, de uma cultura absurdamente diferente para outra, não é que ele é propriamente contra essas pessoas procurarem uma vida melhor, e sim para que o local destino consiga preservar sua cultura local. Vou tentar ser ainda mais direto.

Na Alemanha, um país majoritariamente cristão (luteranismo), com uma cultura mais do que milenar, recebeu por volta de 1 milhão de refugiados (https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2016/04/29/inundada-por-refugiados-no-ano-passado-alemanha-luta-para-integra-los.htm), refugiados esses que já deram o custo de 5,8 bilhões de Euros. 

Faça os cálculos comigo: A média de filhos de um europeu padrão de classe baixa/média, é de 2.1. A taxa de natalidade de um muçulmano é 8.3. Se você pegar esse valor e ver o resultado daqui a 50 anos, será assustador. Olha a França que tá vendo o resultado disso hoje. O governo alemão depois que passou a febre midiática de receber refugiados, agora está pagando pra eles irem embora. Veja só... 

E ressalto: Não estou aqui defendendo a minha idéia de religião, mas sim qualquer. Se fosse o contrário, também seria contra. 

POLONIA%2BSEM%2BTERRORISTAS.jpg

 

Esse acima, é o mapa dos atentados, datado de Junho/2017. Tá vendo aquele país ali sem nenhuma ocorrência? Pois então, é a Polônia. Provavelmente o país mais conservador do mundo (no sentido de quantidade por habitantes).

Enfim, perdões pelo longínquo post, mas quis apenas tentar deixar claro do que se trata o conservadorismo, pois há muitas pessoas que confundem alhos com bugalhos.

 

Deixo aqui a história de alguns conservadores ou livros para quem se interessar ao assunto, dar uma lida, vou deixar os melhores que tive oportunidade de acompanhar:

-  Winston Churchill: Uma vida Vol 1. GILBERT, Martin (https://goo.gl/7P3HrP) Livraria Cultura.

-  Reflexões sobre a Revolução na França. BURKE, Edmund. (https://goo.gl/G5FXJY) Livraria Cultura.

- Como ser um conservador. SCRUTON, Roger. (https://goo.gl/T99c1B) Saraiva

- A Democracia na América. TOCQUEVILE, Alex (https://goo.gl/VraU4s) Estante Virtual

- Regras para Radicais. ALINSKY, Saul. (https://goo.gl/TV8uf3) Amazon (este, infelizmente, só localizei em inglês).

 

Deixo aqui um trecho do meu livro favorito, do Scruton:

 

"O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas, o trabalho de destruição é rápido, fácil e recreativo; o labor da criação é lento, árduo e maçante. Esta é uma das lições do século 20. Também é uma razão pela qual os conservadores sofrem desvantagem quando se trata da opinião pública. Sua posição é verdadeira, mas enfadonha; a de seus oponentes é excitante, mas falsa. Nos círculos intelectuais, os conservadores se movem calma e silenciosamente, cruzando olhares pelo cômodo, assim como os homossexuais na obra de Proust. (...) Nós, os que supostamente excluem, vivemos sob pressão para esconder o que somos, por medo de sermos excluídos. Conservadores comuns – muitas pessoas, provavelmente a maioria, se enquadram nessa categoria – são constantemente informados de que suas ideias e sentimentos são reacionários, preconceituosos, sexistas ou racistas. As tentativas honestas de viver de acordo com as próprias ideias são desprezadas e ridicularizadas."

 

 

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Douglas.
19 horas atrás, Thiago Anjo disse:

Se não for caracterizado, deixa de ser o tipo penal, perde a agravante ou a majoração. Existem duas coisas: femicídio (matar uma mulher) e feminicídio (matar por ter ódio de pessoas do sexo feminino). A nova lei trava sobre Feminicídio, e ela prevê punição especial para quem comete esse tipo de crime, o que no meu ver é exatamente o que deve acontecer. Porém não em especial para a mulher. Acho que devem existir punições especiais para todo e qualquer crime por motivo de ódio, como escrevi antes, e não apenas para um grupo.

O tipo penal não deveria falar em mulher, deveria falar genericamente "Homicídio qualificado,  § 2° Se o homicídio é cometido: VI - Contra qualquer pessoa por razão de sua condição (étnica, racial, física, sexual...) ou convicção (religiosa, artística, sexual, ...)". Deixando claro pela doutrina que se trataria de um rol exemplificativo e não taxativo.

Acho que a maioria concorda com isso. E teria encurtado bastante a discussão se tivesse colocado nessas palavras no início. =P

 

 

8 horas atrás, gbonanni disse:

POLONIA%2BSEM%2BTERRORISTAS.jpg

 

Esse acima, é o mapa dos atentados, datado de Junho/2017. Tá vendo aquele país ali sem nenhuma ocorrência? Pois então, é a Polônia. Provavelmente o país mais conservador do mundo (no sentido de quantidade por habitantes).

 

 

Qual a fonte do mapa, existe um mapa de antes da recente onda imigratória, e quantos imigrantes recebeu a Islândia?

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ArquitetoZ
14 horas atrás, gbonanni disse:

Eu vejo que há uma grande confusão de quem nunca estudou o assunto pra falar do Conservadorismo, que é algo "novo", ainda mais aqui no Brasil. O mundo foi "esquerdar" digamos, após a Queda da Bastilha. Daí, se surgiu esse conceito como a maioria deve saber... Anos depois um senhorzinho chamado Edmund Burke escreveu um livro chamado "Reflexões sobre Revolução Francesa", que ponderou (atenção a esta palavra em negrito) seus pontos de vista questionando pormenores da Revolução ocorrida e que anos depois se alastrou pela Europa tirando monarquias do poder (hoje tá bem claro que a revolução foi uma merda, as maiores potências econômicas são oriundas de monarquias). Daí em diante, cada vez mais o conservador fez/faz oposição a ideais revolucionários ponderando o que aquilo vai atribuir a sociedade. O conservador, propriamente dito, não tem absolutamente nada contra o cara que é homossexual por exemplo, pois um dos princípios do conservadorismo é a liberdade individual, e a maioria aponta o conservador como homofóbico e etc. 
O foco do conservadorismo é cuidar do que foi pautado com muito esforço pelos nossos ancestrais, seja culturalmente ou qualquer outro atributo que preferir citar. "Mas Gabriel, então o mundo nunca vai avançar, o conservador sempre vai querer deixar como está? Estagnado." 

Como falei acima, o conservador antes de tudo pondera. Não é que ele é contra avanços, é desde que esse avanço não destrua o que foi construído com tanto esforço ao decorrer das décadas e séculos de humanidade ocidental. Um grande exemplo disso, é que o primeiro homem que brigou pela abolição da escravatura foi William Wilberforce,  um membro essencial na história da igreja anglicana britânica. 

...

Deixo aqui um trecho do meu livro favorito, do Scruton:

 

"O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas, o trabalho de destruição é rápido, fácil e recreativo; o labor da criação é lento, árduo e maçante. Esta é uma das lições do século 20. Também é uma razão pela qual os conservadores sofrem desvantagem quando se trata da opinião pública. Sua posição é verdadeira, mas enfadonha; a de seus oponentes é excitante, mas falsa. Nos círculos intelectuais, os conservadores se movem calma e silenciosamente, cruzando olhares pelo cômodo, assim como os homossexuais na obra de Proust. (...) Nós, os que supostamente excluem, vivemos sob pressão para esconder o que somos, por medo de sermos excluídos. Conservadores comuns – muitas pessoas, provavelmente a maioria, se enquadram nessa categoria – são constantemente informados de que suas ideias e sentimentos são reacionários, preconceituosos, sexistas ou racistas. As tentativas honestas de viver de acordo com as próprias ideias são desprezadas e ridicularizadas."

Olá gbonanni

Gostaria de conversar sobre algumas questões, investigando o tema, e não na condição de defensor de qualquer lado. Se fosse para defender um lado, hoje não saberia qual.

Desde quando existe o Conceito de conservadorismo? Considero a ponderação uma virtude, pois o que falta em uma sociedade descolada é justamente virtudes, uma vez que os descolados caem em vícios.

Há alguns posts atrás comparei o conservadorismo ao estoicismo e o "contrário" ao epicurismo, escolas helênicas. Quando Epicuro traçou a filosofia de vida dele, era a busca por uma vida feliz e sem receio de cair em vícios. Os vícios não eram a preocupação, visto que eles estavam preocupados em viver enquanto pudesse, já que não haveria vida após a morte.

Problema é quando vivemos sem virtudes. Uma sociedade de indivíduos sem virtudes é repleta de corrupção, tentações e equívocos.

Outras são as virtudes: a prudência, a temperança, a justiça, a fortaleza. Também considere virtude a moderação (ao beber, ao fumar, etc.), e considero virtude também a prevalência da razão sobre a emoção.

Pois para mim o conservadorismo parece um conceito vazio. Eu preferiria preencher o significado com outras palavras, como moralismo, a própria ponderação, etc. que na visão dos Estóicos significam as virtudes.

O lado contrário, porém, não importa-se com as virtudes, pois os valores são outros. Não necessariamente vícios, mas que na condição atual converge em vícios pecaminosos.

Estou livre da tradição dos conceitos modernos e pós-iluministas que não me parecem muito claros. Eu poderia estar enganado, e gostaria de saber sua resposta com relação a este comentário.

Fontes de interesse: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/13554.pdf
http://ano-zero.com/virtude-estoica/

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gbonanni
23 horas atrás, Douglas. disse:

Acho que a maioria concorda com isso. E teria encurtado bastante a discussão se tivesse colocado nessas palavras no início. =P

 

 

 

Qual a fonte do mapa, existe um mapa de antes da recente onda imigratória, e quantos imigrantes recebeu a Islândia?

Douglas,

 

Para seu questionamento acerca da Islândia, não consegui encontrar nenhuma fonte boa.

O gráfico corresponde ao ano de 2017, no site "Global Terrorism Database" há todas as informações disponíveis. (https://www.start.umd.edu/gtd/search/Results.aspx?page=1&search=Poland&charttype=line&chart=overtime&expanded=no&ob=CountryText&od=asc#results-table)

 

16 horas atrás, ArquitetoZ disse:

Olá gbonanni

Gostaria de conversar sobre algumas questões, investigando o tema, e não na condição de defensor de qualquer lado. Se fosse para defender um lado, hoje não saberia qual.

Desde quando existe o Conceito de conservadorismo? Considero a ponderação uma virtude, pois o que falta em uma sociedade descolada é justamente virtudes, uma vez que os descolados caem em vícios. 1

Há alguns posts atrás comparei o conservadorismo ao estoicismo e o "contrário" ao epicurismo, escolas helênicas. Quando Epicuro traçou a filosofia de vida dele, era a busca por uma vida feliz e sem receio de cair em vícios. Os vícios não eram a preocupação, visto que eles estavam preocupados em viver enquanto pudesse, já que não haveria vida após a morte.

Problema é quando vivemos sem virtudes. Uma sociedade de indivíduos sem virtudes é repleta de corrupção, tentações e equívocos.

Outras são as virtudes: a prudência, a temperança, a justiça, a fortaleza. Também considere virtude a moderação (ao beber, ao fumar, etc.), e considero virtude também a prevalência da razão sobre a emoção.

Pois para mim o conservadorismo parece um conceito vazio. Eu preferiria preencher o significado com outras palavras, como moralismo, a própria ponderação, etc. que na visão dos Estóicos significam as virtudes.

O lado contrário, porém, não importa-se com as virtudes, pois os valores são outros. Não necessariamente vícios, mas que na condição atual converge em vícios pecaminosos.

Estou livre da tradição dos conceitos modernos e pós-iluministas que não me parecem muito claros. Eu poderia estar enganado, e gostaria de saber sua resposta com relação a este comentário.

Fontes de interesse: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/13554.pdf
http://ano-zero.com/virtude-estoica/

 

Respondendo a parte em itálico: É dificil precisar exatamente onde iniciou, pois a questão moral só foi começar a ter valor após Constantino (se tratando apenas de ocidente que é onde eu leio sobre). Antes disso era Sodoma e Gomorra em toda europa, o próprio Nero (se quiser ir mais longe, leia sobre Heliogábalo) fazia coisas terríveis, como matar a própria mãe/ter relações sexuais com a mesma (segundo alguns historiadores, não é um consenso). Então pelo que li, entendo que involuntariamente, e sem eles mesmos saberem, começou no declínio do império Romano com a vinda do Cristianismo para Roma. Depois dessa confusão geográfica e cultural após a chegada do Cristianismo, o ocidente passou quase 700 anos estagnado sem difundir nada culturalmente e nem nada de valor, a não ser pancadaria e guerra por território mas ao mesmo tempo se via um amadurecimento moral pelo acúmulo de poder Papal que foi sendo conquistado. Quando chegou mais ou menos nos anos 1000, foi proclamada as Cruzadas, e lá, o Europeu entrou MUITO mais em contato com a questão moral, era tão importante que acabaram surgindo movimentos puramente morais e cristãos como Templários e Hospitalários. Após a tomada de Jerusalém e a volta pra casa dos Europeus, foi difundido novamente além da fé reforçada e a moral da Igreja, a intelectualidade perdida dos gregos antigos (muito dos conhecimentos perdidos estavam jogados em bibliotecas do antigo Império que foram recuperadas nas Cruzadas, como por exemplo, Alexandria) e conhecimentos aritméticos absurdos absorvido dos islâmicos, por isso, anos depois, teve um movimento que considero essencial onde tudo isso se encaixou que foi o Renascimento, pois sem esses passos anteriores, a cultura de quase nenhum país Europeu existiria, a fé que deu origem ao conservadorismo cultural/cristão não existiria. Após isso tivemos nomes e pessoas brilhantes que conseguiram fazer o mundo andar para o que conhecemos hoje. Claro que não é perfeito, sempre há os caras que fogem do que deveriam ser (o cara que larga a família, o outro que causa a guerra e etc..)

Então, quando alguém me pergunta porquê é tão importante o conservadorismo na minha opinião é isso: Ter cuidado pra não desmanchar tudo isso que foi feito com tanto esforço, saber ponderar. Nós, ocidentais, passamos por terríveis eras justamente por cairmos em tentações, vícios, ou por não termos valor sentimental, emocional e até material pelo que foi construído e nos cerca. Você tem todo o direito de não ter essa idéia, o que não pode é todo mundo pensar assim e isso ser normatizado, pois, como falei, a sociedade quebraria novamente, a estrutura da família seria quebrada, a estrutura de relações seria quebrada e muita coisa seria normatizada, coisas essas que lá no passado, aprendemos que deu merda e foi necessário corrigir.

Indubitavelmente, nossa sociedade conseguiu se estabilizar em 3 coisas fundamentais (que acho que consegui explicar bem no texto acima): Direito romano, moral cristã e filosofia grega. 

 

(Ainda não consegui ler os links, assim que puder posto!)

Se algum desses itens, um dia cair, se prepare. 

Editado por gbonanni
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Douglas.
5 horas atrás, gbonanni disse:

Douglas,

 

Para seu questionamento acerca da Islândia, não consegui encontrar nenhuma fonte boa.

O gráfico corresponde ao ano de 2017, no site "Global Terrorism Database" há todas as informações disponíveis. (https://www.start.umd.edu/gtd/search/Results.aspx?page=1&search=Poland&charttype=line&chart=overtime&expanded=no&ob=CountryText&od=asc#results-table)

 

Obrigado.

 

 

1Lx1HQ5.png

 

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Não parece haver uma relação direta com a imigração mas sim como parte de um contexto maior. Entre 2015 e 2016 ali, os mapas mostram quase uma relação inversa na Europa Oriental, e na Ocidental o salto tem um impacto muito menor, principalmente considerando que o número geral cresceu entre 2011 e 2013 sem eles terem contribuído.

No segundo eu tentei tirar os movimentos separatistas e/ou políticos. Além de IS e Al-Qaeda, estão incluídos todos os que se autodenominam movimentos islamistas - e que consegui ver, podem ter passado alguns mas o mais importante era ver a tendência.

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ArquitetoZ
Em 12/12/2017 at 15:38, gbonanni disse:

Respondendo a parte em itálico: É dificil precisar exatamente onde iniciou, pois a questão moral só foi começar a ter valor após Constantino (se tratando apenas de ocidente que é onde eu leio sobre). Antes disso era Sodoma e Gomorra em toda europa, o próprio Nero (se quiser ir mais longe, leia sobre Heliogábalo) fazia coisas terríveis, como matar a própria mãe/ter relações sexuais com a mesma (segundo alguns historiadores, não é um consenso). Então pelo que li, entendo que involuntariamente, e sem eles mesmos saberem, começou no declínio do império Romano com a vinda do Cristianismo para Roma. Depois dessa confusão geográfica e cultural após a chegada do Cristianismo, o ocidente passou quase 700 anos estagnado sem difundir nada culturalmente e nem nada de valor, a não ser pancadaria e guerra por território mas ao mesmo tempo se via um amadurecimento moral pelo acúmulo de poder Papal que foi sendo conquistado. Quando chegou mais ou menos nos anos 1000, foi proclamada as Cruzadas, e lá, o Europeu entrou MUITO mais em contato com a questão moral, era tão importante que acabaram surgindo movimentos puramente morais e cristãos como Templários e Hospitalários. Após a tomada de Jerusalém e a volta pra casa dos Europeus, foi difundido novamente além da fé reforçada e a moral da Igreja, a intelectualidade perdida dos gregos antigos (muito dos conhecimentos perdidos estavam jogados em bibliotecas do antigo Império que foram recuperadas nas Cruzadas, como por exemplo, Alexandria) e conhecimentos aritméticos absurdos absorvido dos islâmicos, por isso, anos depois, teve um movimento que considero essencial onde tudo isso se encaixou que foi o Renascimento, pois sem esses passos anteriores, a cultura de quase nenhum país Europeu existiria, a fé que deu origem ao conservadorismo cultural/cristão não existiria. Após isso tivemos nomes e pessoas brilhantes que conseguiram fazer o mundo andar para o que conhecemos hoje. Claro que não é perfeito, sempre há os caras que fogem do que deveriam ser (o cara que larga a família, o outro que causa a guerra e etc..)

Então, quando alguém me pergunta porquê é tão importante o conservadorismo na minha opinião é isso: Ter cuidado pra não desmanchar tudo isso que foi feito com tanto esforço, saber ponderar. Nós, ocidentais, passamos por terríveis eras justamente por cairmos em tentações, vícios, ou por não termos valor sentimental, emocional e até material pelo que foi construído e nos cerca. Você tem todo o direito de não ter essa idéia, o que não pode é todo mundo pensar assim e isso ser normatizado, pois, como falei, a sociedade quebraria novamente, a estrutura da família seria quebrada, a estrutura de relações seria quebrada e muita coisa seria normatizada, coisas essas que lá no passado, aprendemos que deu merda e foi necessário corrigir.

Indubitavelmente, nossa sociedade conseguiu se estabilizar em 3 coisas fundamentais (que acho que consegui explicar bem no texto acima): Direito romano, moral cristã e filosofia grega. 

 

(Ainda não consegui ler os links, assim que puder posto!)

Se algum desses itens, um dia cair, se prepare. 

Os links são sobre o estoicismo que para mim é a raíz do que você chama de conservadorismo.

A filosofia grega pós-socrática tem formulações morais distintas e heterogêneas. Os helenistas utilizam de teorias anteriores a Sócrates, da época que o assunto Homem e Sociedade ainda não estavam em discussão, mas com esta temática adicionada.

Eu não gosto de "conceitos absolutos" como conservadorismo e outros. Conceitos e ideologias (-ismos) tem um conjunto de características cujos seguidores sempre tem dificuldade de serem coerentes. É como defender democracia sendo de partido que quer manter-se hegemônico no poder, que nem o PT. É como ser o conservador que vocês pretendem mas não ser ponderado em determinadas situações, circunstâncias e momentos.

Outro que não gosto é "revolucionário". Pois quando Nicolau Copérnico escreveu "Sobre as Revoluções dos Orbes Celestes" é ainda no período anterior da má utilização dessa palavra revolução no contexto de mudanças e rupturas sociais.

Acho que a mudança da sociedade é contínua, mas não de forma uniforme. É disforme e incontrolável. Mesmo que não queiramos, a juventude nascida pós ano 2000 parece muito propensa às mudanças na forma de relacionar-se e construir relações. A presença da tecnologia e redes sociais influi nisso, e a propaganda pelos meios de comunicação também influencia. O problema é quando isso vira mote de uma campanha ideológica e política. Quando essas transformações são politizadas, surge a polarização. A palavra (logos) acende uma chama inflamante de discussões, a dialética ou conjugação do sufixo logos para lética com o prefixo dia que significa opostos.

Por isso que ponderação é uma virtude louvável. As virtudes são louváveis e para mim são os alicerces do que você(s) quer(em) com o conservadorismo, pois trata-se de valores objetivos e definidos, e não um conceito abstrato que representa determinadas virtudes.

Discórdia sempre vai existir. E ilusão é achar que elimina-se o outro lado. E problema das ideologias é justamente o combate ao outro lado, como se o diferente fosse para ser derrotado, eliminado, destruído.

Infelizmente a política corrompeu-se de seu propósito, e isso não trata-se de dinheiro na raíz do problema. A política deveria tratar sobre questões do espaço público (mesmo que fosse Estado Mínimo ou o Estado não existisse mais como os Libertarianistas propõem), mas hoje em dia perde tempo com enfrentamentos ideológicos de concepções dogmáticas sobre a sociedade.

Com relação às raízes do cristianismo, a Filosofia teve atrito com os cristãos no início, mas o Agostinho de Hipona (Santo Agostinho) foi o reconciliador da Filosofia com o cristianismo, e ele foi influenciado pelo estoicismo assim como o pensamento estóico influenciou o cristianismo e possivelmente foram os primeiros a elaborar uma "forma conservadora" de valores para a sociedade.

Fontes: Estoicismo e Helenização do Cristianismo https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/viewFile/23812/21368

Filosofia da religião: Estoicismo romano e o pensamento cristão dos ... http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/cr/article/view/2102

É até curioso que os antagonistas helênicos tenham seus "herdeiros" hoje em dia. O epicurismo, inclusive, influencia Karl Marx.

Fontes: EPICURO E A FORMAÇÃO DO PENSAMENTO DE KARL MARX* http://periodicos.uesb.br/index.php/politeia/article/view/203/225

[Vídeo] – “As filosofias da natureza em Demócrito e Epicuro” – tese de Karl Marx - http://filosofiaemvideo.com.br/video-as-filosofias-da-natureza-em-democrito-e-epicuro-tese-de-karl-marx/

EPICURO, MARX E A CRÍTICA DA RELIGIÃO: ALGUMAS NOTAS ...

Marx, leitor de Demócrito e Epicuro - Verinotio

Eu nem sabia que a relação de Marx com Epicuro era tão estreita. Afinal, não sou leitor dele.

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Douglas.
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Obsessão com identidades e histeria conservadora desafiam democracia

  Nelson Antoine/Folhapress  
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Fernando Schüler, colunista da Folha, em debate de lançamento do livro do Fronteiras do Pensamento

FERNANDO SCHÜLER

08/12/2017 06h00

 

Num ano em que o Congresso discutiu reformas fundamentais para o país, os debates que parecem ter mobilizado mais as pessoas –e não só na arena digital– dizem respeito a exposições de arte, nudez, questões de gênero, raça e sexualidade. Qual a explicação para isso?

Há consenso de que nos tornamos uma democracia mais instável, polarizada, feita de muito barulho e pouca comunicação. A lógica das políticas de identidade tem algo a ver com isso? E os novos conservadorismos? O que esperar quando questões éticas e estéticas abrangentes, que por definição nos separam, passam a definir a pauta do debate público?

Mark Lilla, professor da Universidade Columbia, em artigo provocante no jornal "The New York Times", sugeriu que os temas de identidade passaram do ponto em nossa democracia.

Ele afirma que o progressismo americano anda imerso em um tipo de "pânico moral em função de temas de gênero, raça e identidade sexual" e corre o risco de perder sua capacidade de tratar das grandes questões comuns.

Diz que a campanha da democrata Hillary Clinton, a cada comício falando para mulheres, latinos, LGBT e afro-americanos, produziu uma legião de excluídos: os "não citados", em boa medida galvanizados por Donald Trump.

Lilla é duro: sustenta que a fixação na diversidade produziu "uma geração de progressistas narcisisticamente desligados das questões alheias a seu grupo de referência".

O objetivo era dar uma chacoalhada no Partido Democrata —o professor parece culpar a onipresença da retórica identitária pela derrota de 2016. Ecoa, de certo modo, a crítica de Bernie Sanders. E tem um ponto. Em uma entrevista, cita o guru direitista republicano Steve Bannon: "Enquanto vocês estiverem falando de políticas de identidade, nós ganharemos".

O assunto não se inscreve apenas no universo americano. O debate identitário é hoje um tema da democracia —e afeta também o Brasil.

A atriz Taís Araújo causou algum ruído ao afirmar que vive num país em que as pessoas atravessam a rua quando cruzam com seu filho, negro como ela; o mesmo fez o professor Ives Gandra Martins, dizendo ser difícil viver no Brasil de hoje não sendo homossexual, negro ou índio. Ambos foram satirizados, e suas falas por óbvio contêm exagero. Mas são um sintoma.

Estaríamos adquirindo traços de obsessão identitária e certa histeria conservadora, na linha descrita por Lilla? Tudo indica que sim, e é muito provável que se encontre aí uma das raízes do atual mal-estar de nossa democracia.

ACORDO POLÍTICO

Para começar, um passo atrás. A democracia é filha das sociedades de direitos que emergiram no mundo moderno, num longo curso de sedimentação dos valores da tolerância e igualdade de todos diante da lei.

John Rawls definiu seu desafio central: obter um grande acordo entre pessoas que divergem fundamentalmente sobre temas de natureza filosófica, religiosa ou moral. Isto é, entre pessoas que seguem visões verdadeiras, ainda que mutuamente excludentes, a respeito de questões centrais da vida humana.

Para Rawls, o único acordo possível deve se dar no âmbito político, não metafísico. Ou seja, num plano abaixo da retórica moral, e por isso capaz de aproximar pessoas que de outra forma viveriam em uma eterna guerra de posições.

É precisamente nesse plano que se encontra a ideia da "grande sociedade" e sua organização formal à base de direitos e respeito à diferença.

Movimentos identitários foram fundamentais em sua construção. É o que mostram as lutas pelos direitos civis, nos anos 1960, e pela não discriminação sexual, em nosso tempo. É o que se lê no manifesto seminal do Combahee River, grupo feminista negro que atuou em Boston de 1974 a 80 —sua razão de ser é "a crença compartilhada de que mulheres negras são inerentemente valiosas".

Ocorre que, após a Guerra Fria, assistiu-se a uma curiosa inflexão.

Ao mesmo tempo em que democracias foram se tornando mais inclusivas e se consagraram novos direitos (símbolo disso é a legalização do casamento gay pela Suprema Corte americana, em 2015), a retórica da identidade e da diversidade ultrapassou em muito a noção universalista de integração de todos à sociedade de direitos, passando a funcionar como força de fragmentação do espaço democrático.

Nos EUA, nota-se isso particularmente nos campi universitários e em movimentos vagamente associados ao Partido Democrata. A retórica é agressiva e a visibilidade de cada tipo de identidade é seletiva, a depender da capacidade do segmento para agir e obter legitimidade na esfera pública.

O resultado é uma forma paradoxal de exclusão. A luz jogada sobre uns produz sombra logo do outro lado. É exatamente o argumento de Lilla ao se referir, como exemplos, aos trabalhadores brancos empobrecidos e a grupos religiosos.

A lógica da exclusão carrega um elemento "nonsense", que aproxima a atitude de grupos identitários e conservadores: a ideia, algo mística, de que o pertencimento a uma identidade ou crença possa produzir alguma superioridade moral em relação ao outro.

Não é diferente do que se passa no Brasil. É o que torna legítimo agir com ira santa contra o lançamento de um filme que não retrata "adequadamente" a escravidão ou vetar o uso de uma vestimenta que não pertença a sua própria cultura.

Tudo isso soa absurdo, mas se tornou parte do cotidiano de nossas guerras culturais. Vêm daí o veto ao direito de expressão a quem pensa diferente ou os atos hostis contra uma filósofa vista como ameaça aos bons valores (como ocorreu vergonhosamente com Judith Butler em sua visita ao Brasil).

Acentua-se uma ambivalência nos movimentos identitários. De um lado, uma visão inclusiva quanto a direitos, que reage à discriminação e demanda que todos façam parte do jogo; de outro, uma visão excludente, na qual a política surge como expressão-de-si, como projeção de um tipo de pertencimento (regionalidade, raça, crença), em vez do exercício da persuasão no espaço público.

"Não somos apenas indivíduos", diz Richard Spencer, "não somos apenas almas ou cérebros, sem gênero e raça, existindo no universo. Nós temos raízes." Spencer é guru da alt-right, aglomerado supremacista americano. Seu ponto é claro: a negação do universalismo liberal, da alteridade, da ideia iluminista de superação-de-si através da palavra e do argumento.

O Combahee River trilhava caminho similar ao citar a ativista Robin Morgan e sua ideia de que nenhum papel revolucionário poderia caber ao homem branco heterossexual, pois "ele é a própria encarnação do poder reacionário". Espécie de metafisica banal que, levada a sério, tornaria sem sentido qualquer tentativa de debate democrático.

AMIGO-INIMIGO

Não é difícil perceber aí ecos do existencialismo político de Carl Schmitt e sua compreensão da política a partir da lógica amigo-inimigo.

A ideia do inimigo político como "o outro, o estrangeiro [...] aquele que é, em um sentido intenso, diferente e desconhecido". O inimigo como alguém a quem se atribui um defeito moral e que é essencialmente diferente do simples adversário de ideias. Daí a síndrome da incomunicabilidade, a política do veto, os rituais do escracho e das intervenções e toda a guerra de virtudes na internet.

Uma explicação possível para esse ganho de intensidade das políticas de identidade é a constatação de que, com a internet e as redes sociais, as sociedades adquiriram traços de uma grande comunidade.

A hiperconexão digital rompeu as esferas de silêncio que ofereciam relativa estabilidade à grande sociedade, um universo impessoal em que grupos e comunidades muito diferentes podiam subsistir sem maiores problemas.

Fomos reconvocados a viver juntos. Voltamos a imaginar possível um acordo ético perdido no tempo, muito além dos limites da política intuídos por Rawls. Daí o choque cultural, a guerra cotidiana num ambiente de baixa empatia, como é a internet, em que o debate público surge como jogo de soma zero.

Daí o debate estéril entre conservadores culturais e apreciadores de arte contemporânea sobre a nudez e a presença de crianças em uma exposição. Onde seria desejável apenas respeito e alguma distância, apostamos em uma guerra de surdos, com resultados previsíveis.

Tratar do mal-estar da democracia supõe um novo aprendizado. O primeiro passo é compreender que não iremos mais nos entender sobre o sentido da arte e os limites do humor, o valor e a estrutura da família, o lugar da mulher e do homem na sociedade, a educação dos filhos, o aborto, a religião ou boa parte do que chamamos de ideologia.

Nosso destino é viver em desacordo, ainda que conectados uns aos outros nas redes digitais. Não é um desafio simples, mas é o que deve ser enfrentado por aqueles que apostam na democracia.

Quem percebeu isso com clareza foi Barack Obama. Suas frases de efeito ("não existe América negra ou América branca, mas os Estados Unidos da América"), que enfureciam tipos como Cornell West, tinham um sentido preciso: recusar a retórica da exclusão. Evitar que a guerra cultural ou identitária tomasse de assalto o espaço público e transpusesse os limites da política.

Em seu discurso nos 50 anos da marcha de Selma, em 2015, Obama foi particularmente direto. Desafiou os céticos a pensar se não é melhor nascer hoje, em Selma ou Chicago, do que nos EUA anos 1950. Criticou quem insiste em dizer que "o preconceito e a discriminação são imutáveis na América". Um convite à moderação e ao diálogo.

O mesmo fez quando convidou Henry Louis Gates, professor negro de Harvard, e James Crowley, policial branco que o havia abordado indevidamente, para uma cerveja na Casa Branca. Não se tratava de deixar passar um incidente de preconceito, mas de aprender com ele.

Recusar a lógica da desconfiança. Apostar no diálogo, em vez do jogo retórico da superioridade moral. Do azedume que parece corroer, lentamente, a democracia contemporânea.

FERNANDO SCHÜLER é cientista político, professor do Insper e colunista da Folha. Tem doutorado pela UFRGS e pós-doutorado pela Universidade de Columbia.

 

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/12/1941563-obsessao-com-identidades-e-histeria-conservadora-desafiam-democracia.shtml

 

 

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